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#Ideb2025

Municípios do Ceará e Goiás dominam as melhores notas do Ideb

Ceará concentra 15 dos 20 melhores resultados nos anos iniciais e Goiás coloca sete cidades entre as 20 primeiras do ensino médio

6 AGO 2026 - 10H59 • Por Wilson Lopes
Goiás passa a ocupar posição de destaque nacional, com sete escolas entre as 20 primeiras posições - Governo Goiás

Os resultados municipais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 revelam diferenças expressivas no desempenho educacional pelo território brasileiro. Enquanto um grupo de municípios do Ceará e de Alagoas alcançou nota máxima, 10,0, nos anos iniciais do ensino fundamental, outras cidades registraram índices próximos ou inferiores a 3,0, evidenciando a dimensão das desigualdades entre as redes públicas de ensino.

O levantamento foi elaborado a partir dos arquivos oficiais de divulgação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para os municípios, nas três etapas disponibilizadas: anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Para tornar os resultados comparáveis, foram considerados os registros de rede pública com Ideb 2025 calculado.

O Ideb combina o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com indicadores de fluxo escolar, especialmente a aprovação. Portanto, uma nota elevada não representa exclusivamente maior proficiência nas provas: ela resulta da combinação entre aprendizagem e trajetória escolar. Essa é também a definição metodológica adotada oficialmente pelo Inep.

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Oito municípios atingem nota máxima nos anos iniciais

A maior concentração de resultados elevados aparece nos anos iniciais do ensino fundamental. Oito municípios alcançaram Ideb 10,0, o limite máximo da escala: Catunda (CE), Coreaú (CE), Coruripe (AL), Cruz (CE), Pedra Branca (CE), Pires Ferreira (CE), Santana do Mundaú (AL) e União dos Palmares (AL).

O Ceará exerce amplo domínio no topo da classificação. Dos 20 municípios com os maiores índices nos anos iniciais, 15 são cearenses, o equivalente a 75% do Top 20. Alagoas aparece com quatro municípios, enquanto Goiás tem um representante.

O destaque goiano é Mossâmedes, que registra Ideb 9,7 e aparece entre os 20 maiores resultados municipais do país nessa etapa.

Além das oito cidades que atingiram 10,0, Deputado Irapuan Pinheiro, Ipaporanga e Nova Olinda, todas no Ceará, chegaram a 9,9.

Diferença chega a 6,7 pontos entre os extremos

Na outra ponta da classificação dos anos iniciais está Lizarda, no Tocantins, com Ideb 3,3.

Na sequência aparecem Bias Fortes (MG), com 3,6; Coqueiros do Sul (RS) e Santa Rosa do Purus (AC), ambos com 3,7; e Bento Fernandes (RN), com 3,8.

A diferença entre o menor resultado, de 3,3, e a nota máxima de 10,0 chega, portanto, a 6,7 pontos.

Entre os 20 menores resultados dos anos iniciais aparecem municípios de diferentes regiões e estados, como Pará, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba, Piauí e Amapá. A dispersão geográfica mostra que o baixo desempenho nessa etapa não está concentrado exclusivamente em uma única unidade da Federação.

Ceará também domina os anos finais

A liderança cearense se mantém nos anos finais do ensino fundamental, embora nenhuma cidade tenha atingido nota 10.

O maior Ideb municipal nessa etapa é de Deputado Irapuan Pinheiro (CE), com 9,3, seguido por Ipaporanga (CE) e Santana do Mundaú (AL), com 9,2. Depois aparecem Coreaú e Pires Ferreira, ambos do Ceará, com 9,1.

Dos 20 municípios mais bem posicionados nos anos finais, 14 são do Ceará, representando 70% do Top 20. Alagoas responde por cinco cidades e Goiás por uma.

O município goiano de Cabeceiras, com 8,2, figura entre os 20 melhores do Brasil.

Os números indicam ainda uma continuidade de bons resultados em algumas redes: cidades como Coreaú, Pires Ferreira, Ararendá, Independência e Cruz, no Ceará, aparecem entre as melhores colocações tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais.

Bahia concentra 70% dos 20 menores resultados dos anos finais

O cenário se inverte quando observados os menores índices dos anos finais.

O menor resultado é registrado por São Martinho da Serra (RS), com Ideb 2,8, seguido por Acajutiba (BA), com 2,9.

Depois aparecem Antônio Cardoso e Canavieiras, ambos na Bahia, com 3,0, e São Francisco do Conde (BA), com 3,1.

A Bahia é o grande destaque negativo dessa classificação: 14 dos 20 municípios com menores resultados nos anos finais estão no estado, correspondendo a 70% desse grupo.

