Cidade do México plantará 1 milhão de árvores para combater o calor
Cidade do México vai plantar 1 milhão de árvores até 2030 para reduzir desigualdade ambiental
30 AGO 2026 - 12H12 • Por Wilson LopesO governo da Cidade do México iniciou, em agosto de 2026, um programa que prevê o plantio de 1 milhão de árvores em áreas urbanas até 2030, com prioridade para regiões que apresentam menor cobertura vegetal e maior concentração de ilhas de calor. A estratégia pretende ampliar a sombra, reduzir temperaturas, favorecer a infiltração da água da chuva e diminuir a desigualdade territorial no acesso aos benefícios proporcionados pela arborização.
Plantio será concentrado no leste da capital
O programa começou na alcaldía de Iztacalco e terá prioridade, principalmente, para Iztapalapa, Iztacalco, Venustiano Carranza, Gustavo A. Madero e Tláhuac, áreas identificadas pelo governo como prioritárias pela combinação de menor cobertura vegetal e temperaturas mais elevadas.
A meta prevê o plantio de aproximadamente 200 mil árvores por ano. O programa será executado em áreas urbanas, incluindo calçadas, canteiros centrais, avenidas e outros espaços atualmente impermeabilizados por concreto ou asfalto.
A estratégia também prevê retirar trechos de pavimentação para criar áreas permeáveis. A medida permite que a água da chuva penetre no solo e cria espaço adequado para o desenvolvimento das árvores.
Desigualdade aparece na distribuição do verde
Os dados oficiais mostram que a média de áreas verdes da Cidade do México é de 7,55 metros quadrados por habitante, considerando o conjunto registrado no inventário da cidade. O indicador, porém, varia fortemente entre as alcaldías.
Milpa Alta registra apenas 2,2 m² de área verde por habitante, enquanto Miguel Hidalgo chega a 15,4 m² e Coyoacán a 15,0 m². Venustiano Carranza registra 13,6 m² e Cuajimalpa, 10,3 m².
A diferença também aparece quando se observa especificamente o espaço público arborizado. O Plano Geral de Desenvolvimento da cidade aponta uma média de apenas 2,03 m² de espaço público coberto por árvores e arbustos por habitante, com concentração maior em áreas como Miguel Hidalgo e Coyoacán.
O governo utiliza justamente essas diferenças para direcionar a nova política de arborização.
Cinco áreas concentram a prioridade
A metodologia adotada, com apoio técnico do World Resources Institute (WRI México) identifica as chamadas ilhas de calor — áreas urbanas que registram temperaturas superficiais mais elevadas — e cruza essas informações com a cobertura vegetal existente.
O resultado é uma política que prioriza locais onde calor e menor disponibilidade de árvores se sobrepõem.
A situação é especialmente evidente em Tláhuac e Iztapalapa. Dados de estudo do Centro Transdisciplinar Universitário para a Sustentabilidade indicam que Tláhuac possui cerca de 0,13 árvore por habitante, enquanto Iztapalapa tem aproximadamente 0,16. Em Miguel Hidalgo, a proporção chega a cerca de 1,5 árvore por habitante.
Essa diferença ajuda a explicar por que o programa concentra investimentos no leste e em áreas mais densamente ocupadas da capital.
Regra 3-30-300 orienta o programa
A iniciativa pretende aproximar a cidade da chamada regra 3-30-300, um parâmetro de planejamento urbano que estabelece três metas: cada pessoa deveria conseguir visualizar pelo menos três árvores de sua residência ou local de trabalho; cada bairro deveria alcançar aproximadamente 30% de cobertura das copas das árvores; e cada morador deveria ter acesso a uma área verde de qualidade a até 300 metros de sua residência.
A regra ajuda a mudar o foco da simples quantidade de árvores plantadas para a distribuição espacial da arborização.
Árvores nativas e adaptação ao ambiente urbano
O programa prevê prioridade para espécies nativas e adaptadas às condições locais, incluindo liquidâmbar, cazahuate, colorín, guaje, guamúchil, palo verde, fresno, maculi e ceiba. A escolha considera fatores como manutenção, resistência às condições climáticas e contribuição para polinizadores.
O governo também pretende estimular a participação de moradores e escolas no plantio e na manutenção das árvores.
O desafio socioeconômico
A política ambiental ocorre em uma cidade marcada por forte concentração populacional e desigualdades territoriais. A Cidade do México tinha 9,21 milhões de habitantes em 2020, segundo dados utilizados pelo CONEVAL, e apresentava 24% da população em situação de pobreza em 2022, o equivalente a aproximadamente uma em cada quatro pessoas.
Apesar de apresentar uma taxa de pobreza inferior à média nacional de 36,3%, a capital não é homogênea. As diferenças entre alcaldías aparecem tanto nas condições socioeconômicas quanto na disponibilidade de infraestrutura ambiental.
É nesse ponto que a arborização ganha dimensão de política urbana: árvores plantadas em áreas com pouca vegetação podem oferecer sombra e contribuir para a redução do calor justamente onde a população tem menor acesso a esses benefícios.
Um programa que vai além do plantio
A principal lacuna a ser acompanhada nos próximos anos será a sobrevivência das árvores plantadas, e não apenas o número de mudas colocadas no solo. A meta de 1 milhão de exemplares é mensurável, mas seu impacto climático dependerá da sobrevivência, do crescimento, da espécie utilizada, da localização e da manutenção.
O governo estima que o conjunto de árvores poderá capturar pelo menos 20 mil toneladas de dióxido de carbono. A estimativa, entretanto, deve ser interpretada como projeção de longo prazo, pois a capacidade de captura depende do desenvolvimento e da sobrevivência das árvores.
O programa, portanto, apresenta dois indicadores distintos: quantidade de árvores plantadas e qualidade da distribuição da cobertura arbórea. O segundo será decisivo para determinar se a política conseguirá reduzir a desigualdade ambiental entre diferentes regiões da capital mexicana.
Com informações do Governo da Cidade do México.
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