25 anos depois, o '11 de Setembro' continua inacreditável
Ataques de 2001 mataram 2.977 pessoas de 90 países, provocaram bilhões de dólares em perdas e deixaram consequências econômicas, militares e de saúde que continuam sendo contabilizadas
11 SET 2026 - 10H39 • Por Wilson LopesEm 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da organização extremista al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais e transformaram as aeronaves em armas contra os Estados Unidos. Os ataques atingiram o World Trade Center, em Nova York, o Pentágono, na Virgínia, e, após a reação dos passageiros, uma área rural da Pensilvânia.
Ao todo, 2.977 pessoas de 90 países morreram, em um episódio que alterou a política de segurança, a atuação militar dos Estados Unidos e a vida de milhares de sobreviventes e socorristas.
Os dois primeiros ataques ocorreram em Nova York. Às 8h46, um avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center. Dezessete minutos depois, outro avião atingiu a Torre Sul. As duas estruturas, que chegavam a receber dezenas de milhares de trabalhadores diariamente, desabaram em menos de 90 minutos após o primeiro impacto. Mais de 2.600 pessoas morreram no complexo.
Às 9h37, uma terceira aeronave atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Arlington, na Virgínia. Pouco depois, às 10h03, o voo United 93 caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia. A ‘Comissão de 11 de Setembro’ concluiu que o avião provavelmente tinha como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, mas os passageiros reagiram após tomarem conhecimento de que outros aviões haviam sido usados nos ataques.
As vítimas estavam ligadas a 90 países, transformando o atentado em uma tragédia de dimensão internacional. Nova York concentrou 2.753 mortos, o Pentágono registrou 184 e outras 40 pessoas morreram no voo 93. Os números não incluem os 19 sequestradores.
Redes extremistas internacionais
A investigação oficial apontou que o ataque foi planejado pela al-Qaeda, organização liderada por Osama bin Laden. A trajetória da organização estava relacionada à guerra no Afeganistão, à criação de redes extremistas internacionais e à crescente oposição de bin Laden aos Estados Unidos. O regime Talibã, que controlava grande parte do Afeganistão, ofereceu abrigo a bin Laden e à al-Qaeda.
O relatório da ‘Comissão de 11 de Setembro’ também identificou falhas na prevenção. Informações sobre a ameaça terrorista estavam espalhadas entre diferentes órgãos do governo e não foram reunidas de forma eficaz. Os 19 sequestradores conseguiram superar os procedimentos de segurança dos quatro voos. Na avaliação da comissão, o sistema de defesa aérea também não estava preparado para a utilização de aviões comerciais como armas.
Impacto econômico e 91.500 empregos perdidos
O impacto econômico foi igualmente amplo. Estudos analisados pelo ‘Government Accountability Office’ estimaram que as perdas diretas e indiretas relacionadas à destruição do World Trade Center chegaram a cerca de US$ 83 bilhões em valores de 2001. As estimativas, porém, variam de acordo com a metodologia e o período analisado, e parte do impacto não pode ser separada com precisão dos efeitos da recessão econômica que já afetava os Estados Unidos naquele momento.
Em Nova York, o choque também provocou perda de empregos e renda. Uma estimativa posteriormente analisada pelo GAO apontou aproximadamente 91.500 empregos e US$ 22 bilhões em rendimentos perdidos até o fim do ano fiscal de 2003. O impacto atingiu setores como transporte, hotelaria, restaurantes, serviços financeiros e comércio.
Consequências para a saúde de 150 mil pessoas
As consequências para a saúde continuam décadas depois. Pessoas que participaram do resgate, da limpeza e da recuperação, assim como moradores, trabalhadores e estudantes das áreas afetadas, foram expostas à poeira, fumaça e diferentes contaminantes. O programa federal de saúde criado para atender essa população reúne atualmente quase 150 mil integrantes e oferece acompanhamento e tratamento para doenças relacionadas às exposições do 11 de Setembro.
No campo internacional, a principal consequência imediata foi a mudança da política externa e de segurança dos Estados Unidos. Menos de um mês depois dos ataques, em 7 de outubro de 2001, os EUA e seus aliados iniciaram uma campanha militar no Afeganistão contra instalações terroristas e posições militares e políticas do Talibã. O conflito se transformaria em uma das guerras mais longas da história militar norte-americana.
Mudanças na aviação, sistema de inteligência e controle de fronteiras
O 11 de Setembro também levou a uma profunda reorganização da segurança interna dos Estados Unidos, com mudanças na aviação, no compartilhamento de informações de inteligência, no controle de fronteiras e na estrutura federal de combate ao terrorismo. A criação da Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas, em 2002, teve justamente o objetivo de reconstruir as circunstâncias que permitiram os ataques e formular recomendações para evitar uma nova ocorrência.
Vinte e cinco anos depois, os dados mostram que o 11 de Setembro não pode ser medido apenas pelas mortes ocorridas naquela manhã. O ataque produziu perdas humanas imediatas, prejuízos econômicos, mudanças na segurança internacional e efeitos sanitários que permanecem entre sobreviventes e profissionais envolvidos no resgate. A dimensão do episódio, portanto, está tanto nos 2.977 mortos daquele dia quanto nas consequências que continuam sendo contabilizadas.
Memorial do 11 de Setembro
O Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, foi construído no local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center e inaugurado em 11 de setembro de 2011, dez anos após os ataques. O espaço é formado por duas grandes piscinas quadradas instaladas nas fundações das torres, cercadas pelos nomes das 2.977 vítimas dos atentados de 2001 e do ataque de 1993 ao World Trade Center. Além de preservar a memória das pessoas mortas, o memorial integra um complexo que busca documentar os acontecimentos e seus impactos históricos, sociais e humanos.
Observação:
No Brasil, adota-se o formato dia/mês para escrever datas, por isso 11/09 significa 11 de setembro. Nos Estados Unidos, é comum usar mês/dia, então 9/11 significa exatamente a mesma data: September 11, ou 11 de setembro.
Com informações da Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas.
@usgao @911memorial
Acesse o 9/11 Memorial & Museum
Acesse o relatório THE 9/11 COMMISSION REPORT - National Commission on Terrorist Attacks Upon the United States
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