Partos crescem em Portugal com 'reforço' de mães brasileiras
Mães brasileiras respondem por 10,5% dos partos e as mães de nacionalidade estrangeira já respondem por 28,8% dos nascimentos no país
11 JUN 2026 - 09H56 • Por Wilson LopesO Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal revelou que a quantidade de partos cresceu 3,7% no país em 2025, alcançando 87.130 partos, após recuo no ano anterior (84.059). Os dados constam da publicação ‘Estatísticas dos partos’ e indicam que o aumento registado em 2025 contraria a queda observada entre 2023 e 2024 e retoma a tendência de crescimento verificada desde 2022.
Segundo a RTP (concessionária pública de rádio e televisão do Estado português), os dados realçam o aumento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025.
“O conjunto de nacionalidades estrangeiras mais representadas manteve-se em relação ao ano anterior, reforçando o peso no total de partos, com destaque para o Brasil (10,5% do total de partos em 2025)”, salienta a RTP.
Do total de partos ocorridos em 2025, 99,7% (86.869) foram de mães residentes no país e 0,3% (261) de mães residentes no estrangeiro, proporções semelhantes às dos últimos dois anos.
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Mães com mais de 35 anos
O maior número de partos de mulheres residentes no país ocorreu na região Norte (29,8%) e na Grande Lisboa (25,6%), seguindo-se a região Centro (13,7%), a Península de Setúbal (9,7%) e a região Oeste e Vale do Tejo (7,7%). A exceção é a Região Autônoma da Madeira, onde se registou uma diminuição de 3,3%.
Os dados revelam ainda que, nos últimos 20 anos, a idade das parturientes tem aumentado: entre 2003 e 2025, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32,0%.
Em 2025, a proporção de partos gemelares (com dois ou mais nascimentos) aumentava com a idade das mães: 40,4% dos partos gemelares ocorridos em 2025 respeitavam a mães com 35 ou mais anos, enquanto a proporção de partos simples nas mesmas idades foi de 31,9%.
Para 92,5% dos partos simples, as parturientes tiveram uma gravidez com duração superior a 37 semanas, enquanto nos partos gemelares, aquela proporção diminui para 37,9%. Neste tipo de parto, a gravidez durou entre 32 e 36 semanas em 52,6% dos casos.
De acordo com os dados, a proporção de partos distócicos (com intervenções instrumentais como fórceps e ventosa, ou por cesariana) realizados em hospitais tem aumentado, representando desde 2009 mais de metade dos partos.
“Em particular, o número de cesarianas aumentou, entre 1999 e 2024, de 27,1% para 38,6% dos partos realizados em hospitais”, destaca o INE.
No ano passado, 98,5% dos partos ocorreram num estabelecimento hospitalar e 1% no domicílio da parturiente, correspondendo os restantes 0,5% a partos ocorridos noutros locais.
A quase totalidade dos partos (99%) foi assistida por médico (72,3%) ou enfermeira parteira (26,7%).
Taxa de natalidade
Os dados mais recentes do INE indicam que, em 2024, a taxa bruta de natalidade foi de aproximadamente 7,9‰ em Portugal (7,9 nascidos-vivos por 1.000 habitantes). No Brasil, a taxa é de 12,1‰. Na Espanha, 6,5% e, no Reino Unido, 9,9%.
Outro indicador importante é o Índice Sintético de Fecundidade (ISF), que mede o número médio de filhos por mulher. Em Portugal, ele situa-se em torno de 1,4 filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição populacional (2,1 filhos por mulher).
Segundo as estimativas mais recentes do INE, a população residente atingiu aproximadamente 10,75 milhões de pessoas em 2025, impulsionada principalmente pelos fluxos migratórios (mais de 1,5 milhão de estrangeiros residentes).
A idade média da população é de 47 anos (35 anos no Brasil).
Com informações da RTP.
@rtppt