Governos e prefeituras adotam medidas para conter intensidade do El Niño
Monitor do Instituto Talanoa reúne 33 ações da União, Estados e municípios diante de um fenômeno com 81% de chance de atingir intensidade 'muito forte' entre outubro e dezembro
24 AGO 2026 - 09H16 • Por Wilson LopesGovernos federal, estaduais e municipais já adotaram pelo menos 33 medidas de preparação, monitoramento ou resposta aos possíveis impactos do El Niño no Brasil, enquanto as previsões climáticas indicam 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
O levantamento é do Instituto Talanoa, que criou o Monitor do El Niño para acompanhar decretos, comitês e programas relacionados ao fenômeno. A previsão oficial aponta ainda 100% de probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027.
Das 33 medidas identificadas pelo monitor até 31 de julho, 7 foram adotadas pelo governo federal, 7 por governos estaduais e 19 por prefeituras. As iniciativas municipais representam 57,6% do total, mas estão distribuídas de forma desigual pelo território. A maior parte das medidas de prefeituras está concentrada em Santa Catarina, segundo o levantamento. Ao todo, foram identificadas iniciativas em nove estados: Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
A distribuição das ações evidencia uma diferença entre os níveis de governo. Enquanto a União estruturou mecanismos nacionais de acompanhamento e coordenação, a adoção de medidas pelos governos estaduais e municipais ocorre de maneira mais localizada. O monitor permite justamente identificar onde existem iniciativas e onde ainda há lacunas de preparação.
>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook
No governo federal, o Painel El Niño 2026/2027 reúne INPE, INMET, CEMADEN, ANA, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. O objetivo é acompanhar as condições meteorológicas e hidrológicas e subsidiar medidas de prevenção e gestão de riscos. A Casa Civil também passou a coordenar uma Sala de Situação voltada ao fenômeno.
Em 29 de julho, o governo federal anunciou R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas à prevenção e resposta aos efeitos esperados. Entre as medidas estão recursos para combate a incêndios, monitoramento de rios e aquisição de alimentos, como arroz, milho e cestas básicas.
O cenário climático ajuda a explicar a mobilização. O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e aumentando a probabilidade de mudanças nos padrões de chuva e temperatura. Em junho, o fenômeno foi oficialmente confirmado.
A previsão para agosto, setembro e outubro indica, de maneira geral, chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do país. Também há probabilidade elevada de temperaturas acima da média no segundo semestre, condição que pode aumentar a ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais.
Impactos não serão iguais em todo o território
Os impactos, porém, não serão iguais em todo o território. No Sul, a preocupação está principalmente relacionada ao aumento da possibilidade de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos. No Norte e Nordeste, os efeitos sobre as chuvas podem favorecer períodos de estiagem e elevar o risco de incêndios. Na região central do país, o calor e a baixa umidade estão entre os principais pontos de atenção.
O levantamento do Talanoa também revela diferenças na qualidade das respostas. Segundo o instituto, alguns decretos municipais incluem medidas consideradas problemáticas, como autorização para remoção de vegetação ou intervenções sem licenciamento ambiental sob justificativa de emergência relacionada ao El Niño. Em sentido contrário, há municípios que determinaram expressamente a manutenção das exigências de autorização para intervenções em áreas protegidas.
A existência das 33 medidas, portanto, não significa que o país tenha uma estratégia uniforme de preparação. O próprio Instituto Talanoa informa que seu monitor é baseado em levantamento próprio de atos normativos e não substitui os textos oficiais dos decretos e resoluções. A ferramenta funciona como um mecanismo de acompanhamento daquilo que os governos formalizaram e permite identificar diferenças entre territórios e níveis de governo.
A principal lacuna apontada pelo levantamento é justamente a necessidade de transformar previsão climática em capacidade de resposta. O desafio para os próximos meses será verificar se os anúncios e atos já registrados resultarão em medidas concretas de prevenção, proteção da população e manutenção dos serviços públicos diante dos eventos extremos previstos.
Com informações do Instituto Talanoa.
@politicaporinteiro @institutotalanoa
Acesse o ‘Monitor do El Niño’
Acesse o PAINEL EL NIÑO 2026-2027