Veja quais são as cidades que mais recebem royalties da mineração
Enquanto os maiores municípios arrecadadores concentram grande parte da CFEM, 2.472 municípios integram a lista provisória de cidades afetadas pela atividade de mineração que poderão receber recursos no ciclo 2026/2027
5 OUT 2026 - 08H14 • Por Wilson LopesA riqueza gerada pela mineração não fica necessariamente no município onde o minério é retirado do solo. Parte dos recursos pagos pelas empresas mineradoras chega às cidades produtoras, enquanto outra parcela é destinada a municípios que, mesmo sem sediar a lavra, são afetados pela infraestrutura necessária para transportar, beneficiar ou escoar a produção.
A partir de agora, a Agência Nacional de Mineração (ANM) oferece uma ferramenta para acompanhar esse caminho com muito mais detalhes. Em 28 de setembro de 2026, a ANM publicou a lista provisória de municípios afetados pela atividade minerária para o ciclo 2026/2027.
São 2.472 municípios considerados para a divisão dos 15% da CFEM destinados aos entes afetados. A lista ainda está sujeita a recursos, com prazo de 15 dias corridos a partir da publicação.
O novo Observatório dos Municípios Afetados permite identificar as estruturas consideradas no cálculo e os percentuais destinados a cada município. A plataforma também permite acompanhar a origem dos recursos e relacioná-los às atividades e substâncias minerais envolvidas.
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O que é a CFEM?
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) é uma compensação financeira paga pela exploração dos recursos minerais. Os valores são distribuídos entre União, Estados, Distrito Federal e municípios, segundo critérios definidos na legislação.
A legislação diferencia o município produtor, onde ocorre a produção mineral, do município afetado, que sofre impactos decorrentes de estruturas necessárias à atividade, como ferrovias, dutovias, instalações portuárias, barragens de rejeitos, pilhas de estéril e instalações de beneficiamento.
Essa distinção é importante porque uma cidade pode receber recursos da mineração sem possuir uma mina em seu território.
R$ 1,2 bilhão para municípios afetados
Segundo a ANM, os recursos destinados aos municípios afetados chegaram a R$ 1,2 bilhão em 2025.
É justamente essa parcela que o novo Observatório pretende tornar mais transparente. A plataforma mostra a rota dos recursos e os critérios utilizados para definir a participação de cada município.
A medida faz parte do CFEM Conecta, projeto de modernização da ANM que pretende aumentar a rastreabilidade, automatizar cálculos e reduzir atrasos e conflitos na distribuição dos royalties. A agência prevê vincular cada pagamento à sua origem e processo minerário e ampliar a disponibilização de dados para controle social.
A mineração brasileira está concentrada em poucos territórios
A concentração da arrecadação é um dos principais aspectos revelados pelos dados da ANM.
No 4º trimestre de 2025, Minas Gerais respondeu por 45,5% da arrecadação da CFEM, enquanto o Pará representou 38,1%. Juntos, os dois estados concentraram 83,6% da arrecadação no período.
Goiás apareceu com 2,7%, atrás também da Bahia, que registrou 3,2%.
O minério de ferro continua sendo o principal responsável pela arrecadação. No 4º trimestre de 2025, respondeu por 68,6% das receitas de CFEM. Na sequência apareceram ouro (8,2%), cobre (7,7%), água mineral (3,0%) e calcário (2,2%). As cinco principais substâncias responderam juntas por 89,6% da arrecadação.
Os maiores municípios arrecadadores
No 4º trimestre de 2025, cinco municípios concentraram 42,6% de toda a arrecadação da CFEM:
Município
UF
Participação na arrecadação
Canaã dos Carajás
PA
14,4%
Parauapebas
PA
14,2%
Conceição do Mato Dentro
MG
4,8%
Congonhas
MG
4,7%
Marabá
PA
4,6%
Fonte: ANM, Informe Mineral 4º trimestre de 2025.
O dado mostra o enorme peso econômico dos complexos minerais instalados em poucos territórios. No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, esses cinco municípios chegaram a responder por 53,5% da CFEM arrecadada no país naquele trimestre.
Goiás: quarto polo regional de arrecadação da CFEM
Goiás aparece entre os principais estados mineradores do país. Na série da ANM referente a 2025, a Gerência Regional Goiás/Distrito Federal registrou R$ 219,6 milhões em CFEM até novembro, correspondentes a 3,07% da arrecadação registrada pelas gerências regionais naquele período.
Já nos dados de 2026 disponíveis até 6 de maio, a Gerência Regional Goiás/Distrito Federal acumulava R$ 76,16 milhões, equivalente a 2,56% do total nacional registrado no período. A gerência aparecia na quarta posição entre as unidades regionais da ANM.
Os principais municípios de Goiás
Os dados de 2025 mostram a forte concentração dos royalties em municípios com grandes empreendimentos minerais.
Até novembro de 2025, os maiores valores acumulados entre os principais municípios goianos eram:
Município
CFEM até nov./2025
Alto Horizonte
R$ 32,54 milhões
Ouvidor
R$ 13,73 milhões
Barro Alto
R$ 12,73 milhões
Catalão
R$ 11,94 milhões
Minaçu
R$ 8,57 milhões
Crixás
R$ 8,08 milhões
Mara Rosa
R$ 7,64 milhões
Vila Propício
R$ 2,49 milhões
Indiara
R$ 2,29 milhões
Santa Rita do Novo Destino
R$ 0,78 milhão
Os valores são referentes a janeiro-novembro de 2025 e foram compilados a partir de dados da ANM publicados à época.
