Tarifa Zero no transporte público das 27 capitais injetaria R$ 60,3 bilhões anuais na economia
Gratuidade poderia gerar movimentação econômica maior do que a promovida pelo Programa Bolsa Família
5 MAI 2026 - 11H45 • Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.A implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras representaria uma injeção de R$ 60,3 bilhões anuais na economia do país e poderia ter um efeito semelhante ao do Programa Bolsa Família (PBF).
Essa é a principal conclusão da pesquisa 'A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda', coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Ele defende que essa seria uma ação que poderia ajudar a combater desigualdades raciais.
O estudo foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional e conta com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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Liquidez imediata
Essa gratuidade estaria relacionada ao transporte metropolitano de ônibus e trilhos. Os pesquisadores utilizaram dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (Pemob 2024) e de indicadores das operadoras de ônibus e sistemas metroferroviários.
O estudo descontou 24,38% das isenções e gratuidades que já existem hoje como idosos, estudantes e pessoas com deficiências. Isso representa cerca de R$ 14,7 bilhões, que já circulam na economia. Por isso, segundo os pesquisadores, a injeção real seria de R$ 45,6 bilhões.
"Estamos falando de uma injeção de liquidez imediata no bolso das famílias brasileiras. Ao converter o gasto compulsório com passagens em renda disponível, o Estado promove um estímulo econômico que volta para a sociedade na forma de consumo e arrecadação de impostos sobre produtos", explica o professor Thiago Trindade.
Salário indireto
Os pesquisadores defendem que, no atual cenário, a tarifa zero pode ter um papel tão relevante para o Brasil quanto o Programa Bolsa Família teve há duas décadas, já que poderia representar um 'salário indireto'.
Isso porque a gratuidade beneficiaria mais as camadas vulneráveis, a população negra e os moradores de periferias.
Segundo o estudo, a gratuidade poderia ser tratada como um direito social, nos moldes do SUS ou da Educação Pública.
"A implementação da tarifa zero em escala nacional reforçaria o protagonismo do Brasil na vanguarda das experiências globais de redução de desigualdades e aprofundamento democrático."
Financiamento
As possibilidades para o financiamento de uma política nacional de transporte gratuito poderiam incluir, segundo argumentaram professores da UnB, a substituição do sistema de vale-transporte por um outro tipo de financiamento, inicialmente de empresas privadas e públicas que tenham a partir de dez funcionários.
A estimativa do grupo de pesquisa é de que 81,5% dos estabelecimentos estariam isentos da contribuição.
"A gente tem como fazer um programa de tarifa zero sem onerar o orçamento da União", diz Trindade.
Gasto médio de R$ 3.120,00 por ano
O estudo 'Caminhos para a tarifa zero: estimativas de custos, formas de financiamento e implementação no Brasil' constatou que a implementação da gratuidade do transporte em todas as 706 cidades com mais de 50 mil habitantes no país chegaria a cerca de R$ 78 bilhões por ano, atendendo a 124 milhões de pessoas que vivem nessas cidades.
Segundo pesquisa divulgada em outubro de 2025 pelo Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF), grupo vinculado à Universidade de Brasília (UnB), o gasto médio das famílias com o transporte coletivo no Distrito Federal (DF) gira em torno de R$ 260,00 por mês, o que totaliza R$ 3.120,00 por ano isso considerando apenas os cinco dias úteis da semana.
Vale ressaltar que o transporte é um direito social, assim reconhecido desde 2015 no Artigo 6º da Constituição Federal.
Com informações da Agência Brasil.
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Acesse a pesquisa 'A tarifa zero no transporte público como política de distribuição de renda'>>
Acesse a 'Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana - Pemob 2024'>>
Acesse o estudo 'Caminhos para a tarifa zero: estimativas de custos, formas de financiamento e implementação no Brasil'>>
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