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Galardão

Brasília, Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural

A capital do país será homenageada pela União de Cidades Capitais Ibero-Americanas, que reúne 29 grandes cidades onde o português ou espanhol são as línguas predominantes

11 MAR 2026 - 11H52 • Por Wilson Lopes
Reconhecida mundialmente por seu conjunto urbanístico moderno e por sua relevância arquitetônica, Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco desde 1987 - Joel Rodrigues/Agência Brasília

Brasília será homenageada com o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural, em evento do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI).

A UCCI é uma organização internacional fundada em 1982, composta por 29 cidades-membros de 24 países da América Latina, Portugal, Espanha e Andorra:

Andorra La Vella (Principado de Andorra), Assunção (Paraguai), Bogotá (Colômbia), Buenos Aires (Argentina), Brasília (Brasil), Caracas (Venezuela), 
Cidade da Guatemala (Guatemala), Cidade do México (México), Cidade do Panamá (Panamá), Havana (Cuba), La Paz (Bolívia), Lima (Peru), Lisboa (Portugal), Madri (Espanha), Manágua (Nicarágua), Montevidéu (Uruguai), Quito (Equador), Rio de Janeiro (Brasil), São José (Costa Rica), San Juan (Porto Rico), San Salvador (El Salvador), Santiago (Chile), Sucre (Bolívia), Santo Domingo (República Dominicana) e Tegucigalpa (Honduras). 

Outras 4 cidades integram a rede como membros associados. São elas: 

Barcelona (Espanha), São Paulo (Brasil), Porto Príncipe (Haiti) e Cádiz (Espanha).

Fonte: https://ciudadesiberoamericanas.org/

76 milhões de habitantes

A ideia da rede é permitir que as cidades compartilhem experiências e trabalhem em conjunto para enfrentar desafios comuns. Somadas, essas regiões têm 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português. A UCCI atua como plataforma para a cooperação urbana, o intercâmbio de conhecimentos e a disseminação de boas práticas entre seus membros.

Durante a reunião em Brasília (11 a 13/03/26), representantes de capitais e grandes cidades onde o português ou espanhol são as línguas predominantes estarão na capital federal para discutir estratégias conjuntas de proteção do patrimônio material e imaterial, intercâmbio de boas práticas, inovação em políticas públicas culturais e fortalecimento da identidade histórica urbana.

Em 2019, Brasília foi escolhida como a Capital Ibero-americana das Culturas 2022, galardão conferido pela UCCI (Joel Rodrigues/Agência Brasília)

Patrimônio da Humanidade

Reconhecida mundialmente por seu conjunto urbanístico moderno e por sua relevância arquitetônica, Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco desde 1987. A cidade, concebida por Lucio Costa e com obras de Oscar Niemeyer, simboliza a integração entre planejamento urbano, arte e identidade nacional — cenário ideal para sediar debates sobre o futuro da preservação cultural.

Em 2019, Brasília foi escolhida como a Capital Ibero-americana das Culturas 2022, galardão conferido pela UCCI. O título é atribuído anualmente a uma das cidades que compõem a organização. As capitais que o recebem devem promover a diversidade cultural ibero-americana, o diálogo intercultural e o entendimento mútuo entre a cidadania ibero-americana e sua abertura ao mundo. Antes de Brasília, o Rio de Janeiro havia sido a única cidade brasileira a receber o título, no ano 2000.

Cidade única

Segundo a pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, que estuda temas ligados à capital e periferia na Universidade de Brasília (UnB), a capital brasileira proporciona culturalmente valores únicos.

A pesquisadora entende que Brasília tem características únicas e a diversidade cultural como marca fundamental, incluindo as misturas de influências que chegam do país inteiro. A diversidade perpassa gerações, na avaliação dela.

A cidade também simboliza a democracia brasileira em diferentes momentos, como na luta pela liberdade, a Constituição de 1988 e a resistência após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

No entanto, Angelina Nardelli observa que a cidade, quatro anos após ser inaugurada, particularmente durante a ditadura militar (1964/1985), não teve legislação para manutenção do patrimônio.

O cenário começaria a se alterar com o título expedido pela Unesco em 1987, quando a memória foi reconhecida como patrimônio. A pesquisadora compreende que a manutenção do patrimônio em Brasília não é simples. 

A capital aprovou, por exemplo, há dois anos, o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB). Mas a pesquisadora entende que são necessários mais recursos e políticas públicas de proteção para que tanto o tombamento quanto a manutenção estejam em ordem.

Com informações de Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil; Chico Neto, Agência Brasília.
@ucci_iberoamerica @gov_df

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