Alto Horizonte se destaca
Alto Horizonte aparece como o principal polo entre esses municípios. O município é produtor de minerais como ouro, cobre e prata, e sua arrecadação de CFEM avançou significativamente em 2025.
No acumulado até novembro, foram R$ 32,54 milhões, contra R$ 23,74 milhões em todo o ano de 2024, segundo os dados publicados.
O caso de Mara Rosa também chama atenção. O início da produção de ouro pela Hochschild Mining fez o município ganhar relevância no mapa mineral de Goiás. Segundo publicação do Governo de Goiás, baseada em dados da ANM, Mara Rosa alcançou R$ 10,47 milhões em CFEM em 2025 em uma das séries analisadas.
Goiás tem mineração diversificada
Diferentemente da concentração observada em Minas Gerais e no Pará, a estrutura mineral de Goiás combina diferentes substâncias.
Entre os principais polos estão:
- Alto Horizonte ouro, cobre e prata;
- Catalão/Ouvidor fosfato, nióbio e outros minerais;
- Barro Alto níquel;
- Crixás ouro;
- Mara Rosa ouro;
- Minaçu amianto crisotila e outras atividades minerais;
- Vila Propício calcário e outros minerais.
Essa diversidade ajuda a explicar a presença de Goiás entre os principais estados arrecadadores de CFEM.
Mas quem recebe não é necessariamente quem produz
Esse é um dos pontos mais importantes da nova transparência. A legislação estabelece diferentes mecanismos de distribuição. O município produtor recebe recursos em razão da produção mineral em seu território. Já os municípios afetados podem receber recursos porque abrigam ou são atravessados por estruturas que viabilizam a atividade.
Entre os exemplos estão:
- Ferrovias portos minerodutos barragens pilhas de rejeitos instalações de beneficiamento outras estruturas previstas no plano de aproveitamento econômico.
A Resolução ANM nº 143/2023 define essas categorias e estabelece os critérios utilizados para identificar os municípios beneficiários.
Isso explica por que a nova lista reúne 2.472 municípios, número muito superior ao conjunto de cidades que efetivamente possuem grandes minas em operação.
O novo mapa da mineração
A ANM também disponibilizou, em janeiro de 2026, um Painel Interativo da Arrecadação e Distribuição da CFEM por Município, com dados anuais desde 2008.
A ferramenta permite pesquisar municípios, comparar valores e visualizar mapas da arrecadação e da distribuição.
Com a combinação do painel de CFEM e do novo Observatório dos Municípios Afetados, passa a ser possível acompanhar não apenas quanto uma cidade recebe, mas também por que recebe e de onde vem o dinheiro.
Essa diferença é fundamental para avaliar a importância da mineração nas contas municipais.
Transparência também permite acompanhar a dependência das cidades
A CFEM pode representar uma fonte expressiva de receita para municípios mineradores. Por isso, a evolução dos repasses precisa ser analisada como a produção mineral, os preços das commodities e a vida útil das minas.
O próprio projeto CFEM Conecta reconhece a necessidade de maior previsibilidade para as prefeituras e pretende automatizar a distribuição e ampliar a rastreabilidade dos recursos.
Para municípios altamente dependentes da mineração, a questão vai além do tamanho do royalty recebido em determinado ano: envolve também planejamento de longo prazo para uma receita associada a recursos naturais não renováveis.
O que muda para o cidadão
Até recentemente, acompanhar a distribuição da CFEM exigia consultar diferentes bases e documentos da ANM. O novo conjunto de ferramentas concentra parte dessas informações e permite visualizar a relação entre:
- mina mineral empresa/processo estrutura município percentual recurso distribuído.
A proposta é transformar os royalties da mineração em uma informação mais acessível não apenas para gestores públicos, mas também para jornalistas, pesquisadores e cidadãos.
Em números
R$ 1,2 bilhão
foi o valor destinado aos municípios afetados pela mineração em 2025.
2.472 municípios
integram a lista provisória de afetados para o ciclo 2026/2027.
15%
é a parcela da CFEM destinada aos municípios afetados.
83,6%
foi a participação conjunta de Minas Gerais e Pará na arrecadação da CFEM no 4º trimestre de 2025.
68,6%
foi a participação do minério de ferro na arrecadação da CFEM no mesmo trimestre.
R$ 76,16 milhões
foi a arrecadação registrada pela Gerência Regional Goiás/Distrito Federal até 6 de maio de 2026.
R$ 32,54 milhões
foi o valor acumulado por Alto Horizonte até novembro de 2025.
Com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Agência Nacional de Mineração (ANM); Observatório dos Municípios Afetados; CFEM Conecta; Painel Interativo da CFEM; Informe Mineral 2025; dados de arrecadação da CFEM.@portalcnm @anm_oficial @valenobrasil @prefeituradeparauapebas @prefeituradecanaadoscarajas @prefeiturademaraba @governopara @governomg @governogoias @prefeituracmd @prefeituradecongonhas @prefeituradeitabirito @prefeiturademariana @prefeituradeitabira @prefeituranovalima @saogoncalo_do_rio_abaixo @prefeituradealtohorizonte @prefeituradeouvidor @prefeituradebarroalto @prefeituradecatalão @prefeituraminacu @prefeituradecrixas @prefeiturademararosa
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