Logo Agência Cidades

Fogo na floresta!

Qualidade do ar atinge nível "péssimo" em Manaus

Fumaça de queimadas faz a capital do Amazonas registrar 188,5 µg/m³ de partículas no ar, quase quatro vezes superior ao padrão intermediário nacional

25 SET 2026 - 08H17 • Por Wilson Lopes
O agravamento da qualidade do ar levou o prefeito a reunir o Comitê de Crise Climática para discutir medidas de enfrentamento aos efeitos da fumaça provocada por queimadas no Amazonas e em áreas vizinhas - @defesacivilmanaus

A Prefeitura de Manaus colocou a capital amazonense em estado de atenção (23/09), após a concentração média de partículas finas (MP2,5) atingir 188,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³), nível classificado como “péssimo” pelo índice brasileiro de qualidade do ar e quase quatro vezes superior ao padrão intermediário nacional de 50 µg/m³ para exposição de 24 horas.

O agravamento da qualidade do ar levou o prefeito Renato Junior a reunir o Comitê de Crise Climática para discutir medidas de enfrentamento aos efeitos da fumaça provocada por queimadas no Amazonas e em áreas vizinhas.

O episódio ocorre durante o período de estiagem na região amazônica e representa uma piora significativa em relação ao início do mês. Em 9 de setembro, a concentração de MP2,5 havia chegado a 87,6 µg/m³, índice considerado “muito ruim”. Em 17 de setembro, a média alcançou 94,7 µg/m³, também classificada como “muito ruim”. Seis dias depois, o indicador chegou a 188,5 µg/m³.

A fumaça que alcança Manaus não está necessariamente relacionada aos focos registrados dentro da própria capital. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pela Prefeitura, Manaus contabilizava 37 dos 5.768 focos registrados no Amazonas em 2026, o equivalente a 0,6% do total estadual. A cidade aparecia na 28.ª posição entre os municípios amazonenses em número de focos.

A origem da fumaça varia conforme as condições atmosféricas. Em 9 de setembro, a Defesa Civil informou que o material era proveniente de áreas de queimadas ao sul do Amazonas, no norte de Mato Grosso e em Rondônia. A circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera transportou a fumaça em direção à capital. Na ocasião, a prefeitura relacionou a mudança temporária no padrão dos ventos ao avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país.

Em 17 de setembro, a Prefeitura apontou principalmente os municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru como áreas de origem da fumaça que atingia a Região Metropolitana de Manaus. Já em 23 de setembro, a administração municipal informou que o material vinha de diversas regiões da Amazônia, principalmente da Região Metropolitana e do leste do Amazonas.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook

Amazonas registrou 757 focos de queimadas em 24 horas

O quadro estadual também chama atenção. De acordo com os dados do Inpe apresentados pela Prefeitura na reunião do Comitê de Crise, o Amazonas registrou 757 focos de queimadas nas 24 horas anteriores, enquanto Manaus tinha dois focos identificados no mesmo período. A Prefeitura informou ainda que nove municípios amazonenses estavam entre as dez cidades brasileiras com pior qualidade do ar, com Manaus na sétima posição.

Para reduzir os impactos, a administração municipal informou que utiliza dois drones para monitoramento de focos de incêndio, mantém ações de fiscalização e orientação e desenvolve iniciativas junto a produtores rurais para reduzir o uso do fogo. A Prefeitura também informou ter plantado mais de 45 mil mudas de árvores em 2026 e reforçado a rega durante o período de estiagem.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda reduzir a exposição à fumaça, evitar exercícios físicos ao ar livre nos períodos de pior qualidade do ar, manter a hidratação e proteger olhos e nariz. Quando a exposição for inevitável, a secretaria informa que máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas. 

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas estão entre os grupos que exigem maior atenção. Tosse persistente, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, falta de ar, chiado no peito e agravamento de crises de asma estão entre os sinais de alerta relacionados à exposição à fumaça.

Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Situações mais graves devem ser encaminhadas a serviços de pronto atendimento e, em emergências, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. Denúncias de queimadas na capital podem ser feitas à Guarda Municipal pelo 153, enquanto a Defesa Civil atende ocorrências de risco pelo 199.

Com informações da Prefeitura de Manaus.
@defesacivilmanaus @prefeiturademanaus @semsamanaus @semmas.manaus @semsegmanaus @ccc.manaus @semasc_manaus @semedmanaus @semefmanaus @semcommanaus
#DefesaCivilManaus #PrefeituraDeManaus #Prevenção #manaus

Assista ao alerta da Defesa Civil