Preço da gasolina bate recorde nos EUA
Gasolina passa de US$ 4 nos Estados Unidos e atinge maior nível para o feriado do trabalho
7 SET 2026 - 14H30 • Por Wilson LopesA gasolina nos Estados Unidos atingiu, no início de setembro, o maior preço já registrado para o período do Labor Day, feriado nacional do trabalho celebrado nesta segunda-feira (7/07), com a média nacional chegando a cerca de US$ 4,14 por galão, ou aproximadamente US$ 1,09 por litro.
O valor supera o recorde anterior para a data, de US$ 3,82, registrado em 2012, e ocorre em meio à alta do petróleo provocada pela instabilidade no Oriente Médio e pelos riscos de interrupção do abastecimento mundial.
O recorde, porém, precisa ser qualificado: não se trata do maior preço da gasolina de toda a história dos Estados Unidos, mas é o mais alto já registrado para esta época do ano.
A alta ganhou força com a valorização do petróleo bruto. Em 2 de setembro, o petróleo WTI, referência para o mercado norte-americano, fechou a sessão a US$ 91,01 por barril. A instabilidade no Estreito de Ormuz, importante rota de transporte de petróleo e derivados no Oriente Médio, aumentou a preocupação dos mercados com possíveis interrupções no fornecimento global.
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O movimento chama atenção porque ocorre em sentido contrário ao comportamento normalmente esperado para o período. A demanda por gasolina nos Estados Unidos caiu de 9,04 milhões para 8,92 milhões de barris por dia na última semana analisada pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA). A menor procura ajuda normalmente a reduzir os preços no fim do verão norte-americano, mas o encarecimento do petróleo tem compensado esse efeito.
A diferença de preços também é expressiva entre os estados. Em 3 de setembro, a Califórnia apresentava a maior média do país, de US$ 5,78 por galão, seguida por Washington, com US$ 5,47, e Havaí, com US$ 5,41. Na outra ponta, regiões produtoras e com maior concentração de infraestrutura de refino apresentam preços significativamente menores.
A disparidade regional permanece evidente nos dados oficiais da EIA. Na semana encerrada em 31 de agosto, a gasolina regular custava em média US$ 5,206 por galão na Costa Oeste, enquanto na Costa do Golfo, região que concentra importante parcela da capacidade de refino norte-americana, o preço era de US$ 3,618.
Outro componente do cenário é o mercado internacional de derivados. Dados da EIA indicam que as exportações norte-americanas de destilados e combustível de aviação alcançaram níveis elevados no segundo trimestre de 2026, em razão das disrupções provocadas pela situação no Oriente Médio e da necessidade de outros mercados compensarem perdas de oferta.
Em 7 de setembro, a AAA registrava média nacional de US$ 4,1505 por galão, enquanto a Califórnia chegava a US$ 5,8602. Isso equivale a aproximadamente US$ 1,10 por litro na média nacional e US$ 1,55 por litro na Califórnia.
O cenário coloca o preço dos combustíveis novamente entre os indicadores de maior impacto sobre o orçamento das famílias norte-americanas. Como a gasolina tem relação direta com o custo de transporte, logística e deslocamento, uma alta persistente pode ampliar a pressão sobre outros preços da economia. A evolução dependerá principalmente do comportamento do petróleo e da capacidade de normalização do abastecimento internacional.
USA X BRA
O galão americano equivale a 3,785 litros no Brasil. Ao preço médio de US$ 4,1505 por galão no Labor Day, pela cotação de R$ 5,1253 por dólar, o combustível americano corresponde a aproximadamente R$ 5,62 por litro. O preço brasileiro refere-se à gasolina C, que contém 30% de etanol anidro, enquanto o dado americano é da gasolina regular.
No Brasil, a gasolina C tinha preço médio nacional de R$ 6,53 por litro no levantamento mais recente, o que significa que, na conversão direta pela taxa de câmbio, o litro da gasolina brasileira custava cerca de 16% mais que o equivalente americano.
Nos Estados Unidos, a gasolina é o principal combustível da frota de veículos leves e responde por cerca de 91% do consumo do país. No Brasil, a estrutura é diferente: 80,5% da frota de veículos leves é flex-fuel, podendo utilizar gasolina ou etanol, enquanto apenas 9,9% é formada por veículos exclusivamente a gasolina. Isso significa que o percentual de carros “a gasolina” no Brasil subestima a quantidade de veículos que efetivamente podem consumir gasolina.
Com informações da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA).
Acesse o U.S. Energy Information Administration (EIA)
Acesse o AAA Fuel Prices