Brasil amplia, em três anos, área urbanizada equivalente à Palestina
Área urbanizada do Brasil cresce 5.955 km² entre 2019 e 2022, e Brasília registra maior expansão entre os municípios
22 AGO 2026 - 12H05 • Por Wilson LopesA área ocupada por feições urbanizadas e loteamentos vazios no Brasil chegou a 53.925,37 km² em 2022, um avanço de 12,27%, ou aproximadamente 5.955 km², em relação ao levantamento anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expansão é tão significativa que equivale ao território da Palestina, de cerca de 6 mil km², onde estão Cisjordânia e Faixa de Gaza, sob diferentes graus de controle israelense, com aproximadamente 5,56 milhões de pessoas.
O crescimento brasileiro revela a expansão física das cidades sobre novas áreas e ocorreu de maneira desigual entre as regiões: o Nordeste apresentou a maior expansão proporcional, enquanto o Sudeste continuou concentrando a maior parcela da urbanização brasileira.
Do total identificado em 2022, 50.981,91 km² correspondiam a feições urbanizadas propriamente ditas, formadas por áreas densas, pouco densas, vazios intraurbanos e outros equipamentos urbanos. Outros 2.943,46 km² eram loteamentos vazios, áreas que possuem características de urbanização, como abertura de vias, mas ainda não apresentam ocupação edificada significativa.
A dimensão territorial da urbanização, porém, permanece pequena quando comparada ao tamanho do país: as feições urbanizadas equivalem a 0,60% do território brasileiro. O contraste mostra a concentração espacial das cidades: grandes extensões do território permanecem pouco ocupadas, enquanto a urbanização se concentra em determinados eixos e polos urbanos.
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Nordeste foi a região que mais avançou
Entre 2019 e 2022, o Nordeste respondeu por 30,22% da expansão nacional das feições urbanizadas, com acréscimo de 1.448,18 km². O Sudeste veio em seguida, com 27,77% da expansão, ou 1.330,54 km², enquanto o Sul respondeu por 25,86%, equivalente a 1.239,17 km².
Quando considerada a expansão proporcional das feições urbanizadas e loteamentos vazios, o Nordeste também apresentou o maior crescimento, de 16,52%. O Sul avançou 13,78%, o Centro-Oeste 11,45%, o Norte 11,16% e o Sudeste 9,09%.
O resultado produz um dos principais paradoxos do levantamento: o Sudeste possui a maior área urbanizada, mas não foi a região que mais cresceu no período. Em 2022, a região concentrava 35,90% das feições urbanizadas do país, enquanto o Nordeste reunia 24,32%.
Sudeste continua dominante em área urbana
O Sudeste contabilizou 19.061,61 km² de feições urbanizadas e loteamentos vazios, seguido pelo Nordeste, com 13.676,99 km², e pelo Sul, com 11.021,27 km². A concentração também aparece na classificação das áreas urbanizadas densas: o Sudeste reunia 14.529,63 km², ou 38,13% de todas as áreas densas do país.
No recorte estadual, São Paulo manteve ampla liderança. O estado possuía 9.343,66 km² de feições urbanizadas, além de 279,02 km² em loteamentos vazios. Somados, os elementos mapeados alcançavam 9.622,68 km². Minas Gerais aparecia em seguida, com 5.603,95 km², considerando também os loteamentos vazios.
Cinco estados — São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia — concentravam 50,36% de todas as feições urbanizadas e loteamentos vazios identificados no país.
Loteamentos vazios crescem 65,5%
Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento está fora das áreas já consolidadas. Os loteamentos vazios somavam 2.943,46 km² em 2022, aumento de 65,46%, ou 1.164,4 km², em relação à área de 2019 recalculada pelo IBGE. O Nordeste concentrava 44,08% desse acréscimo.
Segundo o instituto, os loteamentos vazios podem representar áreas destinadas à expansão futura do tecido urbano. O dado, portanto, não significa que toda essa superfície esteja efetivamente ocupada por moradores ou edificações, mas indica a existência de novas áreas preparadas ou estruturadas para eventual urbanização.
O fenômeno ajuda a explicar a expansão horizontal das cidades, especialmente em regiões metropolitanas, polos turísticos, corredores logísticos e áreas de crescimento econômico. O próprio IBGE associa esse movimento à dispersão urbana e à ampliação das periferias.
