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Em três anos, 2,3 milhões de brasileiros receberão o diagnóstico de câncer

Estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia estima que o país deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

5 FEV 2026 - 11H15 • Por Wilson Lopes
Ação da Prefeitura de Manaus (AM), intitulada "Almas que Florescem", que reuniu 55 mulheres em tratamento oncológico para um momento de autocuidado, acolhimento e união - João Viana/Prefeitura de Manaus (AM)

O estudo ‘Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões: Estimativas para o Triênio 2026-2028’, publicado por um conjunto de especialistas na edição 72 da Revista Brasileira de Cancerologia (RBC), estima que, para cada ano do triênio 2026/2028, aproximadamente 781 mil novos casos de câncer devem ocorrer no Brasil, o que equivale a 2.343.000 casos em três anos.

Segundo o estudo, o câncer configura-se como um dos principais problemas de saúde pública do século XXI, com impactos econômicos e repercussões expressivas para indivíduos, famílias, comunidades e sistemas de saúde. 

“Globalmente, é responsável por quase uma em cada seis mortes (16,8%) e por aproximadamente uma em cada quatro mortes (22,8%) decorrentes de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Além disso, estima-se que três em cada dez mortes prematuras por DCNT ocorram em decorrência do câncer (30,3% na faixa etária de 30 a 69 anos).” 

Os especialistas advertem que os números evidenciam o peso desproporcional da doença na carga global de mortalidade e seu papel como barreira crítica ao aumento sustentável da expectativa de vida em escala mundial.

Investigação

Para estimar o número de casos, o estudo considerou as bases de dados dos 31 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), para o período compreendido entre os anos de 1988 a 2021. Quanto à mortalidade, as informações foram obtidas do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), para o período compreendido entre os anos de 1979 a 2023.

O estudo considerou 21 localizações primárias ou grupos de localizações de câncer: lábios e cavidade oral; esôfago; estômago; cólon e reto; fígado; pâncreas; laringe; traqueia, brônquio e pulmão; melanoma maligno da pele; outras neoplasias malignas da pele; mama feminina; colo do útero; corpo do útero; ovário; próstata; bexiga; sistema nervoso central; glândula tireoide; linfoma de Hodgkin; linfoma não Hodgkin e leucemias. 

Cânceres de mama e próstata

Dos 781 mil novos casos de câncer, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, a estimativa é de aproximadamente 518 mil casos novos, dos quais 49,4% ocorrerão em homens (cerca de 256 mil casos) e 50,6% em mulheres (cerca de 262 mil casos). 

A análise segundo o sexo mostra que, entre os homens, o câncer de próstata é o mais incidente (30,5% dos casos novos), seguido pelos cânceres de cólon e reto (10,3%), traqueia, brônquio e pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). 

Entre as mulheres, o câncer de mama mantém-se como o mais frequente (30,0% dos casos novos), seguido pelo câncer de cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), traqueia, brônquio e pulmão (6,4%) e glândula tireoide (5,1%).

Os tipos mais incidentes corresponderão a aproximadamente 65,0% de todos os casos novos no país. Os cânceres de mama feminina e próstata se destacam como os mais frequentes, respondendo, cada um, por aproximadamente 15,0% das novas ocorrências. Em seguida, figuram os cânceres de cólon e reto (10,4%), traqueia, brônquio e pulmão (6,8%), estômago (4,4%) e colo do útero (3,7%).

Os especialistas estimaram, para o grupo infantojuvenil (0 a 19 anos), um total de 7.560 casos novos de câncer no Brasil, correspondendo a uma taxa bruta de incidência de 134,81 casos por 1 milhão de crianças e adolescentes. Observa-se um leve predomínio no sexo masculino — 3.960 casos (52,4%), em comparação ao sexo feminino — 3.600 casos (47,6%).

Variações regionais / homens

De acordo com o estudo, a incidência de câncer no Brasil apresenta variações regionais, conforme observado nas taxas estimadas e nos tipos mais incidentes nas diferentes regiões e unidades federativas (UF). Entre os homens, o câncer de próstata mantém-se como o mais incidente em todas as UF. 

Foram estimados 77.920 casos novos, com taxa ajustada de 45,31 por 100 mil homens, sendo as maiores taxas observadas nas Regiões Sudeste (64,12 por 100 mil homens) e Centro-Oeste (58,31 por 100 mil homens).

Na Região Norte, o câncer de próstata é o mais incidente em todos os Estados (31,38 por 100 mil homens), seguido pelos cânceres de estômago (11,41 por 100 mil homens) e traqueia, brônquio e pulmão (10,32 por 100 mil homens).

A Região Nordeste apresenta padrão semelhante à Região Norte, com predomínio do câncer de próstata (49,28 por 100 mil homens), seguido pelos cânceres de cólon e reto (11,90 por 100 mil homens) e de traqueia, brônquio e pulmão (11,29 por 100 mil homens). No Ceará, no entanto, destaca-se o câncer de estômago, com taxa ajustada de 13,77 por 100 mil homens, ocupando o segundo lugar em incidência entre os homens. Na Bahia, o câncer de cavidade oral ocupa a terceira posição (10,19 por 100 mil homens).

