Logo Agência Cidades

PSA Floresta

Campinas pagará até R$ 25,6 mil por ano a proprietários que preservarem mata nativa

Decreto estabelece pagamento de até R$ 1.279,90 por hectare ao ano, limitado a 20 hectares por beneficiário

1 OUT 2026 - 09H14 • Por Wilson Lopes
O programa foi criado para transformar a conservação de áreas naturais em um serviço ambiental passível de remuneração - Carlos Bassan/Prefeitura Campinas (SP)

A Prefeitura de Campinas, no interior de São Paulo, regulamentou o programa ISA Carbono – PSA Floresta, que prevê incentivos financeiros e apoio técnico a proprietários que conservam fragmentos de vegetação nativa no município. O Decreto nº 24.618 foi publicado no Diário Oficial em 9 de setembro de 2026 e estabelece pagamento máximo de R$ 1.279,90 por hectare ao ano, limitado a 20 hectares por beneficiário. No cenário de maior remuneração, uma propriedade classificada como em conformidade plena poderá receber até R$ 25.598 por ano.

O programa foi criado para transformar a conservação de áreas naturais em um serviço ambiental passível de remuneração. Segundo o decreto, a manutenção desses fragmentos contribui para conservar estoques de carbono, biodiversidade e recursos hídricos, além de auxiliar na regulação do clima.

A participação, porém, não será automática. Os proprietários interessados terão de ser habilitados por meio de editais de chamamento público e comprovar a titularidade do imóvel, além de apresentar documentação e informações sobre o fragmento de vegetação. A seleção ainda dependerá do enquadramento da área nos critérios estabelecidos pelo município.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook

Campinas está implantando a 27ª microfloresta urbana, na rotatória próxima ao Parque Hermógenes Leitão, Cidade Universitária, distrito de Barão Geraldo, com previsão de 3 mil mudas (Rogerio Capela/Prefeitura Campinas/SP)

Quem poderá participar

Na zona urbana, o imóvel precisa possuir mais de 1 hectare de vegetação florestal nativa. Na zona rural, o mínimo é superior a 2 hectares.

O decreto especifica os tipos de vegetação elegíveis: Floresta Estacional Semidecidual, Cerrado, Floresta Paludosa ou Mata Ciliar, desde que estejam em estágio médio ou avançado de regeneração. A propriedade também precisa estar localizada em área considerada prioritária para o ISA Carbono.

Outro requisito é a inexistência de processo administrativo por infração ambiental cuja penalidade ainda esteja pendente de cumprimento. O imóvel também precisa estar inscrito no Cadastro Municipal dos Provedores de Serviços Ambientais.

Quanto cada propriedade poderá receber

O decreto estabelece o teto de 250 UFIC por hectare ao ano. Considerando o valor da Unidade Fiscal de Campinas em 2026, isso corresponde a R$ 1.279,90 por hectare/ano. O pagamento será realizado uma vez por ano.

O percentual efetivamente pago dependerá da situação ambiental da propriedade.

Imóveis classificados como em conformidade plena poderão receber 100% do incentivo calculado. Nessa categoria estão propriedades que cumprem integralmente as obrigações ambientais e demonstram ações proativas para a prestação de serviços ambientais.

Já os imóveis classificados simplesmente como em conformidade receberão 50% do valor calculado. Aqueles classificados como em não conformidade não terão direito ao incentivo financeiro, mas poderão receber ações de conservação sem transferência direta de dinheiro.

O limite financeiro é calculado sobre, no máximo, 20 hectares de vegetação nativa por beneficiário. Assim, no teto de 250 UFIC por hectare e considerando a remuneração integral, o valor máximo chega a R$ 25.598 por ano.

Campinas comemora a marca de 728.451 árvores plantadas de 2021 até junho de 2026, em praças, canteiros, nos 25 parques e bosques da cidade e na Mata de Santa Genebra (Carlos Bassan/Prefeitura Campinas/SP)

Programa também prevê apoio técnico

O incentivo não será exclusivamente financeiro. O município poderá oferecer ações de manejo e regeneração da vegetação, recuperação de áreas nativas, práticas agroflorestais, conservação do solo, capacitação e apoio técnico.

Também poderá ser realizado o cercamento de áreas quando essa medida for considerada necessária para evitar processos de degradação.

A adesão será formalizada por contrato com duração de quatro anos. O acordo poderá ser renovado por períodos iguais e sucessivos, desde que sejam mantidas as condições exigidas e haja disponibilidade de recursos para o programa.

Fiscalização poderá usar drones e satélites

A permanência no programa será acompanhada pelo poder público. O decreto determina a realização de vistorias anuais nas propriedades beneficiárias.

A fiscalização poderá utilizar imagens de drones, satélites de alta resolução, modelagem de biomassa e outras tecnologias de sensoriamento remoto. A modelagem poderá ser usada para estimar o estoque de carbono e subsidiar decisões sobre concessão, manutenção ou revisão dos incentivos.

Caso o beneficiário descumpra as obrigações assumidas, poderá receber prazo de até seis meses para regularizar a situação. Se as irregularidades não forem corrigidas, a habilitação poderá ser revogada. Em caso de condutas lesivas ao meio ambiente, o decreto prevê suspensão imediata dos pagamentos e revogação da habilitação.

Empresas poderão financiar a conservação

O programa também prevê participação voluntária de pessoas físicas e jurídicas. Os recursos poderão ser destinados ao Fundo Municipal do Meio Ambiente (Proamb), repassados diretamente ao provedor ou destinados a uma entidade executora selecionada conforme as regras previstas no decreto.

Quem contribuir poderá receber o selo “Adote um Fragmento”, concedido pela Prefeitura como reconhecimento pela contribuição para o financiamento do programa. O selo terá validade mínima de um ano e poderá ser renovado mediante novos aportes.

Microfloresta em Barão Geraldo, totalizando mais de 36,1 mil mudas em toda a cidade (Carlos Bassan/Prefeitura Campinas/SP)

Transparência

O decreto determina que informações sobre habilitação, ordem de pagamentos, gestão dos recursos e concessão do selo sejam disponibilizadas publicamente.

A medida cria, portanto, uma estrutura de remuneração condicionada à conservação ambiental, mas os proprietários ainda terão de aguardar os chamamentos públicos e as regulamentações complementares da Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) para saber quais áreas serão efetivamente contempladas.

Onde acompanhar

A Prefeitura de Campinas mantém o perfil oficial @prefcampinas e a Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade utiliza o perfil @clima.campinas no Instagram. Os canais podem ser acompanhados para informações sobre os próximos chamamentos e regulamentações do programa.

Com informações da Prefeitura de Campinas.
@prefcampinas @clima.campinas

Acesse o DECRETO Nº 24.618, DE 9 DE SETEMBRO DE 2026 - Regulamenta o Subprograma de Incentivo a Serviços Ambientais - Carbono (ISA Carbono - PSA Floresta)

Acesse a página de Microflorestas Urbanas de Campinas (SP)