Petrobras retoma produção de fertilizantes para alcançar 35% do que o país precisa
Atualmente, o Brasil importa até 90% dos fertilizantes que consome, tornando essa uma das maiores vulnerabilidades do agronegócio nacional
15 MAI 2026 - 10H04 • Por Wilson LopesA Petrobras anunciou a retomada da produção de fertilizantes na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari. A fábrica, que voltou a operar em janeiro de 2026, após ficar cerca de seis anos hibernada, é capaz de produzir 1.300 toneladas diárias (t/d) de ureia, 1.300 t/d de amônia, além de 178 t/d de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32).
Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade já opera com 90% de sua capacidade total e atende 5% da demanda nacional. Para a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a Fafen-BA reforça a importância da produção nacional de fertilizantes para o fortalecimento do agronegócio, a segurança alimentar e a redução da dependência brasileira do mercado externo.
Além da Fafen-BA, a Petrobras investe em outras áreas na Bahia. O Plano Estratégico da companhia prevê investimentos de US$ 3,5 bilhões em exploração e produção no estado, que vão mais que dobrar a produção estadual, chegando a 30 mil ‘boed’ e gerando mais de 6.500 empregos diretos. Estão previstos, ainda, R$ 115 milhões para a Usina de Biodiesel de Candeias, dentre outros projetos em diferentes áreas.
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PRODUÇÃO NACIONAL DE FERTILIZANTES
- O agronegócio é responsável por aproximadamente metade das exportações brasileiras e dentre os dez produtos mais exportados pelo país, oito são do agronegócio.
- Atualmente, o Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, sendo o quarto país do mundo, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos.
- Mais de 80% dos fertilizantes consumidos no Brasil são de origem estrangeira, a despeito da existência de grandes reservas de matérias-primas necessárias à produção de fertilizantes em seu território.
Alimentos em grande escala
A retomada da Fafen se soma a outras iniciativas, incluindo a reabertura da Fafen no município de Laranjeiras, em Sergipe, e da fábrica da companhia Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.
Uma quarta fábrica da companhia, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, está em processo de construção, com operação prevista para iniciar em 2029.
“Com as fábricas de Mato Grosso do Sul, Paraná, Sergipe e da Bahia, nós vamos produzir 35% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa”, destacou Magda Chambriard.
Os fertilizantes nitrogenados, como ureia, são bastante usados por produtores agrícolas. Para a produção dos fertilizantes, é preciso matéria-prima resultante do gás natural, produzido pela Petrobras.
O uso de fertilizantes permite ao país produzir alimentos em grande escala e sustentar a posição de um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.
Atualmente, o Brasil depende de importações para cerca de 85% a 90% dos fertilizantes que consome, tornando essa uma das maiores vulnerabilidades do agronegócio nacional. Essa dependência é estrutural, já que o país é o quarto maior consumidor global, responsável por cerca de 8% de todo o fertilizante utilizado no mundo.
Iniciativas socioambientais e culturais
A Petrobras também anunciou uma seleção pública socioambiental com foco na coleta e comercialização de Óleos e Gorduras Residuais (OGRs), além da celebração de contratos dos projetos culturais ‘Bando de Teatro Olodum – 35 anos de Arte Negra’ e ‘Plano Anual de Atividades da Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê’.
A seleção pública será destinada ao fortalecimento de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis, com foco na estruturação dessas organizações e na capacitação para coleta e comercialização de OGRs, como óleo de cozinha usado. A iniciativa está alinhada aos investimentos da Petrobras em transição energética e produção de combustíveis renováveis a partir de matérias-primas de origem vegetal e animal. Serão atendidos municípios da área de abrangência da Usina de Biodiesel de Candeias, da Petrobras Biocombustíveis, com investimento estimado em R$ 5 milhões ao longo de três anos.
O ‘Bando de Teatro Olodum – 35 anos de Arte Negra’ é um dos 140 selecionados em edital público lançado pela Petrobras em 2024. Nele, serão investidos R$ 2,5 milhões para execução em dois anos, além de dezenas de contrapartidas sociais e ambientais. O grupo promove a valorização da arte negra, inclusão social, formação de artistas e fortalecimento da cultura afro-brasileira por meio de produções teatrais.
Também foi celebrado o ‘Plano Anual de Atividades da Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê’, com investimento de R$ 4,5 milhões para realização de ações culturais como Ensaios de Verão, Noite da Beleza Negra, Desfile do Carnaval e Festival de Música Negra. As atividades terão transmissão em redes sociais e previsão de exibição em TV. Reconhecido como o primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê é referência na valorização da cultura afro-brasileira, na educação e na luta antirracista, tendo revolucionado o Carnaval ao incorporar temas ligados à matriz africana e à identidade negra.
Na Bahia, a Petrobras mantém 20 projetos socioambientais, que somam mais de R$ 105 milhões em investimentos até 2030. Com foco em educação, qualificação profissional, desenvolvimento econômico sustentável e conservação marinha, as iniciativas apoiadas pela companhia abrangem cerca de 35 municípios.
Com informações da Agência Petrobras; Pedro Rafael Vilela, Agência Brasil.
@petrobras @prefeituraboavista
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