Pesquisadores identificam oliveira de 3.712 anos em Portugal
Método desenvolvido por pesquisadores portugueses permite estimar a idade de oliveiras milenares sem danificar as árvores
17 AGO 2026 - 12H37 • Por Wilson LopesUma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal, permite estimar a idade de oliveiras milenares sem cortar a árvore nem retirar amostras de madeira. O método, desenvolvido a partir de 2007 e patenteado em 2011, já foi aplicado a cerca de 200 árvores em Portugal e no exterior.
Entre os exemplares avaliados está uma oliveira da Herdade do Peso, em Vidigueira, no Alentejo, cuja idade foi estimada em 3.712 anos.
A idade de árvores relativamente jovens pode ser estimada pela contagem dos anéis de crescimento. O procedimento, porém, torna-se impraticável em oliveiras muito antigas porque o interior do tronco frequentemente desaparece ou fica oco com o passar dos séculos.
A alternativa desenvolvida pela equipe liderada pelo pesquisador José Luís Louzada é um modelo matemático que relaciona a idade da árvore às características do tronco, como raio, diâmetro, altura e perímetro. Dessa forma, a estimativa pode ser feita sem derrubar a árvore e sem provocar danos que comprometam sua saúde.
A metodologia está registrada na patente portuguesa NP 104183, intitulada “Método para estimativa da idade de árvores idosas”.
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Centenas de árvores avaliadas
Em 2018, a UTAD informou que o método já havia sido utilizado para datar aproximadamente 200 árvores, muitas delas com cerca de 2 mil anos, em Portugal e em outros países.
Entre os exemplares avaliados estavam oliveiras de Santa Iria de Azóia, com estimativa de 2.850 anos, e de Monsaraz, com 2.450 anos. A metodologia também foi utilizada em árvores de regiões como Bordéus, Girona, Málaga e Menorca.
A dimensão geográfica ajuda a explicar a relevância do método: ele não foi desenvolvido apenas para um exemplar específico, mas para lidar com um problema recorrente na identificação de árvores extremamente antigas.
De 3.350 para 3.712 anos
Um dos primeiros casos de grande repercussão foi o da Oliveira do Mouchão, em Mouriscas, no município de Abrantes. Em 2016, o exemplar teve sua idade estimada em 3.350 anos, com margem de erro de aproximadamente 2%, segundo informações divulgadas pelo pesquisador responsável.
Em 2023, entretanto, outra oliveira passou a ocupar o primeiro lugar entre as oliveiras mais antigas já datadas em Portugal. A árvore da Herdade do Peso, na Vidigueira, teve a idade estimada em 3.712 anos. A certificação foi realizada pela empresa Oliveiras Milenares em conjunto com a UTAD.
O dado representa uma diferença de 362 anos em relação à estimativa atribuída à Oliveira do Mouchão.
Uma árvore que atravessa milênios
A oliveira da Herdade do Peso integra um conjunto de aproximadamente 80 oliveiras milenares. Segundo a proprietária da área, a soma das idades dessas árvores ultrapassa 7 mil anos.
Há ainda um registro histórico relevante: documentos de uma escritura de compra e venda de 1791 mencionam 57 oliveiras existentes na propriedade. A empresa considera possível que essas árvores façam parte do conjunto milenar atualmente preservado.
O que significa "3.712 anos"?
Os 3.712 anos são uma estimativa produzida por um método matemático e certificada pela equipe responsável pela aplicação da metodologia. Não se trata de uma contagem dos 3.712 anéis de crescimento.
Essa distinção é importante porque a própria razão para o desenvolvimento do método foi justamente a dificuldade de utilizar métodos convencionais em árvores cujo interior do tronco já desapareceu.
Assim, a oliveira “teve sua idade estimada em 3.712 anos pelo método desenvolvido pela UTAD”, e não que cientistas “comprovaram” que ela tem exatamente 3.712 anos.
Um patrimônio que pode ser mais amplo
O trabalho da UTAD também indica que as oliveiras extremamente antigas não são casos isolados em Portugal. Em 2018, o pesquisador José Luís Louzada afirmou que havia centenas de oliveiras portuguesas com mais de 2 mil anos, principalmente ao sul do rio Mondego.
A longevidade está relacionada à capacidade de regeneração da espécie. Mesmo quando partes antigas do tronco morrem, novos tecidos podem continuar crescendo, permitindo que a oliveira sobreviva por muitos séculos.
O método da UTAD, portanto, resolve uma questão científica específica — estimar a idade de árvores cujo tronco já não permite a contagem convencional dos anéis — e também amplia a possibilidade de identificar e preservar exemplares que podem representar milhares de anos de história agrícola e ambiental.
Com informações da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
@sogrape @herdadedopeso_oficial @utad.oficial @municipiovidigueira @treeoftheyear
Consulte a patente Método para estimativa da idade de árvores idosas