Rede de proteção global conta com 1.248 patrimônios, 785 reservas da biosfera e 160 geoparques
Relatório aponta os 2.260 patrimônios da Unesco como uma rede global estratégica para a preservação das comunidades locais, biodiversidade, cultura e enfrentamento dos desafios ambientais e sociais em todo o mundo
26 ABR 2026 - 08H44 • Por Wilson LopesO relatório People and Nature in Unesco-Designated Sites - Global and local contributions (Comunidades e natureza nos sítios da Unesco: contribuições locais e globais), publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado em Paris, destaca a grande contribuição dos sítios protegidos para as pessoas e o meio ambiente.
O documento examina, pela primeira vez, todas as categorias da Unesco que envolvem os 1.248 Sítios do Patrimônio Mundial, as 785 Reservas da Biosfera e os 160 Geoparques Mundiais, formando uma rede global com mais de 2.260 sítios (alguns locais se sobrepõem nas três redes).
Juntos, abrangem mais de 13 milhões de km², com paisagens vivas que sustentam os meios de subsistência de cerca de 900 milhões de pessoas — aproximadamente 10% da população global, incluindo povos indígenas e comunidades locais — ao mesmo tempo que abrigam uma parcela significativa da biodiversidade global e contribuem para a regulação climática.
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Conforme a Unesco, esses locais são geridos de forma a salvaguardar a sua beleza natural, os seus valores culturais e científicos, ao mesmo tempo que apoiam o desenvolvimento sustentável e beneficiam as comunidades locais.
“Os sítios designados pela UNESCO são locais reconhecidos pelo seu valor excepcional para a humanidade. Abrangem uma gama diversificada de paisagens e abordagens, incluindo locais do Patrimônio Mundial que salvaguardam lugares de valor universal, Reservas da Biosfera que promovem relações equilibradas entre a conservação e o desenvolvimento sustentável, e Geoparques Globais que integram a proteção do patrimônio geológico com a educação e o desenvolvimento local.”
O relatório ressalta que os sítios protegidos abrigam mais de 60% das espécies animais mapeadas do mundo, e suas florestas absorvem cerca de 15% de todo o carbono absorvido pelas florestas globais.
No entanto, adverte a Unesco, quase 90% enfrentam riscos crescentes decorrentes das mudanças climáticas, da pressão sobre o uso da terra e de outros impactos humanos.
Modelo resiliente
Esta primeira avaliação global demonstra que os sítios designados pela UNESCO estão gerando resultados tangíveis tanto para as pessoas quanto para a natureza, mesmo diante de pressões crescentes.
“Eles representam um modelo resiliente no qual o bem-estar humano e a proteção ambiental avançam juntos e oferecem respostas práticas e contextualizadas aos desafios interligados das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade.”
Segundo a instituição, nessas paisagens, protegidas ao longo de gerações pela gestão local, as populações de animais selvagens monitoradas permaneceram estáveis em média, em forte contraste com o declínio global de 73% nas espécies monitoradas desde 1970.
“Ao não agirmos agora, as pressões se intensificarão e os sistemas naturais em mais de um quarto dos locais poderão atingir pontos de inflexão críticos até 2050, potencialmente comprometendo tanto os ecossistemas quanto as comunidades que dependem deles.”
Impactos positivos
Na avaliação do diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, os sítios protegidos pela instituição produzem impactos positivos para as pessoas e para a natureza.
“Nesses territórios, as comunidades prosperam, o patrimônio da humanidade perdura e a biodiversidade é preservada, enquanto se degrada em outros locais. O relatório mensura o valor global e as contribuições desses sítios e revela o que podemos perder se eles não forem priorizados.”
Segundo El-Enany, o documento é um chamado urgente para ampliar o grau de ambição e reconhecer os sítios da Unesco como ativos estratégicos para enfrentar a mudança do clima e a perda de biodiversidade, “além de investir imediatamente na proteção de ecossistemas, culturas e modos de vida para as gerações futuras”, declarou.
O relatório mostra que os sítios da Unesco abrigam mais de 60% das espécies mapeadas em todo o globo, das quais cerca de 40% não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Esses locais armazenam cerca de 240 gigatoneladas de carbono, ou o equivalente a quase duas décadas das emissões globais atuais, caso esse carbono fosse liberado, diz o documento.
