Balneário Camboriú ostenta 7 dos 10 prédios mais altos do Brasil
Goiânia e João Pessoa são as únicas cidades fora de Santa Catarina no top 10 nacional, mas o prédio mais alto do Brasil ocupa apenas a 277ª posição no ranking mundial
13 SET 2026 - 09H29 • Por Wilson LopesBalneário Camboriú, em Santa Catarina, concentra sete dos dez prédios mais altos do Brasil, segundo o ranking de edifícios concluídos do Council on Vertical Urbanism (CVU), atualizado em 2026. As duas torres do Yachthouse by Pininfarina lideram a lista, com 294 metros cada, seguidas pelo One Tower, também na cidade catarinense, com 290 metros.
O levantamento evidencia a concentração da construção vertical de grande porte no litoral de Santa Catarina e coloca Goiânia (GO) e João Pessoa (PB) como as únicas cidades fora de Balneário Camboriú entre os dez primeiros colocados.
O Yachthouse by Pininfarina Tower 2 ocupa a primeira posição, com 294,1 metros e 80 pavimentos. A Tower 1 aparece logo depois, com 294 metros. As duas fazem parte do mesmo complexo residencial, localizado em Balneário Camboriú. A diferença de 10 centímetros entre as torres é suficiente para estabelecer a ordem no ranking do CVU, embora ambas sejam apresentadas de forma arredondada como edifícios de 294 metros.
Na terceira posição está o One Tower, com 290 metros. O edifício residencial fica na Avenida Atlântica e possui 70 pavimentos. Com isso, os três primeiros colocados do país estão em Balneário Camboriú e ultrapassam a marca de 290 metros.
A quarta colocação pertence ao Boreal Tower, com 241 metros, enquanto o Infinity Coast Tower aparece em quinto, com 235 metros. O Vitra by Pininfarina, também em Balneário Camboriú, ocupa a sexta posição, com 212 metros. Assim, os seis primeiros edifícios do ranking estão na mesma cidade catarinense.
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Goiânia aparece pela primeira vez na sétima posição, com o Órion Business & Health Complex, de 191 metros. O edifício divide praticamente a mesma altura com o Epic Tower, de Balneário Camboriú, também com 191 metros. O Copenhagen, igualmente localizado na cidade catarinense, ocupa a nona posição, com 190 metros.
João Pessoa fecha o grupo dos dez primeiros com o Tour Geneve, de 182 metros. A capital paraibana é, portanto, a segunda cidade fora de Santa Catarina a figurar no top 10 nacional.
Concentração geográfica
A concentração geográfica é o principal dado do ranking: sete dos dez edifícios mais altos do país estão em Balneário Camboriú. Os outros três estão distribuídos entre Goiânia, com o Órion, e João Pessoa, com o Tour Geneve, enquanto o Epic Tower e o Copenhagen completam o domínio catarinense.
Outro aspecto relevante é a distância entre os primeiros colocados e o restante do ranking. O Yachthouse Tower 2, com 294,1 metros, é 112,1 metros mais alto que o Tour Geneve, décimo colocado. A diferença corresponde a aproximadamente 62% da altura do edifício paraibano.
O ranking também mostra que a verticalização brasileira de grande altura é predominantemente residencial. O CVU classifica o Yachthouse como residencial, assim como o One Tower e outros dos edifícios que ocupam as primeiras posições.
Há, porém, uma distinção importante para a leitura dos dados. O ranking de edifícios concluídos não deve ser confundido com a lista de projetos em construção ou propostos. O próprio CVU registra a Senna Tower, em Balneário Camboriú, com projeto de 544 metros, mas ela não integra o ranking dos prédios concluídos.
A base também apresenta algumas alturas estimadas em posições inferiores do ranking, calculadas a partir do número de pavimentos. Nenhum dos dez primeiros, contudo, aparece marcado como estimativa na lista de concluídos de 2026.
Cinco prédios mais altos do mundo
Os cinco prédios mais altos do mundo em 2026 são o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 m; o Merdeka 118, em Kuala Lumpur, com 678,9 m; a Shanghai Tower, em Xangai, com 632 m; o Makkah Royal Clock Tower, em Meca, com 601 m; e o Ping An Finance Center, em Shenzhen, com 599,1 m.
Com 294,1 metros, o Yachthouse by Pininfarina Torre 2, em Balneário Camboriú (SC), ocupa atualmente a 277.ª posição no ranking mundial do Council on Vertical Urbanism (CVU) — ou seja, apesar de ser o prédio mais alto do Brasil e o segundo mais alto da América do Sul, ainda fica a 533,9 metros do Burj Khalifa e fora do grupo dos 200 edifícios mais altos do planeta.
Fatores econômicos e urbanísticos
Balneário Camboriú concentra alguns dos prédios mais altos do Brasil por uma combinação de fatores econômicos e urbanísticos. O principal deles é a escassez de terrenos disponíveis nas áreas mais valorizadas, especialmente na faixa próxima à Praia Central. Com o preço da terra elevado, construir verticalmente tornou-se uma estratégia para ampliar o aproveitamento dos lotes e diluir o custo do terreno. A legislação urbanística também contribuiu para concentrar a verticalização em determinadas regiões da cidade. Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário transformou apartamentos em andares altos, com vista para o mar, em produtos de alto padrão.
A demanda por imóveis de luxo estimulou incorporadoras a buscar projetos cada vez mais altos e sofisticados. Esse processo criou um ciclo de valorização: terrenos caros incentivam prédios maiores, que, por sua vez, elevam o valor dos imóveis. A concentração de construtoras especializadas favoreceu o desenvolvimento de tecnologias para fundações e estruturas de grande altura.
Assim, a engenharia permitiu alcançar alturas excepcionais, mas foi o modelo econômico e urbano que criou o incentivo para construí-las. O resultado é uma das maiores concentrações de arranha-céus do país em um único município.
Com informações The Skyscraper Center.
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