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Acesso à Internet

Pode não ter comida, mas tem internet

90,5% dos brasileiros com mais de 10 anos utilizaram a internet em 2025, um crescimento de 24,5 pontos percentuais em nove anos, e a exclusão digital deixou de ser a principal face da desigualdade no país

9 JUL 2026 - 11H48 • Por Wilson Lopes
A exclusão digital deixou de ser a principal face da desigualdade brasileira, pois a insegurança alimentar permanece como um dos maiores desafios, mesmo em um país amplamente conectado - Freepik

O Brasil continua avançando na inclusão digital, com crescimento do acesso à internet, da utilização de serviços de streaming e da conectividade móvel. Ao mesmo tempo, a pesquisa ‘PNAD Contínua – Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2025’, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidencia desigualdades persistentes entre áreas urbanas e rurais e entre as regiões do país.

O levantamento mostra que 90,5% das pessoas com 10 anos ou mais utilizaram a internet nos três meses anteriores à pesquisa, o que representa 168,7 milhões de brasileiros. Em 2016, eram apenas 66%, mostrando um crescimento de 24,5 pontos percentuais em nove anos.

Segundo o IBGE, pela primeira vez o Brasil ultrapassa a marca de 90% da população conectada, o que representa 76 milhões de residências conectadas.
Houve aumento de 2,7 milhões de domicílios em apenas um ano. E, embora a desigualdade entre o urbano e o rural tenha diminuído, ela ainda existe (área urbana: 95,8%; área rural: 88% — a diferença já foi de 41,5 pontos percentuais em 2016 e caiu para 7,8 pontos em 2025). 

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Na palma da mão

O aparelho celular (smartphone) domina completamente como meio de acesso à internet, com 98,7%. A televisão conectada é a segunda plataforma preferida, com 57,8%, seguida pelo computador (33,4%) e tablet (9,2%).

Os serviços de streaming continuam em expansão e 44,4% dos domicílios possuem assinatura (33,4 milhões de residências), números que representam crescimento de 1,5 milhão de domicílios em relação a 2024.

Já a TV por assinatura continua perdendo espaço. Em 2025, apenas 23,5% dos domicílios tinham TV por assinatura, uma queda de 220 mil residências em um ano. Entre os motivos para não contratar estão a falta de interesse (62,2%), o preço elevado (26,1%) e a substituição pelo streaming (10%).

Além da queda da TV por assinatura, ainda cresce o número de casas sem acesso à TV. Em 2022, eram 2,7 milhões. Em 2025, são 5,6 milhões (hoje representam 7,5% dos domicílios brasileiros).

Enquanto o celular se universaliza, o telefone fixo continua em forte retração. Em 2016, ele estava presente em 32,6% das casas. Já em 2025, o telefone fixo estava presente em apenas 5,9% dos domicílios.

A pesquisa também aponta uma rápida expansão do uso da internet entre idosos e um crescimento dos domicílios conectados com dispositivos inteligentes, indicando que a transformação digital avança para diferentes perfis da população brasileira.

Em síntese, o Brasil chegou a um cenário paradoxal: enquanto 95% dos domicílios já têm acesso à internet — um total de 76 milhões de residências conectadas — cerca de 19 milhões de lares ainda convivem com algum grau de insegurança alimentar (PNAD Contínua - Segurança Alimentar 2024). Os dados mostram que a inclusão digital avançou mais rapidamente do que a garantia do direito à alimentação. Hoje, milhões de famílias conseguem acessar a internet, mas ainda enfrentam dificuldades para colocar comida na mesa.

Essa correlação é especialmente relevante porque evidencia uma transformação social: a exclusão digital deixou de ser a principal face da desigualdade brasileira; a insegurança alimentar permanece como um dos maiores desafios, mesmo em um país amplamente conectado.

Acesse o estudo ‘PNAD Contínua – Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2025’