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Brasileiro acumula quase 2 mil horas de trabalho por ano, 658 a mais que o alemão

O dado brasileiro corresponde a aproximadamente 249 jornadas de oito horas ao longo do ano, enquanto o alemão equivale a cerca de 167 dias de trabalho

25 SET 2026 - 08H19 • Por Wilson Lopes
O volume de horas, sozinho, não permite concluir quanto uma economia produz, quanto cada trabalhador gera de valor ou qual é a eficiência de suas empresas - Andrew Aragão - Prefeitura Lucas Rio Verde (MT)

O trabalhador brasileiro cumpriu, em média, 1.993,7 horas de trabalho em 2023, segundo dados da Penn World Table (PWT) 11.0, base internacional produzida pelo Groningen Growth and Development Centre, da Universidade de Groningen, na Holanda. 

O volume ficou 658,5 horas acima do registrado na Alemanha, onde a média foi de 1.335,3 horas. Apesar da diferença de tempo trabalhado, os próprios dados da base mostram que o Brasil apresenta uma produção econômica por hora muito inferior à alemã, evidenciando que quantidade de trabalho e produtividade são indicadores distintos.

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O dado brasileiro corresponde a aproximadamente 249 jornadas de oito horas ao longo do ano, enquanto o alemão equivale a cerca de 167 jornadas. A diferença é de 658,4 horas anuais, o equivalente a aproximadamente 82 jornadas de oito horas. Se essa diferença fosse convertida, apenas para efeito de comparação, em meses de 160 horas de trabalho, corresponderia a pouco mais de quatro meses.

Entre os países destacados na comparação, o Paraguai apresenta o maior volume, com 2.122,6 horas anuais por trabalhador. O Brasil aparece em seguida, com 1.993,7 horas. Nos Estados Unidos, a média foi de 1.788,9 horas; na Itália, 1.701,4; no Reino Unido, 1.522,8; na França, 1.487,1; e na Alemanha, 1.335,3 horas.

A média anual de horas trabalhadas no Brasil é 658,4 horas superior à da Alemanha, uma diferença de 49,3% em relação à média alemã. Em relação ao Paraguai, o Brasil registra 128,9 horas a menos por trabalhador no ano.

Produção por trabalhador ou por hora trabalhada

Os dados também mostram que a relação entre tempo de trabalho e resultado econômico não é linear. A produtividade do trabalho é normalmente expressa como produção por trabalhador ou por hora trabalhada. A Organização Internacional do Trabalho utiliza essas duas abordagens e destaca que a produtividade por hora é uma medida da quantidade de produção associada a uma unidade de trabalho.

Aplicando uma conta derivada das variáveis da PWT — PIB real pelo lado da produção, número de pessoas ocupadas e horas anuais — o Brasil alcança aproximadamente US$ 20 de produção por hora, enquanto a Alemanha chega a cerca de US$ 82,5, em dólares internacionais de 2021. A comparação não deve ser confundida com um ranking oficial da OIT, mas ilustra a diferença entre o tempo dedicado ao trabalho e o valor econômico produzido nesse período.

Os Estados Unidos apresentam situação semelhante à Alemanha nesse aspecto. Apesar de registrarem 1.788,9 horas anuais, abaixo das 1.993,7 horas brasileiras, a produção estimada por hora chega a aproximadamente US$ 83,5 na mesma metodologia derivada dos dados da PWT.

Na Itália, o número de horas é de 1.701,4 e a produção calculada por hora fica em aproximadamente US$ 67,2. No Reino Unido, são 1.522,8 horas e cerca de US$ 68 por hora. Na França, 1.487,1 horas e aproximadamente US$ 77,7.

O caso alemão chama atenção porque combina o menor número de horas entre os sete países apresentados no infográfico com uma das maiores produções econômicas estimadas por hora. Isso não significa, isoladamente, que a menor jornada provoque maior produtividade. A produtividade também depende de capital, tecnologia, qualificação, organização produtiva, composição setorial da economia e outros fatores.

O Brasil alcança aproximadamente US$ 20 de produção por hora, enquanto a Alemanha chega a cerca de US$ 82,5 (Francisco Barros - Prefeitura Palmas/TO)

Renda, produção, insumos e produtividade

A PWT 11.0 reúne informações sobre renda, produção, insumos e produtividade de 185 países, cobrindo o período de 1950 a 2023. A edição foi lançada em outubro de 2025 e incorporou, entre outras atualizações, novos dados de paridade do poder de compra e contas nacionais. 

No estudo apresentado, apenas 130 dos 185 países possuem informação de horas trabalhadas para 2023. Além disso, a PWT e a OIT utilizam bases e metodologias próprias. A OIT mantém séries específicas sobre produtividade por hora trabalhada e horas de trabalho, incluindo estimativas modeladas para diversos países.

No Brasil, dados mais recentes da OIT indicam que a média de horas efetivamente trabalhadas por pessoa ocupada foi de 38,9 horas por semana em 2024, segundo dados provenientes da PNAD Contínua. Esse indicador não deve ser comparado diretamente com as 1.993,7 horas anuais da PWT sem considerar as diferenças metodológicas entre as séries.

O principal ponto revelado pelos números é, portanto, a distância entre tempo trabalhado e produtividade. O volume de horas, sozinho, não permite concluir quanto uma economia produz, quanto cada trabalhador gera de valor ou qual é a eficiência de suas empresas.

No Brasil, dados mais recentes da OIT indicam que a média de horas efetivamente trabalhadas por pessoa ocupada foi de 38,9 horas por semana em 2024 (Tomaz Silva/ABr)

Com informações do Groningen Growth and Development Centre, da Universidade de Groningen.
@universityofgroningen @ilo.org

Acesse o Penn World Table 11.0 — Groningen Growth and Development Centre

Acesse o Labour productivity da Organização Internacional do Trabalho (OIT/ILO)