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59% das mulheres que ainda não viajaram sozinhas pretendem fazê-lo nos próximos dois anos

Pesquisa revela que 62,1% das mulheres já deixaram de viajar sozinhas por questões de segurança e Ministério do Turismo publica guia para transformar a jornada mais segura

8 MAR 2026 - 10H57 • Por Wilson Lopes
Segundo o Solo Female Travel Trends & Statistics, comunidade online internacional com mais de 400 mil mulheres de 90 países, 84% das mulheres que já viajaram desejam repetir a experiência - Freepik

O Ministério do Turismo, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), realizou a pesquisa ‘Mulheres que Viajam Sozinhas’, ouvindo 2.712 mulheres que compartilharam percepções, motivações, medos, hábitos e estratégias relacionadas à experiência de viajar sozinha.

Os dados mostram que 62,1% das mulheres já deixaram de viajar sozinhas por questões de segurança, enquanto 60,6% afirmam já ter vivido alguma situação que as fez se sentir inseguras durante uma viagem solo.

A pesquisa ajuda a traçar um retrato contemporâneo dessas viajantes e indica caminhos possíveis para um turismo mais atento, acolhedor e responsável. Haja vista que a tendência já deixou de ser um nicho e se tornou um estilo de vida cada vez mais popular e normalizado.

Segundo o relatório ‘2025 Solo Female Travel Trends & Statistics’, da Solo Female Travelers, uma comunidade online internacional com mais de 400 mil mulheres de 90 países, o chamado ‘solo female travel’ (na tradução livre, viagens de mulheres sozinhas), confirmou que 69% das entrevistadas já viajaram sozinhas pelo menos uma vez, 84% daquelas que já viajaram desejam repetir a experiência e 59% das que ainda não viajaram sozinhas pretendem fazê-lo nos próximos dois anos.

No Brasil, a pesquisa do Ministério do Turismo constatou que 40% das mulheres já viajaram sozinhas algumas vezes e 31,4% viajam sozinhas com alguma frequência (Freepik)

No Brasil, a pesquisa do Ministério do Turismo constatou que 40% das mulheres já viajaram sozinhas algumas vezes e 31,4% viajam sozinhas com alguma frequência. A maioria delas (34,6%) tem entre 35 e 44 anos. Também formam grupos relevantes aquelas com idades entre 45 a 54 anos (22,1%), 25 a 34 anos (21,7%) e 55 a 64 anos (13,4%). 

Outro fator relevante é que a maioria das mulheres que viajam sozinhas (67,7%) não tem filhos. Entre as respondentes, 26,9% afirmam ter renda de 5 a 10 salários mínimos; 24,9% situam-se na faixa de 3 a 5 salários mínimos; e 24,7% entre 1 e 3 salários mínimos. Além disso, 12,5% das respondentes informam renda superior a 10 salários mínimos.

Os números da pesquisa revelam que os principais fatores que as levam a viajar sem companhia são: a busca por momentos de lazer (72,6%), o desejo por independência e liberdade (65,1%), o anseio por autoconhecimento (41,4%) e compromissos profissionais (37,6%).

Fonte: ‘Guia para mulheres que viajam sozinhas’

Experiências culturais e contato com a natureza são as principais atividades buscadas pelas mulheres que viajam sozinhas. Entre as respondentes, 68,3% afirmam estar interessadas em atividades culturais, como visitas a museus, centros históricos, entre outros. O ecoturismo aparece em seguida, com 64,2% de preferência, seguido por experiências de bem-estar (44,9%), compromissos de trabalho (38,5%), participação em eventos e festivais (36,6%) e interesse pela gastronomia (30,1%).

Sobre a segurança, o resultado mostra que mais da metade das entrevistadas (53,1%) adota uma percepção neutra, atribuindo nota 3 (de 1 a 5), o que indica que a experiência não é vista como totalmente segura nem totalmente perigosa, mas como um terreno que exige planejamento cuidadoso e vigilância. Quando se olha para os extremos, no entanto, a balança pende para a preocupação: 28,3% das respondentes sentem-se inseguras (notas 1 e 2), enquanto apenas 18,5% consideram o Brasil seguro (notas 4 e 5). Ou seja, quando as respostas fogem da neutralidade, a tendência majoritária é de preocupação.

Medo não é companheiro de viagem

Em sintonia com a questão, o Ministério do Turismo lançou o ‘Guia para mulheres que viajam sozinhas’. Além dos dados, úteis para gestores públicos, operadores turísticos e para toda sorte de empresa que atenda viajantes, a publicação contém orientações para promover um turismo mais seguro, inclusivo, acolhedor e responsável.

“Esse guia reconhece que a mulher tem o direito de circular com liberdade e viajar pelo Brasil e pelo mundo, sem que o medo seja o principal companheiro de viagem”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Segundo o Ministério do Turismo, o guia integra a agenda de turismo responsável e está alinhado tanto ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, quanto à pauta internacional de igualdade de gênero.

A publicação reúne informações, orientações e referências para estimular escolhas conscientes, reconhecer desafios e fortalecer caminhos de proteção, confiança e liberdade. 

“Ao ampliar o acesso à informação e valorizar redes de apoio, protocolos e boas práticas, reafirma-se que o turismo deve ser um espaço de acolhimento, respeito e igualdade, no Brasil e no mundo. Afinal, preparação qualifica a experiência e planejamento e conhecimento transformam insegurança em estratégia e liberdade”, conclui o guia. 

Com informações de Alex Rodrigues, Agência Brasil.

Acesse o ‘Guia para mulheres que viajam sozinhas’>>