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Segurança viária

Distrito Federal, Rio de Janeiro e Goiás são os estados com maior segurança no trânsito

Levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária mostra diferenças na gestão, fiscalização, educação, infraestrutura, segurança veicular e mortalidade no trânsito

20 SET 2026 - 09H31 • Por Wilson Lopes
Goiás lidera registros de excesso de velocidade e uso de celular, em decorrência de maior de abuso de velocidade ou maior abrangência dos sistemas de fiscalização eletrônica - Goiânia (GO) - Arquivo Cidades
O resultado mostra que a segurança no trânsito não segue simplesmente uma divisão entre regiões mais e menos desenvolvidas

A segurança viária apresenta diferenças expressivas entre as Unidades da Federação brasileiras. É o que mostra a edição 2026 do IRIS – Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança, elaborado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) com dados referentes a 2024. Na classificação geral, o Distrito Federal obteve 4 estrelas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 3,9, e por Goiás, com 3,8. Na outra ponta, Amazonas registrou 1,9 estrela, enquanto Acre e Amapá ficaram com 2,0. 

O levantamento compara os resultados de 2024 com os dados utilizados na edição anterior, referentes a 2023, e procura medir a segurança viária a partir de sete dimensões. São os seis pilares previstos no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) — gestão da segurança, vias seguras, segurança veicular, educação, atendimento às vítimas e normatização e fiscalização — acrescidos pelo ONSV de um sétimo pilar, dedicado aos indicadores de mortalidade

O resultado mostra que a segurança no trânsito não segue simplesmente uma divisão entre regiões mais e menos desenvolvidas. Estados vizinhos apresentam desempenhos bastante diferentes, e unidades de uma mesma região aparecem em posições distintas. Segundo o relatório, as diferenças estão associadas principalmente a condições institucionais, operacionais, tecnológicas e de gestão específicas de cada Estado.

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Goiás aparece entre os primeiros, mas com desempenhos diferentes entre os indicadores

O resultado de Goiás chama atenção porque o estado aparece na terceira posição da classificação geral, com 3,8 estrelas. No entanto, a leitura dos diferentes pilares mostra que esse desempenho não é uniforme.

Na Gestão da Segurança no Trânsito, Goiás ficou na faixa de quatro estrelas, com nota 6,171, atrás de Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. 

Já em Normatização e Fiscalização, Goiás aparece em posição ainda mais elevada: é o segundo colocado, com nota 4,723, atrás somente do Distrito Federal, que obteve nota 10. Ceará, São Paulo, Tocantins e Paraná também integram a faixa de cinco estrelas. 

O Estado também aparece entre os que apresentam as maiores taxas de autuações proporcionais à frota. O relatório ressalta, porém, que esse resultado não pode ser interpretado automaticamente como maior ocorrência de comportamento inadequado. Uma taxa elevada pode refletir uma fiscalização mais ampla e eficiente e uma maior capacidade de registrar as infrações. 

Goiás lidera registros de excesso de velocidade e uso de celular

O Estado aparece ainda entre aqueles com maior número de registros de infrações por excesso de velocidade. Distrito Federal, Goiás e Roraima lideram esse indicador. O ONSV aponta duas possibilidades para esse resultado: maior ocorrência de abuso de velocidade ou maior abrangência dos sistemas de fiscalização eletrônica. 

A mesma situação ocorre com o uso de celular ao volante. Goiás, Distrito Federal e São Paulo apresentam as maiores taxas de infrações registradas. O estudo associa o resultado, entre outras possibilidades, a investimentos na capacitação dos agentes e a ações educativas. Estados com poucos registros podem, por outro lado, estar subnotificando as ocorrências devido à menor fiscalização. 

Esse é um dos principais paradoxos do estudo: mais infrações registradas não significam necessariamente um trânsito menos seguro. Dependendo do indicador, o número elevado pode ser consequência justamente da existência de mecanismos de fiscalização mais abrangentes.

O próprio ONSV alerta que índices muito baixos de determinadas infrações também não devem ser automaticamente associados a um comportamento melhor dos motoristas, porque podem resultar de fiscalização insuficiente ou de problemas de registro. 

O problema dos dados: apenas cinco estados apresentaram informações suficientemente completas

Um dos pontos mais relevantes do relatório está fora do ranking: a qualidade das informações utilizadas para administrar a segurança viária.

No Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), apenas cinco estados apresentaram informações consideradas suficientemente completas. Nos demais, o levantamento identificou elevada proporção de campos indisponíveis. 

A deficiência compromete a capacidade de produzir diagnósticos precisos e comparar a realidade dos Estados. Sem registros completos, torna-se mais difícil identificar onde estão os principais problemas, estabelecer metas e avaliar se determinada política pública produziu resultado.

