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World Cleanup Day: 20/09

Plástico, o inimigo das praias brasileiras

De garrafas PET com rótulos em chinês a embalagens de alimentos, plástico representa até 85% dos resíduos encontrados em praias do país

20 SET 2026 - 11H14 • Por Wilson Lopes
O World Cleanup Day em Vitória, no Espírito Santo, rendeu, em 2025, um mosaico, feito com 50 toneladas de resíduos coletados ao longo da semana - Alan Rodrigues Costa/Prefeitura Vitória (ES)

Mutirões de limpeza realizados em praias da Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco e São Paulo mobilizam voluntários ao longo de setembro como parte das ações relacionadas ao World Cleanup Day, o Dia Mundial da Limpeza. O levantamento da Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar) mostra que o problema não está apenas na quantidade de lixo retirado, mas principalmente na composição dos resíduos: o plástico representou 51% dos itens registrados em 2025 e chegou a 85% nas amostras submetidas à triagem detalhada.

As ações envolvem escolas, comunidades, organizações locais, gestores públicos e voluntários. Os resíduos recolhidos são separados, pesados e classificados, transformando a limpeza das praias também em uma atividade de coleta de informações sobre a poluição costeira.

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Desde 2018, as ações integradas da Rede Biomar reuniram mais de 4,4 mil voluntários e retiraram aproximadamente 17 toneladas de resíduos do litoral brasileiro (Prefeitura Aracruz/SE)

Mais de 4,4 mil voluntários desde 2018

Desde 2018, as ações integradas da Rede Biomar reuniram mais de 4,4 mil voluntários e retiraram aproximadamente 17 toneladas de resíduos do litoral brasileiro. Em 2025, foram 1.813 participantes, que percorreram 28 quilômetros de faixa litorânea.

Naquele ano, as equipes recolheram 4,7 toneladas de resíduos, distribuídas em 557 sacos, e registraram 32.013 itens. A triagem consumiu 127 horas e analisou o conteúdo de 194 sacos.

A diferença entre peso e quantidade ajuda a dimensionar o problema. Embora o plástico tenha correspondido a 36,6% do peso total coletado — cerca de 1,7 tonelada —, representou 51% de todos os objetos registrados. Quando consideradas as amostras submetidas a uma classificação mais detalhada, sua participação chegou a 85%.

Prado registra 3,3 mil itens em dois quilômetros

A primeira ação da Rede Biomar em 2026 ocorreu em Prado, no sul da Bahia, em 13 de setembro. Em uma hora de coleta, 87 voluntários percorreram dois quilômetros e retiraram 59 sacos de resíduos, totalizando 418 quilos e 3.337 itens.

O plástico correspondeu a 2.536 objetos. Entre eles estavam 516 garrafas PET, 485 embalagens de alimentos e 467 itens plásticos descartáveis. Também foram encontradas 314 garrafas long neck.

O resultado evidencia uma característica da poluição costeira: o volume físico do material recolhido pode ser menos revelador do que a quantidade de objetos descartados. Pequenos fragmentos e embalagens podem representar milhares de itens, mesmo quando seu peso é relativamente baixo.

Resíduos atravessam décadas e fronteiras

As equipes também encontraram materiais cuja presença nas praias demonstra a persistência dos resíduos no ambiente. Em Arraial d’Ajuda, na Bahia, e Barreiros, em Pernambuco, foram localizados fardos de borracha associados a cargas de navios alemães afundados no Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial.

Em Prado e Barreiros, também foram encontradas garrafas PET com rótulos em chinês. Os achados são compatíveis com a possibilidade de dispersão dos resíduos por correntes marítimas, ventos e outras formas de transporte, embora a origem específica de cada objeto não possa ser determinada apenas pela coleta.

A programação de setembro contempla municípios de cinco estados: Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco e São Paulo (Prefeitura Aracruz/SE)

Dez cidades integram a programação

A programação de setembro contempla municípios de cinco estados. Na Bahia, estão previstas ações em Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Cumuruxatiba, Prado e Mucuri. No Rio de Janeiro, participam Macaé e a capital fluminense. Maceió, em Alagoas, Barreiros, em Pernambuco, e São Sebastião, em São Paulo, também integram o calendário.

No Rio de Janeiro, uma ação na Praia de Copacabana é organizada pelo Instituto Limpa Brasil dentro da mobilização do Dia Mundial da Limpeza. A entidade também trabalha com a proposta de ampliar a participação voluntária nas ações realizadas no país.

Limpeza também gera dados ambientais

A programação brasileira acompanha o movimento internacional do World Cleanup Day, marcado para 20 de setembro de 2026. A organização internacional informa que a mobilização já envolveu mais de 139 milhões de pessoas em 212 países e territórios ao longo de suas campanhas. Desde 2024, o Dia Mundial da Limpeza integra o calendário oficial de Dias Internacionais das Nações Unidas.

Além da retirada dos resíduos, a classificação dos materiais permite identificar padrões de descarte e composição do lixo encontrado nas praias. Segundo a Biomar, esses dados podem contribuir para diagnósticos ambientais, pesquisas, campanhas educativas e políticas de proteção dos oceanos.

O resultado das ações, portanto, produz duas informações diferentes: quanto lixo é retirado e que tipo de lixo está chegando ao litoral. No levantamento mais recente, o plástico aparece como o principal componente por quantidade, reforçando a importância de acompanhar não apenas o volume de resíduos recolhidos, mas também sua composição e distribuição geográfica.

Com informações da Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar).
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