Vacina contra a dengue tem eficácia de até 5 anos
Estudo publicado na revista Nature Medicine confirma que a Butantan-DV também confere ampla proteção global contra a doença e protege de hospitalizações
6 MAR 2026 - 15H11 • Por Wilson LopesO estudo ‘Long-term efficacy and safety of the single-dose tetravalent Butantan dengue vaccine’ (Eficácia e segurança a longo prazo da vacina tetravalente contra a dengue Butantan em dose única), publicado pela revista científica Nature Medicine, mostrou que a vacina brasileira contra a dengue permanece eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação.
Produzida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV foi aplicada de 2016 a 2019 em 16.235 participantes da pesquisa, com idade entre 2 a 59 anos (cerca de 10 mil receberam a vacina, e quase 6 mil receberam placebo, para compor um grupo de comparação).
A eficácia da vacina contra dengue com sinais de alerta ou dengue grave (desfecho secundário) foi de 80,5%.
Segundo o estudo, “uma dose única de Butantan-DV foi eficaz contra dengue sintomática confirmada virologicamente por DENV-1 ou DENV-2, independentemente do estado sorológico para dengue no início do estudo, sem que fossem observadas preocupações de segurança durante o acompanhamento de 5 anos”.
O imunizante Butantan-DV foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro do ano passado e já começou a ser aplicado em profissionais de saúde de diversas partes do país.
Durante esse período, nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue severa, nem precisou de hospitalização por causa da doença.
A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, explica que esse resultado é positivo não somente por confirmar a eficácia da vacina, mas por demonstrar a eficiência do esquema de dose única. A vacina produzida pelo Instituto é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em apenas uma dose.
"Vacinas que precisam de duas ou mais doses, a gente tem vários dados que mostram que muitas pessoas não voltam para completar o esquema. Então, essa demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante. Mas é claro que nós vamos continuar acompanhando, para saber se realmente não vai ser necessário um reforço após 10 ou 20 anos", afirmou.
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Crianças e idosos
A eficácia do imunizante contra a dengue, de forma geral, foi um pouco menor, de 65%. Mas o índice sobe para 77,1% entre as pessoas que já contraíram a doença antes de receber o imunizante.
Os resultados também apresentaram algumas variações de acordo com a faixa etária, com maior eficácia entre adultos e adolescentes do que entre as crianças.
Por essa razão, a Anvisa registrou a Butantan-DV apenas para pessoas de 12 a 59 anos, apesar de a vacina ter sido testada também em crianças, a partir dos 2 anos.
“Eles reconhecem que os dados de segurança para crianças estão corretos, mas como, após cinco anos, a eficácia entre as crianças cai mais do que entre os adultos, nós precisamos saber se elas vão precisar de reforço”, explicou a diretora médica do Butantan.
Fernanda Boulos acrescentou, no entanto, que o Butantan já está planejando, com a Anvisa, a realização de um estudo adicional em crianças para embasar a inclusão desse público no esquema de vacinação no futuro. Além disso, o Instituto já está fazendo testes em idosos, em um estudo que deve ter resultados no próximo ano.
“O sistema imunológico também passa por um processo de envelhecimento, então é importante entender se os idosos tem a mesma capacidade de gerar resposta imune com a vacina”, explicou.
O acompanhamento dos pacientes vai ser feito por um ano, depois os dados serão comparados com os dos adultos e enviados para a Anvisa para uma possível ampliação do público-alvo.
O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirma que essa inclusão seria muito importante, considerando que a maior taxa de mortalidade por dengue é verificada entre idosos. Ele ressalta, ainda, os resultados importantes sobre a segurança da vacina apresentados no estudo.
“Ele nos mostra que a vacina se mantém protetora por um prazo bastante longo e é extremamente segura. E esse também é um aspecto fundamental. Qualquer medicação, incluindo vacina, a gente precisa ver como eles vão se comportar com a sua utilização”, complementa.
A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, confirma que a prioridade absoluta é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Mas, assim que a demanda nacional for suprida, a instituição pública, vinculada ao estado de São Paulo, deve negociar a venda de doses para outros países, especialmente da América Latina, que também tem sofrido com epidemias da doença.
Com informações de Tâmara Freire, Agência Brasil.
@minsaude @butantanoficial
Acesse o estudo Eficácia e segurança a longo prazo da vacina tetravalente contra a dengue Butantan em dose única>>