O estudo também identificou diferenças na transparência dos portais dos Detrans. Sergipe, São Paulo e Espírito Santo foram apontados entre os estados com maior nível de informações disponíveis, enquanto Roraima, Tocantins e Piauí apresentaram portais com ausência de informações básicas de gestão. 

Mais de 25 anos depois do Código de Trânsito, municípios ainda não estão integrados ao sistema nacional

Outro problema identificado está na integração municipal ao Sistema Nacional de Trânsito (SNT).

O relatório afirma que uma parcela significativa dos municípios brasileiros ainda não está formalmente integrada ao sistema, mesmo após mais de 25 anos da criação do novo Código de Trânsito Brasileiro. Sem essa integração, os municípios ficam impedidos de exercer plenamente atribuições como engenharia de tráfego, educação para o trânsito e fiscalização

Mato Grosso do Sul e Distrito Federal aparecem entre as unidades com maiores índices de integração municipal. Tocantins e Piauí, por outro lado, apresentam parcelas pequenas de municípios integrados.

O Distrito Federal obteve a maior classificação geral, com 4 estrelas, e também aparece na liderança de diferentes indicadores específicos (Flávio Almeida/Detran-DF)

Distrito Federal tem a maior nota geral

O Distrito Federal obteve a maior classificação geral, com 4 estrelas, e também aparece na liderança de diferentes indicadores específicos.

Na gestão da segurança viária, recebeu nota 10, a maior do estudo. Na normatização e fiscalização, também alcançou nota 10 e ficou muito à frente de Goiás, segundo colocado com 4,723.  

O resultado do DF é particularmente relevante porque a unidade federativa também aparece entre as que possuem maior taxa de câmeras de fiscalização por mil veículos, ao lado de Goiás e Ceará. 

Rio de Janeiro tem a maior nota no pilar Educação

O Rio de Janeiro, segundo colocado na classificação geral, obteve a maior nota no pilar de Educação para o Trânsito, com 10 pontos. Rio Grande do Sul, Sergipe, Pernambuco, Espírito Santo e Bahia também ficaram na faixa de cinco estrelas. 

O resultado contrasta com o desempenho de Roraima, que recebeu nota zero nesse pilar.

Na comparação com 2023, o Piauí registrou o maior crescimento percentual, 95,16%, seguido por Pará, com 42,36%, e Rio de Janeiro, com 39,18%. Roraima apresentou redução de 100%, Mato Grosso de 46,51% e Amapá de 37,06%. 

Esses percentuais, contudo, precisam ser interpretados com cautela. Uma grande variação percentual pode ocorrer quando a nota inicial é muito baixa. O próprio relatório recomenda observar simultaneamente a variação e os valores absolutos. 

Roraima teve forte avanço, enquanto Acre e Amapá recuaram

Na comparação geral entre 2023 e 2024, Roraima registrou o maior avanço da classificação média, seguido por Pará, Piauí, Bahia e Minas Gerais. Acre e Amapá apresentaram as maiores reduções. 

O comportamento também foi bastante diferente entre estados próximos. No Nordeste, por exemplo, Bahia e Piauí avançaram no pilar de gestão, enquanto Maranhão e Pernambuco recuaram. No Norte, Roraima teve evolução positiva. O estudo não identificou uma tendência regional uniforme. 

No pilar de Normatização e Fiscalização, Roraima apresentou crescimento de 210,52%, seguido por Santa Catarina, com 61,51%, e Rondônia, com 59,32%. Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro tiveram reduções. 

Fonte: IRIS – Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança 2026

O que o IRIS não permite concluir

Apesar do formato de classificação, o próprio ONSV faz uma ressalva metodológica importante: o IRIS não é uma medida absoluta de segurança viária.

As notas são relativas. Uma unidade da Federação que obtém nota 10 em determinado indicador significa que apresentou o melhor resultado entre as unidades avaliadas naquele indicador — e não que tenha alcançado uma situação perfeita. 

Há outra limitação importante: embora o IRIS seja estruturado em sete pilares, a publicação dedica sua análise detalhada principalmente à Gestão da Segurança, Educação e Normatização e Fiscalização. Os demais pilares aparecem em informações complementares, com tabelas e mapas comparativos. 

Por isso, a classificação geral deve ser lida como uma ferramenta de comparação e identificação de desigualdades, e não como um diagnóstico definitivo de que determinado Estado possui um trânsito necessariamente mais seguro que outro.

O relatório recomenda justamente o fortalecimento da integração das bases de dados, a melhoria da qualidade das informações, o apoio técnico às unidades com menor capacidade institucional e a expansão da fiscalização baseada em evidências. 

Com informações do Observatório Nacional de Segurança Viária.
@onsvoficial @observatorionsv @governogoias @govrj @gov_df

Acesse o IRIS – Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança 2026