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7,92 milhões de nascimentos

China enfrenta menor taxa de natalidade desde 1949

Gigante asiático está 'encolhendo' e governo local oferece dinheiro para famílias aumentarem o número de filhos

8 FEV 2026 - 09H27 • Por Wilson Lopes
Crianças se divertem em um centro de educação infantil na cidade de Qingdao, na Província de Shandong, no leste da China - Xinhua-Zhang Ying

Conforme projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), a Índia (1.463.865.525 habitantes) se tornou oficialmente a nação mais populosa do planeta, em abril de 2023, ao ultrapassar a China (1.416.096.094), que liderava o ranking.

Ao contrário da Índia, onde a população se encontra em franca expansão, a República Popular da China registra as menores taxas de natalidade desde 1949. Em 2025, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), foram 7,92 milhões de nascimentos, ou seja, 5,63 por mil habitantes, índice 17% mais baixo do que no ano anterior.

Como a taxa de mortalidade alcançou 8,04 por mil habitantes, a população total da China diminuiu em 3,39 milhões de habitantes, caindo para cerca de 1,404 bilhão de pessoas.

Neste ritmo, estima a ONU, a população chinesa poderia encolher para cerca de 800 milhões até o ano de 2100. Isto equivaleria à perda de aproximadamente 600 milhões de pessoas – quase o triplo da população atual do Brasil, estimada em 213,4 milhões de pessoas em setembro passado.

Conforme reportagem da DWBrasil, o dado representa o quarto ano consecutivo de contração, depois que a população chinesa perdeu 850 mil pessoas em 2022. “Este já havia sido o primeiro declínio desde 1961, quando o número de habitantes diminuiu, em consequência da fome derivada de uma fracassada política de industrialização”.

Cuidado infantil de alta qualidade

Segundo a agência governamental Xinhua, a China tomou uma série de medidas que vão desde o aumento do investimento fiscal até o aprimoramento dos padrões para melhorar seus serviços de cuidado infantil.

Atualmente, o país conta com 126 mil instituições de cuidado infantil, oferecendo um total de 6,66 milhões de vagas. O preço médio nacional do atendimento em tempo integral caiu 29%, reduzindo de forma efetiva o peso financeiro das famílias.

“Shanghai, metrópole do leste da China, busca alcançar cobertura total de creches comunitárias, facilitando o atendimento temporário e por hora às famílias. Enquanto isso, Chengdu, capital da Província de Sichuan, no sudoeste do país, trabalha para promover operações padronizadas e regulamentadas, ao mesmo tempo que desenvolve sua marca de cuidado infantil inteligente”, observa a agência. 

O governo chinês também iniciou uma nova rodada de inscrições para o programa de subsídios para cuidados infantis de 2026, oferecendo às famílias elegíveis um montante único isento de impostos de 3,6 mil yuans (US$ 513) por ano para cada criança menor de três anos. O programa, lançado em julho de 2025, já beneficiou mais de 24 milhões de pessoas em todo o país.

“Com cerca de 30 milhões de crianças com menos de três anos, a taxa de natalidade e o número total de recém-nascidos no país diminuíram por sete anos consecutivos, antes de registrarem uma modesta recuperação em 2024. Entretanto, a população chinesa com 60 anos ou mais atingiu 310 milhões no final de 2024”, pontua a Xinhua. 

Como um dos países mais populosos do mundo, a China enfrenta profundos desafios demográficos devido à diminuição do número de recém-nascidos e ao crescente envelhecimento da população (Dong Naide-Xinhua)

Dinheiro para aumentar a natalidade

Segundo a agência do governo, Hohhot, capital da Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China, oferecerá um subsídio único de 10 mil yuans (US$ 1.394) para casais que tiverem seu primeiro filho.

O segundo filho receberá 10 mil yuans por ano até completar cinco anos. Para o terceiro filho ou mais, o subsídio é de 10 mil yuans por ano até a criança completar 10 anos, com o valor total chegando a 100 mil yuans, um valor relativamente alto em comparação com outras cidades.

Os números mostram que Hohhot, a cerca de duas horas de trem ao norte de Beijing, tem uma população de cerca de 3,6 milhões de habitantes. A taxa de natalidade da cidade mostrou uma tendência de declínio de 2019 a 2023. A taxa de natalidade ficou em 5,58 nascimentos por mil pessoas em 2023, embora tenha aumentado ligeiramente em 2024, pois mais casais estavam dispostos a ter bebês no Ano do Dragão.

As estatísticas oficiais mostram que a renda disponível per capita em Hohhot foi de 49.200 yuans em 2024. Acredita-se que a generosa recompensa em dinheiro seja um alívio para os casais que estão hesitantes em ter filhos devido a preocupações financeiras.

Envelhecimento da população

Mais de 20 regiões ao nível provincial na China exploraram a oferta de subsídios para o cuidado de crianças em diferentes níveis, de acordo com dados anteriores da Comissão Nacional de Saúde.

Como um dos países mais populosos do mundo, a China enfrenta profundos desafios demográficos devido à diminuição do número de recém-nascidos e ao crescente envelhecimento da população. A taxa de natalidade e o número de recém-nascidos do país caíram por sete anos consecutivos antes de registrarem aumentos em 2024, enquanto a população com 60 anos ou mais atingiu 310 milhões no ano passado.

Além do apoio financeiro, outras medidas de incentivo incluem mais serviços de creche, licença-maternidade estendida e apoio reforçado em educação, moradia e emprego, todos com o objetivo de promover uma sociedade favorável à natalidade.

Os serviços de cuidados infantis foram aprimorados em todo o país para criar situações melhores para os pais. Em Suzhou, na Província de Jiangsu, as creches comunitárias lançaram serviços de creche de dia inteiro, de meio dia, temporários e de hora em hora para bebês e crianças, oferecendo opções convenientes e confiáveis de creche para os residentes.

Além disso, a licença-maternidade na China foi ampliada para mais de 158 dias, juntamente com a licença-paternidade do cônjuge e a licença-parental, fazendo com que as novas mães se sintam cada vez mais apoiadas.

A licença-maternidade mais longa, bem como a licença-paternidade e a licença-parental adicionais, podem aumentar a coesão familiar e aliviar a carga de cuidados. Enquanto isso, os subsídios econômicos aliviaram a pressão financeira sobre as famílias que criam filhos, aumentando assim sua disposição de ter mais filhos, disse Mi Hong, diretor do Instituto de Estudos de População e Desenvolvimento da Universidade de Zhejiang.

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