No esporte, portugueses são os mais 'desmotivados' da Europa
Pesquisa da Comissão Europeia mostra que 68% dos portugueses nunca praticam esporte, maior índice dos 27 países da União Europeia
26 SET 2026 - 09H57 • Por Wilson LopesPortugal apresenta o maior percentual da União Europeia de pessoas que afirmam nunca praticar exercício ou esporte: 68%, segundo o Special Eurobarometer 574, da Comissão Europeia, realizado entre abril e maio de 2026. Apenas 25% dos portugueses dizem praticar esporte pelo menos várias vezes por semana, percentual que empata com o registrado na Bulgária e fica muito abaixo da média de 47% dos 27 países do bloco.
O levantamento mostra que 39% dos europeus nunca praticam esporte, enquanto 38% o fazem várias vezes por semana e 9% quase diariamente. Em comparação com 2022, houve redução de seis pontos percentuais na parcela que nunca pratica e aumento de três pontos entre aqueles que praticam quase diariamente.
Portugal aparece na outra extremidade do ranking. Além dos 68% que nunca praticam, somente 25% atingem a frequência de pelo menos várias vezes por semana. Na outra ponta, os maiores índices são registrados na Finlândia, com 80%, nos Países Baixos, com 75%, na Dinamarca, com 74%, e na Suécia, com 73%.
A diferença portuguesa também aparece quando o conceito é ampliado para atividades físicas que não são necessariamente consideradas esporte. O levantamento inclui deslocamentos a pé ou de bicicleta, dança, jardinagem e outras atividades recreativas. Na União Europeia, 71% realizam esse tipo de atividade pelo menos várias vezes por semana. Em Portugal, o índice cai para 40%, o menor entre os 27 países.
A caminhada apresenta outro indicador de baixa atividade física. Na média europeia, 72% afirmam caminhar por pelo menos dez minutos de quatro a sete dias por semana. Em Portugal, essa proporção é de apenas 39%, enquanto 30% dizem nunca caminhar por pelo menos dez minutos em uma semana habitual.
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Falta de motivação supera falta de tempo em Portugal
A principal barreira apontada pelos portugueses também se diferencia do padrão europeu. Na União Europeia, 37% apontam a falta de tempo como motivo para não praticarem mais atividade física, seguida por falta de motivação ou interesse, com 26%, e problemas de saúde ou lesões, com 15%.
Portugal é a exceção: a falta de motivação ou interesse é o obstáculo mais citado no país, enquanto a falta de tempo não ocupa a primeira posição.
O resultado contrasta com a percepção dos portugueses sobre a infraestrutura pública. 63% consideram que a autoridade local não faz o suficiente em relação às atividades físicas, percentual superior à média europeia de 47%.
Jovens são mais ativos e diferenças sociais aparecem no levantamento
O relatório identifica diferenças importantes segundo idade, escolaridade, situação profissional e condição financeira. Na média da União Europeia, 73% dos jovens entre 15 e 24 anos praticam esporte pelo menos várias vezes por semana. O percentual cai progressivamente com a idade e chega a 25% entre pessoas com 75 anos ou mais.
A escolaridade também está associada à frequência de prática. Entre aqueles que estudaram até os 20 anos ou mais, 59% praticam esporte pelo menos várias vezes por semana. O percentual cai para 39% entre os que deixaram os estudos entre 16 e 19 anos e para 23% entre aqueles que encerraram a escolaridade aos 15 anos ou antes.
A situação financeira apresenta padrão semelhante. Entre os europeus que quase nunca ou nunca têm dificuldade para pagar as contas, 41% praticam esporte várias vezes por semana. O índice cai para 32% entre aqueles que enfrentam dificuldades ocasionalmente e para 26% entre os que têm dificuldades na maior parte do tempo.
O relatório também aponta diferenças territoriais: moradores de cidades grandes apresentam frequência de prática esportiva de 50%, contra 49% em cidades pequenas ou médias e 43% em áreas rurais ou vilas.
A atividade física é associada à saúde e ao bem-estar
Apesar da baixa frequência de prática em parte da população, a percepção sobre os benefícios é amplamente positiva. 93% dos europeus concordam que exercício, esporte e atividade física contribuem para melhorar a saúde mental, enquanto 86% associam essas práticas à construção de comunidade e 85% afirmam que elas podem melhorar o bem-estar de grupos marginalizados.
Na média da UE, melhorar ou manter a saúde física é o principal motivo para praticar exercício ou esporte, citado por 44% dos entrevistados. Relaxar aparece em seguida, com 39%, enquanto melhorar o desempenho físico e deslocar-se de um lugar para outro aparecem com 30% cada.
O levantamento foi realizado com 26.508 pessoas, entre 9 de abril e 4 de maio de 2026, nos 27 Estados-membros da União Europeia. A pesquisa foi encomendada pela Comissão Europeia, por meio da Direção-Geral de Educação, Juventude, Esporte e Cultura (DG EAC), e integra a série histórica do Eurobarómetro.
BRASIL X UNIÃO EUROPEIA
No Brasil, o cenário também aponta para um desafio de ampliar a prática regular de atividade física. Segundo o Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, 42,3% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal** atingiram, no tempo livre, pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada — ou 75 minutos de atividade vigorosa. O indicador vem crescendo no longo prazo, de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024, mas permaneceu relativamente estável entre 2019 e 2024.
Importante: esse dado brasileiro não pode ser comparado diretamente aos 39% de europeus que nunca praticam esporte ou exercício, porque as pesquisas utilizam conceitos e metodologias diferentes. O Vigitel mede o cumprimento de um limite semanal de atividade física, enquanto o Eurobarômetro pergunta sobre a frequência com que a pessoa pratica esporte ou exercício. Assim, a comparação é válida como contextualização, mas não como equivalência estatística.
Com informações da Comissão Europeia.
@europeancommission @comissao_europeia_pt
Acesse o Special Eurobarometer 574 – Sport and physical activity
Acesse o VIGITEL BRASIL 2006-2024