28.567.558 pessoas visitaram 175 unidades de conservação em 2025
Visitação em unidades de conservação injeta R$ 20 bilhões no PIB e gera mais de 332 mil empregos na atividade turística
24 MAI 2026 - 10H38 • Por Wilson LopesAs Unidades de Conservação (UC) brasileiras bateram recorde de visitação em 2025, com 28.567.558 visitas registradas, consolidando as áreas protegidas como destinos estratégicos para o turismo e o desenvolvimento do país.
O número reforça uma tendência de crescimento observada desde o início do monitoramento, em 2000, interrompida apenas durante o período mais crítico da pandemia da Covid-19, entre 2020 e 2021. O cenário evidencia a força da biodiversidade brasileira como atrativo turístico e o crescente interesse da população por experiências em contato com a natureza.
De acordo com o levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as unidades mais visitadas contemplam atrativos naturais diversos, como rios, cachoeiras, montanhas, praias e paisagens exuberantes.
Visitação nas Unidades de Conservação federais, segundo o painel de gestão da Coordenação de Estruturação e Qualificação da Visitação
- 2025: 28.567.558
- 2024: 25.561.378
- 2023: 23.718.832
- 2022: 21.654.900
- 2021: 16.734.189
- 2020: 9.387.569
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Lideram a lista a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (SC), o Parque Nacional da Tijuca (RJ), o Parque Nacional do Iguaçu (PR), o Parque Nacional de Jericoacoara (CE) e o Monumento Natural do Rio São Francisco (AL/SE/BA).
O Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado, abriga um dos principais cartões-postais do país, o Cristo Redentor. Seja para o turista nacional ou o internacional, o parque se destaca por oferecer a experiência de selva incrustada em uma grande metrópole, uma característica raramente encontrada em outros parques no mundo. Além disso, é forte a presença do público local, que busca cachoeiras, trilhas e cartões postais como a Pedra da Gávea (maior monólito à beira-mar do mundo), a Pedra Bonita, a Vista Chinesa e o Pico da Tijuca. A unidade funciona como ponto de partida para trilhas de longo curso, como a Transcarioca, a primeira do Brasil e inspiração para a criação da Rede Brasileira de Trilhas, além da recém-inaugurada Volta ao Rio, com 3,5 mil quilômetros de extensão.
Já o Parque Nacional do Iguaçu é mundialmente conhecido por abrigar as Cataratas do Iguaçu, reconhecidas como uma das Sete Maravilhas Naturais do planeta. O destino mantém uma oferta turística em constante evolução, com atividades como cicloturismo, astroturismo e passeios de barco. Experiências diferenciadas, como a contemplação do pôr do sol e da lua cheia nas Cataratas, têm ampliado o interesse dos visitantes. Entre as novidades está o Circuito da Usina São João, que combina imersão na Mata Atlântica, banho de cachoeira no Rio Iguaçu e visita à histórica usina de 1939, além de espaço para contemplação e serviços.
O levantamento mostra que o interesse não se restringe a algumas áreas, levando visitantes a todas as regiões do Brasil. Foram 175 unidades de conservação monitoradas, em todos os biomas. A Mata Atlântica lidera a visitação, com 20,1 milhões de visitas registradas em 2025. Em seguida aparecem a Caatinga, com 3,6 milhões, o Cerrado, com 1,6 milhão, o Pampa, com 11,8 mil, e o Pantanal, com 363 visitas. Já as unidades localizadas no sistema costeiro concentraram 2,6 milhões de visitas ao longo do ano.
Riqueza natural
A busca por mais qualidade de vida, saúde e bem-estar tem levado cada vez mais pessoas às unidades de conservação. Entre as atividades mais comuns estão caminhadas, trilhas, ciclismo, montanhismo, banho de mar e de cachoeira, contemplação de mirantes e grutas, além da observação de aves e da vida silvestre.
As unidades também apresentam potencial para ampliar experiências voltadas à educação e interpretação ambiental, acompanhamento de pesquisas científicas e vivências em comunidades locais e tradicionais.
Na Amazônia, por exemplo, o Parque Nacional do Viruá (RR) abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e apresenta paisagens semelhantes às do Pantanal.
Já no Cerrado, o Parque Nacional da Emas (GO) reúne diferentes formações do bioma, como campos limpos, campos sujos, veredas e matas ciliares. O parque se destaca pela observação de espécies típicas do bioma, como o tamanduá-bandeira, o cachorro-do-mato, a ema — ave que dá nome ao parque— e o veado-campeiro. A unidade também protege rios importantes para grandes bacias hidrográficas brasileiras, como os rios Taquari, Araguaia, Formoso e Jacuba.
Na Caatinga, o Parque Nacional do Catimbau (PE) reúne o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, com cânions e registros de pinturas rupestres. No Pampa, destaca-se a Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã (RS), enquanto, no Pantanal, o principal destaque é o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (MT).
No Nordeste, o Parque Nacional de Jericoacoara consolida-se como um dos destinos mais procurados do país, impulsionado por atrativos naturais como a Pedra Furada, a Árvore da Preguiça, o Serrote e os manguezais do Rio Guriú, onde é possível observar o cavalo-marinho (Hippocampus reidi). A região também é referência para esportes náuticos, como o kitesurf, e teve sua acessibilidade ampliada com a implantação do aeroporto regional.
Além dos parques nacionais, outras categorias de unidades de conservação também têm atraído visitantes e movimentado economias locais, como Reservas Extrativistas (Resex), Reservas Biológicas (Rebio), Florestas Nacionais (Flona) e Monumentos Naturais (Mona).
R$ 21,6 bilhões em vendas
O estudo ‘Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira’ mostra que as UC geraram R$ 40,7 bilhões em vendas, R$ 20,3 bilhões de contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias.
O levantamento também evidencia a eficiência do investimento público no setor. Para cada R$ 1 investido no Instituto Chico Mendes, são gerados R$ 16 em valor agregado ao PIB e R$ 2,30 em arrecadação tributária. Além disso, o turismo nas UC federais sustenta mais de 332,5 mil postos de trabalho em todo o país.
Outro destaque é o impacto fiscal: a atividade gerou quase R$ 3 bilhões em arrecadação tributária, valor que supera o dobro do orçamento total do órgão gestor, considerando apenas os impostos sobre consumo e remuneração.
Entre as categorias de manejo, os parques nacionais são os principais motores econômicos, gerando R$ 21,6 bilhões em vendas e 219,6 mil empregos. Já as reservas extrativistas se destacam pelo turismo de base comunitária, apresentando a maior arrecadação tributária por visita, de R$ 116,60, causando impacto direto nas arrecadações municipais.
Serviços de hospedagem, alimentação, transporte, pacotes turísticos, produtos da sociobiodiversidade e comércio varejista estão entre os setores beneficiados pela atividade turística. O resultado é a geração de emprego e renda tanto para as comunidades do entorno quanto para toda a cadeia do turismo, com reflexos na economia nacional.
O crescimento da visitação também traz desafios para a gestão dessas áreas, como a necessidade de equilibrar o uso público com a conservação, ampliar investimentos em infraestrutura e ordenamento, fortalecer ações de educação ambiental e aprimorar o monitoramento de impactos ambientais.
O estudo utiliza o Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), uma adaptação do modelo americano MGM2 para a realidade de países em desenvolvimento. O modelo é reconhecido internacionalmente pela Unesco e pelo Banco Mundial como referência científica.
Com informações do ICMBio.
@icmbio
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