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Mapa revela 226 projetos de educação midiática pelo país

Iniciativa reúne ações que compartilham conhecimentos, informações, divulgação científica e experiências que promovem o uso crítico, responsável e criativo das mídias em contextos educativos

10 MAR 2026 - 09H42 • Por Wilson Lopes
Escola de Theobroma, no interior de Rondônia, desenvolve projeto que combate desinformação e boatos sobre temas como sustentabilidade, educação e saúde, por meio de uma 'Rádio na Escola' - Prefeitura Theobroma (RO)

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom PR), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) iniciou, em 2024, o mapeamento das iniciativas de educação midiática espalhadas pelo país.

Juntas, as instituições identificaram 496 ações e, com apoio da Agência Porvir (portal de inovação educacional) e da Embaixada do Reino Unido selecionaram 226 iniciativas que procuram compartilhar conhecimentos, como a disseminação de informações confiáveis e a divulgação científica, até experiências que promovem protagonismo e autoria, como a produção de mídia e checagem de fatos.

A curadoria deu origem ao ‘Mapa Brasileiro da Educação Midiática’, onde estão reunidas iniciativas de todo o país que promovem o desenvolvimento de competências midiáticas e informacionais de universidades, governos, escolas, veículos de mídia e sociedade civil.

As ações são desenvolvidas por meio de cineclubes e mostras de cinema, formações de professores, pesquisas, metodologias pedagógicas, produtos midiáticos, oficinas e materiais midiáticos. 

Entre os temas abordados estão Desinformação, Internet e segurança digital, Política/Democracia, Uso consciente de telas, Direitos humanos, Inteligência artificial, Ambiente/Clima, Cultura, Jornalismo.

No mapa, é possível consultar as iniciativas por dois tópicos: ‘experiências para se inspirar’ e ‘recursos para utilizar’. Também é possível encontrar as ações por cidades, no mapa interativo.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom PR)

Rádio na Escola

Na hora do intervalo ou em trabalhos durante as aulas da escola municipal Josué de Castro, na área rural de Theobroma (8.113 habitantes, Censo/22), interior de Rondônia, a comunicação ganhou novo sentido. Isso porque um estúdio improvisado de rádio, com dois microfones e outros equipamentos, tem feito com que crianças e adolescentes olhem a Amazônia, onde moram, de outra forma. 

O projeto de educação midiática, que existe há pouco mais de dois anos, faz com que, das quatro caixas de som do pátio da escola, os estudantes possam se informar e reconhecer, em 'alto e bom som', temas como sustentabilidade, educação e saúde.

No caso da escola de Theobroma, de acordo com o diretor da unidade, Elias Bastos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental. 

Ele explica que as gravações feitas pelos próprios alunos, sob orientação dos professores, têm conseguido retornos até das famílias dos estudantes, em assuntos como a poluição da nascente do Rio São João.

“Eles já entenderam que é importante conservar a natureza que nos cerca.”  

O projeto tem a finalidade também de combater desinformação e boatos. A escola, de 183 alunos, fica no interior de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, batizado de “Antônio Conselheiro” (liderança popular na guerra de Canudos).

“Pelo rádio, temos falado também de como evitar a proliferação da dengue e os riscos da evasão escolar”, diz o professor, que mora na área urbana, a cerca de 47 quilômetros de distância (ou mais de uma hora de viagem em estrada sem asfaltamento.”

O mapa interativo reúne 226 iniciativas de todas as regiões do Brasil, oferecendo um panorama diverso e inspirador sobre como a educação midiática vem sendo promovida no nosso país

Contra fake News

Até 16 de março de 2026, estão abertas as inscrições para a inclusão de novas experiências e recursos que promovam o uso crítico, responsável e criativo das mídias em diferentes contextos educativos.

As inscrições são feitas por um formulário online e analisadas pela equipe técnica do projeto. A nova edição do mapa está prevista para junho. Para participar dessa consolidação nacional de informações, o projeto deve, por exemplo, promover uma análise crítica da mídia, fazer checagem de fatos e produção de conteúdos em prol da cidadania.

“A segunda chamada é um convite para que mais educadores, pesquisadores e organizações compartilhem suas experiências. Queremos ampliar o mapeamento de ações de educação midiática no país, fortalecendo uma rede cada vez mais diversa, criativa e representativa”, destacou a coordenadora de Educação Midiática da Secom. Thaís Brito.

 O que é educação digital e midiática? 

Segundo o documento ‘Educação Digital e Midiática: Como elaborar e implementar o currículo nas escolas’, publicado pelo Ministério da Educação, a educação digital e midiática é definida como uma área interdisciplinar que inclui as competências e aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relativas ao uso de tecnologias, comunicação, reflexão e análise de informações e mídias, cultura digital, mundo digital e pensamento computacional. 

Ela é fruto de uma evolução das políticas curriculares mais recentes, como a Política Nacional de Educação Digital (PNED) e a Estratégia Brasileira de Educação Midiática (EBEM), que visam criar oportunidades de aprendizagem para os estudantes brasileiros não apenas utilizarem as tecnologias digitais e midiáticas de modo instrumental, mas principalmente de forma crítica, analisando e compreendendo como são produzidos e como influenciam nossos comportamentos. 

A educação digital e midiática foi recentemente instituída como elemento curricular obrigatório a partir das Diretrizes Operacionais Nacionais sobre o uso de dispositivos digitais nos espaços escolares e sobre a integração curricular da educação digital e midiática (Resolução CNE/CEB N. 2 de 21 de março de 2025). O CNE elabora estas diretrizes diante do contexto de amplo debate sobre redes sociais e o uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. Este debate público culminou em ações do Governo Federal, como a Lei 15.100/2025 e seu decreto regulamentador (Decreto nº 12.385, de 18 de fevereiro de 2025), visando um uso pedagógico e qualitativo de dispositivos digitais nas escolas brasileiras. 

Como parte deste entendimento, é fundamental que os currículos da Educação Básica forneçam uma base de conhecimentos, aprendizagens e competências para que os estudantes acompanhem as novas complexidades do mundo globalizado e digital, para poderem se inserir com autonomia crítica no mundo digital e colaborar com práticas éticas, sustentáveis e igualitárias relativas a soluções tecnológicas para problemas sociais brasileiros. 

No entendimento do CNE, a educação digital e midiática deve ser entendida como uma área interdisciplinar, com colaboração entre diferentes disciplinas e áreas de conhecimento, como história das técnicas e das ciências, humanidades digitais, sociologia da ciência, ciência da computação, ciências sociais computacionais, multiletramentos, comunicação, letramento computacional, matemática e educação linguística, entre outras.

Com informações da Secom PR e de Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.
@secomvc @porvir_ @unescobrasil @ukinbrazil @prefeituradetheobroma @govbr

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