Em Portugal, 42% dos motoristas mortos em acidentes tinham álcool no sangue
Dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária mostram que 117 dos 282 condutores mortos e autopsiados em 2025 tinham álcool no sangue
23 AGO 2026 - 10H45 • Por Wilson LopesCerca de um em cada quatro condutores mortos em acidentes de carro em Portugal em 2025 apresentava uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 grama por litro (g/l), nível considerado crime no país.
Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), disponibilizados pelo Ministério da Administração Interna (MAI), 68 dos 282 condutores mortos e autopsiados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) estavam nesse patamar.
Ao todo, 117 dos 282 condutores mortos, ou 42%, tinham álcool no sangue no momento do acidente. Dentro desse grupo, 68 apresentavam alcoolemia de pelo menos 1,2 g/l. O número equivale a aproximadamente 24,1% de todos os condutores mortos e autopsiados em 2025.
A concentração nos níveis mais elevados de álcool também chama atenção: 58% dos condutores mortos que tinham álcool no sangue apresentavam 1,2 g/l ou mais. Ou seja, mais da metade dos casos com presença de álcool estava no patamar considerado crime pela legislação portuguesa.
>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook
O levantamento também mostra que 85 dos 282 condutores mortos tinham pelo menos 0,5 g/l de álcool no sangue, valor a partir do qual a condução é enquadrada como contraordenação grave. Esse grupo corresponde a cerca de 30% de todos os condutores mortos e autopsiados.
Quando são consideradas todas as vítimas mortais autopsiadas pelo INMLCF, e não apenas os condutores, o levantamento identificou 404 pessoas mortas, das quais 158, ou 39%, apresentavam álcool no sangue.
Nesse universo, 28% das vítimas tinham uma taxa de pelo menos 0,5 g/l, enquanto 22% apresentavam 1,2 g/l ou mais. Os percentuais mostram que a presença de álcool também aparece em parcela relevante das vítimas mortais em geral, embora os indicadores não permitam concluir, isoladamente, que o álcool tenha sido a causa de cada acidente.
Para a ANSR, os resultados mostram que "o álcool, em especial em níveis muito elevados, continua fortemente presente na sinistralidade rodoviária mais grave".
A divulgação dos números ocorre durante a campanha "Taxa Zero ao Volante", promovida pela ANSR em conjunto com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR). A iniciativa busca alertar os condutores para os riscos associados à condução sob influência de álcool.
O levantamento considera exclusivamente mortes autopsiadas pelo INMLCF e não deve ser interpretado automaticamente como uma fotografia de todas as mortes ocorridas no trânsito português.
Com informações da Lusa Agência de Notícias de Portugal.
@lusaagenciadenoticias