São Paulo lidera; Brasília foi a cidade que mais avançou
Entre os municípios, São Paulo apresentou a maior extensão de feições urbanizadas em 2022, com 922,41 km². Brasília ficou em segundo lugar, com 662,54 km², seguida pelo Rio de Janeiro, com 644,36 km².
Goiânia aparece em quinto lugar entre os municípios brasileiros, com 312,71 km² de feições urbanizadas, correspondentes a 42,88% de seu território municipal. A capital goiana fica atrás apenas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba nesse ranking.
Quando o critério passa a ser o crescimento entre 2019 e 2022, o resultado muda. Brasília liderou a expansão das feições urbanizadas densas e pouco densas, com 72,08 km² adicionais, mais que o dobro do segundo colocado, São Luís (MA), que cresceu 35,76 km².
O ranking das maiores extensões também evidencia a importância dos centros regionais. Além das capitais, aparecem Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto, em São Paulo; Feira de Santana, na Bahia; e Uberlândia, em Minas Gerais.
Poucas cidades concentram grande parte da ocupação
A distribuição municipal é altamente desigual. Segundo o IBGE, cerca de 80% dos municípios brasileiros não alcançavam 10 km² de ocupação por morfologias urbanas em 2022. Em sentido oposto, os 20 municípios com maiores extensões apresentavam mais de 150 km² cada.
O contraste é ainda mais evidente quando se considera a proporção do território municipal. São Caetano do Sul (SP) tinha 100% de seu território coberto por feições urbanizadas, enquanto São João de Meriti (RJ) chegava a 99,99%. Olinda (PE), Carapicuíba (SP) e Osasco (SP) também apresentavam mais de 90%.
Entre as capitais, Belo Horizonte e Fortaleza se destacavam pela elevada ocupação territorial, com 84,23% e 81,61%, respectivamente. Já municípios extensos apresentam situação oposta: Manaus tinha apenas 2,52% do território coberto por feições urbanizadas; Campo Grande, 3,15%; e Cuiabá, 3,95%.
Litoral concentra urbanização
A concentração urbana também acompanha a geografia histórica da ocupação brasileira. Os 443 municípios costeiros, que representam apenas 5,02% do território nacional, concentravam 19,50% das feições urbanizadas em 2022. Já os 590 municípios da faixa de fronteira ocupavam 26,61% do território brasileiro, mas reuniam somente 8,28% das feições urbanizadas.
A Amazônia Legal apresenta outro contraste. Seus 772 municípios ocupam 59,11% do território nacional, mas concentravam apenas 14,27% das feições urbanizadas. No interior do país, a urbanização tende a acompanhar rodovias, ferrovias e cursos d'água, formando manchas lineares ao longo dos principais eixos de circulação.
O que os números revelam
O levantamento mostra que a urbanização brasileira não ocorre simplesmente pela expansão uniforme das cidades. Há, simultaneamente, densificação de áreas metropolitanas consolidadas e abertura de novas frentes de ocupação.
Outro ponto relevante é que a expansão não se distribui proporcionalmente ao tamanho territorial dos estados. O Amazonas, por exemplo, possui a maior extensão territorial entre as unidades da Federação, mas apenas 0,05% de seu território correspondia a feições urbanizadas. No extremo oposto, o Rio de Janeiro apresentava a maior proporção estadual, com 6,66%.
O IBGE também alerta que a edição de 2022 incorporou mudanças metodológicas, como imagens com resolução espacial de quatro metros, critérios de área mínima de um hectare e novos procedimentos para identificação de equipamentos urbanos. Por isso, comparações entre 2019 e 2022, especialmente em determinadas subcategorias, precisam ser feitas com cautela.
O dado mais consistente, portanto, é o retrato da estrutura territorial: o Brasil segue urbanizando novas áreas, mas esse processo está concentrado em determinados estados, cidades, regiões costeiras e corredores de circulação. Ao mesmo tempo, o crescimento expressivo dos loteamentos vazios indica que parte da expansão registrada representa uma reserva territorial para ocupações futuras, e não necessariamente população ou edificações já instaladas.
Com informações da Agência IBGE Notícias.
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Acesse o estudo Áreas Urbanizadas do Brasil 2022