Educação básica alcança melhores resultados em 20 anos
Brasil avança em todas as etapas da educação básica e os estudantes também apresentaram melhora na aprendizagem de língua portuguesa e matemática
6 AGO 2026 - 10H21 • Por Wilson LopesA educação básica brasileira alcançou em 2025 os melhores resultados desde a criação da série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), iniciada há 20 anos. O indicador avançou nas três etapas avaliadas — anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio — e os estudantes também apresentaram melhora na aprendizagem de língua portuguesa e matemática.
Os resultados do Ideb 2025 foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Considerando conjuntamente as redes pública e privada, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 6,0 em 2023 para 6,3 em 2025. Nos anos finais, subiu de 5,0 para 5,3, enquanto no ensino médio avançou de 4,3 para 4,5.
O movimento também aparece quando considerada exclusivamente a rede pública. Nos anos iniciais, o índice aumentou de 5,7 para 6,1; nos anos finais, de 4,7 para 5,0; e no ensino médio, de 4,1 para 4,3.
Com os avanços, as três etapas chegaram ao maior patamar registrado desde 2005.
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Todos os estados melhoraram nos anos iniciais
A evolução do Ideb também se espalhou pelo território nacional.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, todas as 27 unidades da Federação apresentaram resultados superiores aos registrados anteriormente.
Nos anos finais, 24 unidades da Federação melhoraram, duas permaneceram estáveis e apenas uma apresentou queda.
No ensino médio, 23 unidades da Federação avançaram, três mantiveram o resultado anterior e uma registrou redução.
Os dados mostram, portanto, que o crescimento nacional não ficou restrito a determinados estados ou regiões, embora persistam diferenças significativas entre as redes de ensino.
Entre os destaques estaduais está o Paraná, que aparece entre os melhores resultados do país. O estado registra Ideb de 6,7 nos anos iniciais, 5,5 nos anos finais e 4,9 no ensino médio. Nos anos finais, Paraná, Ceará e Goiás aparecem com índice de 5,5.
Curitiba chega a 6,9
Entre as capitais, Curitiba aparece como um dos principais destaques dos resultados de 2025.
A capital paranaense alcançou Ideb 6,9 nos anos iniciais do ensino fundamental, passando da quarta posição para o primeiro lugar entre as capitais brasileiras nessa etapa.
Outro exemplo de avanço municipal aparece em Campina Grande (PB). A rede municipal atingiu 6,0 nos anos iniciais e 4,9 nos anos finais, resultados superiores às respectivas médias da rede pública da Paraíba, de 5,9 e 4,7.
Mais de 33 milhões de matrículas retratadas pelo Ideb
A dimensão do levantamento ajuda a demonstrar a abrangência dos resultados.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb 2025 retrata a situação de aproximadamente 14,5 milhões de matrículas distribuídas por 101 mil escolas.
Nos anos finais, são 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas.
Já no ensino médio, os resultados correspondem a cerca de 7,3 milhões de matrículas em 30 mil estabelecimentos de ensino.
Somadas as três etapas, são aproximadamente 33 milhões de matrículas consideradas no retrato educacional produzido pelo indicador.
Saeb avaliou 5,9 milhões de estudantes
Outro resultado relevante aparece no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), uma das bases utilizadas para calcular o Ideb.
A edição de 2025 avaliou aproximadamente 5,9 milhões de estudantes, distribuídos por 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o território nacional.
Os resultados mostram melhora da aprendizagem tanto em língua portuguesa quanto em matemática.
No 5º ano do ensino fundamental, a média de língua portuguesa na rede pública aumentou de 207,6 pontos em 2023 para 215,1 em 2025. Em matemática, passou de 218,3 para 227,4 pontos.
O ganho foi, portanto, de 7,5 pontos em português e 9,1 pontos em matemática.
Aprendizagem também melhora no 9º ano
No 9º ano do ensino fundamental, a média de língua portuguesa passou de 252,9 para 256,6 pontos, crescimento de 3,7 pontos.
Em matemática, o resultado aumentou de 249,9 para 255,3, uma evolução de 5,4 pontos.
A melhora simultânea nas duas disciplinas é particularmente importante porque indica que o crescimento do Ideb não decorre exclusivamente das taxas de aprovação escolar. O desempenho dos estudantes nas avaliações de aprendizagem também aumentou.
Ensino médio melhora, mas continua sendo o principal desafio
No 3º ano do ensino médio, a proficiência em língua portuguesa passou de 269,1 pontos em 2023 para 272,3 em 2025.
Em matemática, subiu de 263,9 para 268 pontos.
Considerando toda a rede estadual — incluindo o ensino médio tradicional e aquele integrado à educação profissional e tecnológica — a média em língua portuguesa avançou de 271,7 para 275,8 pontos. Em matemática, passou de 267,3 para 271,4.
Embora os números apontem melhora, o ensino médio permanece como a etapa com o menor Ideb do sistema educacional brasileiro. Enquanto os anos iniciais chegaram a 6,3 no conjunto das redes, o ensino médio registra 4,5.
A diferença de 1,8 ponto evidencia que parte dos ganhos observados no início da escolarização ainda não se mantém com a mesma intensidade até o final da educação básica.
Ideb combina aprendizagem e aprovação
Criado em 2007, o Ideb é um dos principais indicadores utilizados para medir a qualidade da educação básica brasileira.
O índice não considera apenas o desempenho dos alunos nas avaliações. Seu cálculo combina os resultados de aprendizagem em língua portuguesa e matemática obtidos pelo Saeb com indicadores de fluxo escolar, especialmente as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar.
Por isso, uma elevação do Ideb pode estar associada tanto à melhora da aprendizagem quanto à progressão dos estudantes ao longo da trajetória escolar.
Os resultados de 2025 mostram, entretanto, crescimento simultâneo das proficiências do Saeb em português e matemática nas três etapas avaliadas.
O que os resultados mostram
Os números do Ideb e do Saeb 2025 apontam para uma recuperação e avanço da educação básica brasileira, com crescimento disseminado entre os estados e melhora mensurável da aprendizagem.
Três tendências se destacam.
- A primeira é a consolidação dos anos iniciais do ensino fundamental como a etapa de melhor desempenho, alcançando Ideb 6,3 no conjunto das redes e 6,1 exclusivamente na rede pública.
- A segunda é a forte redução das redes municipais que permanecem nos níveis mais baixos do indicador. O número de municípios com Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais caiu de 4.110 em 2005 para apenas 442 em 2025.
- A terceira é a permanência do ensino médio como principal gargalo da educação básica. Apesar do avanço para o melhor resultado da série histórica, o índice de 4,5 permanece significativamente abaixo do observado no ensino fundamental.
O cenário também revela um desafio de equidade. Mesmo com a melhora nacional e o avanço da maioria dos estados, permanecem diferenças importantes entre municípios e redes de ensino.
O MEC informou que pretende concentrar assistência técnica justamente nos 442 municípios que ainda registram Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais.
A próxima etapa será transformar a recuperação observada nos indicadores em ganhos sustentáveis de aprendizagem e reduzir as desigualdades entre escolas, municípios e estados — sobretudo nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Com informações do Ministério da Educação.
@inep_oficial @mineducacao
Acesse o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)
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