BNDES investe no monitoramento de recifes ao longo de 2.800 km do litoral brasileiro
Projeto SER Corais realizará expedições de campo, mergulhos científicos, coleta e análise de dados ambientais em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte
14 FEV 2026 - 16H35 • Por Wilson LopesO Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai mapear e monitorar os recifes rasos ao longo da costa brasileira com a contratação do primeiro projeto do BNDES Corais. Executada pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, a iniciativa conta com R$ 5,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental e integra o BNDES Azul, estratégia do Banco dedicada à conservação dos oceanos, à adaptação às mudanças climáticas e ao fortalecimento da economia azul.
O projeto, denominado SER Corais, terá duração de 36 meses e realizará expedições de campo, mergulhos científicos, coleta e análise de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes rasos distribuídos ao longo de cerca de 2.800 quilômetros do litoral brasileiro, além dos dois principais bancos de corais do país — Abrolhos (BA) e Parcel Manuel Luís (MA).
A iniciativa vai monitorar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, produzir mapas técnicos e relatórios científicos e desenvolver protocolos de restauração recifal.
A atuação do projeto será distribuída entre os estados da Bahia (30%), Alagoas (10%), Ceará (10%), Espírito Santo (10%), Maranhão (10%), Paraíba (10%), Pernambuco (10%) e Rio Grande do Norte (10%), refletindo a extensão das áreas recifais monitoradas e a relevância ambiental dos territórios.
O projeto apoiará ao menos dez unidades de conservação, prevê avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorar 28 espécies e realizar 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre os recifes brasileiros e subsidiar políticas públicas de conservação marinha.
A contratação marca o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.
Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas, com destaque para a RDS de Coroa Alta, na Bahia. Também será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões.
A iniciativa também deve gerar empregos diretos e indiretos ao longo da execução, fortalecer a capacidade técnica de pesquisadores e ampliar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira. O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Turismo de base comunitária
Do ponto de vista social, a iniciativa amplia ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas pelo Instituto Nautilus. Em Santa Cruz Cabrália (BA), nas comunidades pesqueiras de Santo Antônio e Santo André, o projeto prevê capacitações, oficinas de empreendedorismo, mentorias e apoio à estrutura produtiva local, incluindo beneficiamento de produtos como coco e dendê. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 230 famílias, gerando alternativas de renda e reduzindo a pressão sobre a pesca predatória.
A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais), além de contribuir diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODSs) 8, 12, 13 e 14.
BNDES Azul
A iniciativa BNDES Azul foi lançada em janeiro de 2024 para fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos, costeiros e hídricos do Brasil, promovendo desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. A proposta integra a visão de uma “economia azul”, que reconhece o papel estratégico do mar – a chamada Amazônia Azul, que corresponde a cerca de 5,7 milhões de km² – como vetor de inovação, emprego e sustentabilidade.
Na sua vertente ambiental, o BNDES Azul conta com ações como o Planejamento Espacial Marinho (PEM) nas regiões Sul, Sudeste e Norte; o edital Manguezais do Brasil, no âmbito da iniciativa Floresta Viva, em parceria com a Petrobras; o BNDES Corais; e o BNDES Sustentabilidade: Ilhas Oceânicas, Ninhos Protegidos.
Com informações da Agência BNDES de Notícias.
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