Cada gigatonelada de carbono corresponde a um bilhão de toneladas. Anualmente, apenas as florestas dos sítios da Unesco respondem por cerca de 15% do carbono absorvido por florestas em todo o mundo.
Conexão entre natureza e comunidades
O relatório salienta a profunda conexão existente entre natureza e comunidades em todos os sítios da Unesco.
“Mais de mil línguas estão documentadas nos sítios da Unesco, e ao menos 25% deles abrangem terras e territórios de povos indígenas.”
Esse percentual aumenta para quase 50% na África, no Caribe e na América Latina. De acordo com o relatório, a análise da produção econômica com os sítios e suas áreas adjacentes mostra que cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) global são produzidos nessas áreas.
O levantamento deixa claro também que os riscos futuros podem ser reduzidos de maneira significativa por meio de ações que sejam implementadas hoje: cada 1 grau Celsius (°C) de aquecimento evitado pode reduzir pela metade o número de sítios da Unesco expostos a grandes disrupções até o fim do século.
Essas áreas também têm um potencial ainda pouco explorado nas políticas climáticas, sinaliza o documento. Apesar de 80% dos planos nacionais relativos à biodiversidade incluírem sítios da Unesco, apenas 5% dos planos nacionais sobre clima fazem a mesma coisa.
A recomendação da Unesco é que as ações sejam intensificadas, com base em quatro pilares prioritários: restaurar os ecossistemas para reconstruir a resiliência; promover o desenvolvimento sustentável por meio do fortalecimento da cooperação transfronteiriça; integrar de forma mais ampla os sítios da Unesco aos planos climáticos globais; além de adotar uma governança mais inclusiva com os povos indígenas e as comunidades locais.
Realizado em parceria com mais de 20 instituições de pesquisa de referência em todo o mundo, o relatório destaca a necessidade de aumentar essa ambição de prosperidade conjunta entre pessoas e meio ambiente, reconhecendo os sítios da Unesco não apenas como áreas de conservação, mas como ativos estratégicos para enfrentar os desafios ambientais e sociais em todo o mundo.
“Investir na sua proteção hoje significa salvaguardar, para as gerações futuras, ecossistemas insubstituíveis, culturas vivas e os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas”, conclui o documento.
Patrimônio Mundial brasileiro
O Brasil conta com 25 nomes na lista de sítios do Patrimônio Mundial da Unesco, 7 Reservas da Biosfera e 6 Geoparques Mundiais.
Entre eles estão o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, incluído na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Delhi, na Índia, em julho de 2024.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Parque Nacional dos Lençóis abriga quatro espécies ameaçadas de extinção: o guará (Eudocimus ruber), a lontra-neotropical (Lontra longicaudis), o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus). Estima-se que a região tenha cerca de 133 espécies de plantas, 112 espécies de aves e pelo menos 42 espécies de répteis.
Outro sítio protegido pela Unesco é o Parque Nacional de Iguaçu, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1984. A área é rica em biodiversidade, incluindo mais de 2000 espécies de plantas, 400 espécies de aves e possivelmente até 80 mamíferos, bem como inúmeras espécies de invertebrados, diz a Organização.
Lista do Patrimônio Mundial / Brasil
Cultural
• Cidade histórica de Ouro Preto
• Centro histórico da cidade de Olinda
• Missões Jesuíticas dos Guaranis: San Ignacio Mini, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e Santa Maria Mayor (Argentina), Ruínas de São Miguel das Missões (Brasil) - Transfronteiriço
• Centro Histórico de Salvador da Bahia
• Santuário do Bom Jesus de Congonhas
• Brasília
• Parque Nacional Serra da Capivara
• Centro histórico de São Luís
• Centro histórico da cidade de Diamantina
• Centro histórico da cidade de Goiás
• Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão
• Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar
• Conjunto Moderno Pampulha
• Sítio Arqueológico do Cais de Valongo
• Sítio Roberto Burle Marx
Natural
• Parque Nacional do Iguaçu
• Reservas da Mata Atlântica do Sudeste
• Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta
• Complexo de Conservação da Amazônia Central 5
• Área de Conservação do Pantanal
• Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas
• Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas
• Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
• Cânion do Rio Peruaçu
Misto
• Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade
Com informações de Alana Gandra, Agência Brasil.
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Acesse o relatório em inglês: ‘People and nature in UNESCO-designated sites: global and local contributions’>>
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