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Inclusão financeira alcança 96,4% da população adulta brasileira

Relatório de Cidadania Financeira 2025, publicado pelo Banco Central, revela que os brasileiros aumentaram o acesso ao crédito, mas estão utilizando modalidades com juros altos, como o rotativo do cartão de crédito

27 ABR 2026 - 15H07 • Por Wilson Lopes
O relatório busca orientar a criação de estratégias mais eficazes para promover o acesso, o uso e a qualidade desses serviços, com o objetivo de alcançar o bem-estar financeiro da população - Fotógrafos PMJ/Prefeitura Jundiaí (SP)
O Relatório de Cidadania Financeira (RCF) reúne análises, estudos e pesquisas fundamentais para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas para a inclusão e para a educação financeira

O número de adultos com relacionamento com instituições financeiras atingiu 96,4% da população ao final de 2024, o que representa aproximadamente 175.219.688 brasileiros acessando serviços como crédito, poupança, pagamentos, seguros, previdência e investimentos.

Os dados constam no ‘Relatório de Cidadania Financeira 2025’, que mapeia a cidadania financeira no Brasil com foco na baixa renda e traz um recorte de uso do crédito por gênero e raça no Brasil.

Izabela Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central (BC), explicou que o relatório se estrutura em quatro pilares fundamentais da cidadania financeira: inclusão, proteção, educação e participação, trazendo nesta edição um debate global sobre o bem-estar financeiro, pauta alinhada a organismos como o G20 e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).  

"O relatório de cidadania financeira aborda a relação dos cidadãos e consumidores financeiros com o Sistema Financeiro Nacional. Além dos debates sobre inclusão, educação e proteção, trazemos nesta edição informações inéditas sobre gênero e raça, e um debate global bastante interessante sobre o bem-estar financeiro", destacou a diretora. 

O desafio agora, completou Izabela, é a ‘última milha’: os 4% dos brasileiros que ainda não mantêm relacionamentos com instituições financeiras e os usuários inativos, majoritariamente homens, idosos e residentes do Norte e Nordeste.

Fonte: Relatório de Cidadania Financeira (RCF) 2025

Segundo Luis Gustavo Mansur Siqueira, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira, um dos marcos mostrados no relatório é o fato de o Brasil ter atingido 96% da população adulta com conta bancária, nível comparável ao de países desenvolvidos. 

“Esse avanço é fruto de políticas públicas de longo prazo e da inovação tecnológica, com destaque para o Pix, que universalizou o uso efetivo das contas e trouxe para o sistema quem antes estava excluído.”

Ao destacar que o Brasil figura entre os países mais ‘bancarizados’ do mundo, Luis Mansur comentou que não existe um segredo único para chegar a esse resultado, mas uma combinação de políticas acertadas e inovação. 

“O Pix foi o divisor de águas no uso do sistema bancário. Vamos focar em educação e proteção para garantir o bem-estar da população", afirmou.

Izabela Correa também disse que o RCF 2025 acende um alerta sobre a qualidade do crédito. Embora o acesso tenha crescido, com 117 milhões de pessoas com operações ativas, cerca de 53 milhões utilizam modalidades de juros altos, como o rotativo do cartão e o parcelado com juros. 

Fonte: Relatório de Cidadania Financeira (RCF) 2025

Recorte de raça e gênero

Pela primeira vez, o RCF mapeou o uso do crédito por gênero e raça. O documento mostra que os homens utilizam mais o financiamento de veículos e o cheque especial. Já a mulher utiliza mais o rotativo e o parcelamento com juros do cartão de crédito, que possuem as maiores taxas de juros do mercado.

“Os achados do RCF levantam novas perguntas para explorarmos e avançarmos no tema. A análise por gênero e raça mostra diferenças na composição das operações de crédito [dos diferentes recortes], o que reflete nas taxas de juros observadas e suscita atenção sob as perspectivas da oferta e da demanda”, aponta a Diretora Izabela.

Na população de baixa renda, segundo o levantamento, mulheres pagam mais boletos que homens, mas os boletos pagos pelos homens são de valor maior. 

“Uma hipótese aqui é que os homens pagam o boleto dos financiamentos de veículos, por exemplo, o que os coloca em vantagem em termos da qualidade dos gastos com os quais se comprometem. As mulheres, majoritariamente responsáveis pela gestão rotineira da casa, ficam envolvidas com dívidas de consumo que não resultam em construção de patrimônio para elas”, disse Mansur.  

O relatório mostra ainda que as mulheres negras usam o rotativo do cartão ainda mais que as mulheres brancas. Como um efeito combinado de perfil de uso do crédito, as mulheres negras são o grupo da população que paga as mais altas taxas de juros. 

Luis Mansur afirmou que, em compensação, a mulher negra foi quem mais utilizou as linhas de microcrédito produtivo, que possuem taxas mais baixas, parecidas com as do crédito consignado. 

“Porém, para as mulheres negras, a participação do rotativo e parcelado ainda é muito maior, 23% do total do crédito contratado, do que a participação de 4% do microcrédito.”

A dupla acrescentou que o relatório também aborda temas como o endividamento excessivo e o crescimento de golpes, reforçando a necessidade de proteção, supervisão e educação financeira contínua, destacando o papel da educação financeira provida pelas próprias instituições financeiras aos seus clientes.

Fonte: Relatório de Cidadania Financeira (RCF) 2025

Com informações do Banco Central do Brasil.
@bancocentraldobrasil

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