Na Região Centro-Oeste, o câncer de próstata é o mais incidente (58,31 por 100 mil homens), seguido pelos de cólon e reto (22,70 por 100 mil homens) e de pulmão (12,97 por 100 mil homens), em todas as UF da Região. 

Na Região Sudeste, o câncer de próstata também aparece como o mais incidente em todos os Estados, com taxa ajustada de 64,12 por 100 mil homens, seguido do câncer de cólon e reto (23,18 por 100 mil homens) e de traqueia, brônquio e pulmão (12,63 por 100 mil homens). Nessa região, o câncer de cólon e reto é o segundo tipo mais frequente em todas as UF, com taxas ajustadas variando de 18,28 a 26,83 por 100 mil homens. Já o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente em São Paulo e no Rio de Janeiro, com taxas ajustadas de 15,06 por 100 mil e 13,01 por 100 mil, respectivamente. Em Minas Gerais e no Espírito Santo, o câncer de cavidade oral ocupa a terceira posição, com taxas ajustadas de 15,07 e 13,74 por 100 mil homens, respectivamente.

Na Região Sul, o padrão mantém-se semelhante ao observado em outras regiões, com predomínio do câncer de próstata (35,91 por 100 mil homens), seguido pelos cânceres de pulmão (23,02 por 100 mil) e de cólon e reto (22,39 por 100 mil). O câncer de pulmão ocupa o segundo lugar em incidência no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e o terceiro lugar no Paraná, apresentando as maiores taxas do país para esse tipo de câncer.

Variações regionais / mulheres

Entre as mulheres, o câncer de mama é o mais incidente em quase todas as UF, configurando-se como o principal tipo de câncer feminino no Brasil. Foram estimados 78.610 casos novos, com taxa ajustada de 42,50 por 100 mil mulheres, sendo as maiores taxas observadas nas Regiões Sudeste (51,72 por 100 mil) e Sul (47,65 por 100 mil).

Na Região Norte, o câncer do colo do útero permanece como o mais incidente no Estado do Amapá, com uma taxa ajustada de 31,13 por 100 mil mulheres, superando o câncer de mama (30,20 por 100 mil mulheres).

A Região Nordeste apresenta um padrão misto, com o câncer de mama (42,50 por 100 mil mulheres) como o mais incidente na maioria dos Estados, seguido pelo câncer do colo do útero (15,06 por 100 mil mulheres), que ainda apresenta taxas elevadas de incidência em todas as UF da Região.

Na Região Centro-Oeste, o câncer de mama (45,94 por 100 mil mulheres) é o mais incidente em todas as UF, seguido pelos cânceres de cólon e reto (17,26 por 100 mil mulheres) e do colo do útero (12,89 por 100 mil mulheres).

Na Região Sudeste, os cânceres de mama (51,72 por 100 mil), cólon e reto (18,67 por 100 mil) e colo do útero (11,20 por 100 mil mulheres) estão entre os três mais frequentes. As maiores taxas de câncer do colo do útero são observadas no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Por sua vez, na Região Sul, os cânceres de mama (47,65 por 100 mil mulheres), cólon e reto (17,13 por 100 mil mulheres) e pulmão (14,77 por 100 mil mulheres) são os mais incidentes. No Rio Grande do Sul, o câncer de traqueia, brônquio e pulmão ocupa a terceira posição (14,77 por 100 mil mulheres), enquanto, no Paraná e em Santa Catarina, essa posição é ocupada pelo câncer do colo do útero, com taxas ajustadas de 13,23 e 17,93 por 100 mil mulheres, respectivamente.

Alta carga da doença no Brasil

Na conclusão do estudo, os pesquisadores alertam para a alta carga da doença no Brasil e evidenciam importantes desigualdades regionais e entre os sexos. 

“O país vive um cenário de transição epidemiológica, no qual coexistem cânceres associados ao envelhecimento e ao estilo de vida urbano — predominantes nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste — com os tumores de etiologia infecciosa e aqueles mais relacionados a contextos de maior vulnerabilidade social, observados principalmente nas Regiões Norte e Nordeste.” 

Também destacam-se duas tendências relevantes: o aumento do câncer de cólon e reto, relacionado a fatores de risco comportamentais e ao envelhecimento populacional; e a volta do crescimento do câncer de pulmão, sobretudo entre as mulheres, refletindo o impacto cumulativo do tabagismo e novas formas de consumo de nicotina. 

Para os especialistas, os resultados reforçam a necessidade das ações integradas de prevenção e rastreamento, adaptadas às realidades regionais, e do fortalecimento dos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) para aprimorar a precisão e a cobertura das informações. 

Por fim, ressaltam que as estimativas devem ser interpretadas com cautela, mas constituem instrumento essencial para o planejamento e a priorização das políticas públicas de controle do câncer no país. 

@minsaude @bvscontrolecancer @prefeiturademanaus

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