Também aparecem entre os menores resultados municípios do Pará, Acre, Paraíba e Sergipe.

A distância entre os extremos é novamente elevada: são 6,5 pontos entre Deputado Irapuan Pinheiro, com 9,3, e São Martinho da Serra, com 2,8.

Esse resultado municipal acompanha o bom posicionamento de Goiás na comparação entre unidades da Federação (Governo Goiás)

Goiás ganha protagonismo no ensino médio

O mapa dos melhores resultados muda significativamente no ensino médio. Ceará e Alagoas deixam de apresentar a mesma concentração observada no ensino fundamental e Goiás passa a ocupar posição de destaque nacional.

Os maiores índices são registrados por Ararendá (CE) e Cocal dos Alves (PI), ambos com 7,2.

Logo depois aparecem duas cidades goianas: Itapaci e São João d'Aliança, com 7,0.

Goiás coloca ainda Cabeceiras e Vila Boa, ambas com 6,9; Formosa e Santo Antônio da Barra, com 6,7; e Lagoa Santa, com 6,6, entre as 20 primeiras posições.

Ao todo, são sete municípios goianos entre os 20 maiores Idebs do ensino médio, ou 35% do Top 20 nacional.

Esse resultado municipal acompanha o bom posicionamento de Goiás na comparação entre unidades da Federação: no resultado agregado de todas as redes, o estado registrou Ideb 4,8 no ensino médio em 2025, acima da média brasileira de 4,5.

Saubara tem menor resultado no ensino médio

No extremo inferior do ensino médio aparece Saubara (BA), com Ideb 2,4, menor resultado entre os municípios considerados no levantamento.

Maraã (AM), São Miguel do Gostoso (RN) e Uiramutã (RR) aparecem em seguida, todos com 2,7.

Com 2,8 estão Jenipapo dos Vieiras e Milagres do Maranhão, no Maranhão, e Uarini, no Amazonas.

Entre os 20 menores índices do ensino médio, Amazonas tem seis municípios e Maranhão outros seis, juntos respondendo por 60% desse grupo.

A distância entre o maior e o menor resultado municipal chega a 4,8 pontos, considerando os 7,2 de Ararendá e Cocal dos Alves e os 2,4 de Saubara.

Municípios pequenos aparecem com frequência entre os líderes

A presença de municípios de menor porte entre as primeiras posições exige cautela na interpretação do ranking.

Uma rede municipal pequena pode ter um universo de estudantes avaliados muito inferior ao de grandes cidades. Por isso, o Ideb permite comparar o indicador obtido pelas redes, mas não deve ser interpretado isoladamente como uma classificação definitiva da qualidade de todo o sistema educacional de cada município.

Número de estudantes, características socioeconômicas, estrutura da rede, taxas de aprovação e resultados do Saeb são fatores relevantes para uma análise mais aprofundada.

O próprio Saeb é uma avaliação externa em larga escala destinada a produzir informações sobre a qualidade da educação básica e subsidiar políticas públicas.

Ceará concentra excelência no fundamental; Goiás emerge no ensino médio

A análise dos extremos do Ideb 2025 permite identificar três movimentos principais.

Os números mostram, portanto, que o avanço médio do Ideb brasileiro convive com fortes desigualdades territoriais. A edição de 2025 elevou os resultados nacionais para 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio, mas os rankings municipais mostram que esse desempenho está longe de ser uniforme pelo país.

Mais do que identificar os primeiros e últimos colocados, os resultados oferecem pistas para uma segunda etapa de investigação: entender quais políticas educacionais, práticas de alfabetização, acompanhamento da aprendizagem, gestão escolar e estratégias de redução da reprovação estão presentes nos municípios que conseguem sustentar índices elevados — e quais obstáculos persistem nas redes que permanecem na parte inferior da distribuição.

Número de municípios com baixo Ideb cai 60%

Um dos dados que mais chamam a atenção é a redução do número de municípios brasileiros que permanecem com Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais do ensino fundamental.

Em 2023, eram 1.097 municípios nessa situação. Em 2025, o número caiu para 442 — redução de aproximadamente 60% em apenas dois anos.

A evolução é ainda mais significativa quando observada em uma perspectiva de duas décadas. Em 2005, 4.110 municípios estavam abaixo desse patamar.

Isso significa que, em 20 anos, o contingente de municípios nessa situação foi reduzido em cerca de 89%.

Apesar do avanço, os 442 municípios ainda abaixo de 4,9 deverão receber atenção específica do governo federal. O MEC anunciou assistência técnica com foco nos processos de aprendizagem e no acompanhamento das ações educacionais dessas redes.

Com informações do Ministério da Educação.
@inep_oficial @mineducacao

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