Fome diminui no mundo, mas 645 milhões de pessoas ainda enfrentam a subalimentação
Relatório da ONU mostra que o Brasil permanece fora do 'Mapa da Fome', enquanto o alto custo da alimentação saudável continua sendo um dos maiores desafios globais
22 JUL 2026 - 12H11 • Por Wilson LopesA fome voltou a recuar no mundo em 2025, registrando queda pelo terceiro ano consecutivo. Apesar do avanço, o planeta ainda está distante da meta de erradicar a fome até 2030.
A conclusão é do relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026 (SOFI 2026)’, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo o estudo, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial. Embora represente uma melhora em relação ao ano anterior, o ritmo de redução ainda é insuficiente para que a comunidade internacional cumpra o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que prevê a erradicação da fome até o fim da década.
O relatório também revela que aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave, condição caracterizada pela dificuldade de acesso regular a alimentos em quantidade e qualidade adequadas.
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Brasil mantém resultado positivo
Entre os destaques do levantamento está o desempenho do Brasil. O país permanece entre aqueles com “prevalência de subalimentação inferior a 2,5% da população”, mantendo-se fora do chamado ‘Mapa da Fome’ da FAO.
O resultado acompanha a tendência observada na América Latina e no Caribe, região que registra quatro anos consecutivos de redução da fome. Segundo a ONU, programas de proteção social, fortalecimento da agricultura e recuperação econômica contribuíram para a melhora dos indicadores.
Mesmo assim, o relatório ressalta que persistem desafios relacionados às desigualdades sociais e ao acesso da população a uma alimentação saudável, especialmente entre famílias de menor renda.
Alimentação saudável ainda é inacessível para bilhões
O levantamento aponta que 2,69 bilhões de pessoas não têm condições financeiras de manter uma alimentação saudável. O custo elevado de frutas, verduras, legumes, proteínas e outros alimentos nutritivos continua sendo uma das principais barreiras para a segurança alimentar em diversos países.
Como consequência, cresce o fenômeno conhecido como “dupla carga da má nutrição”, em que convivem, ao mesmo tempo, problemas como desnutrição, deficiência de vitaminas e minerais, sobrepeso e obesidade.
África segue como região mais vulnerável
Embora o cenário global tenha apresentado melhora, a situação continua crítica no continente africano.
A África concentra aproximadamente 309 milhões de pessoas em situação de fome, o maior contingente do planeta, enquanto Ásia e América Latina apresentaram novas reduções nos índices de subalimentação.
Clima e conflitos ameaçam avanços
O relatório alerta que fatores como mudanças climáticas, conflitos armados, crises econômicas e volatilidade dos preços internacionais de alimentos, combustíveis e fertilizantes continuam colocando em risco a segurança alimentar mundial.
Segundo as agências da ONU, acelerar investimentos em agricultura sustentável, ampliar programas de proteção social e facilitar o acesso da população a alimentos nutritivos serão medidas decisivas para consolidar os avanços e evitar retrocessos.
Acesse o estudo ‘O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026 (SOFI 2026)’
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