Pedras Grandes constrói réplica da Torre de Pisa
Projeto iniciado em 2022 terá sete andares e abrigará espaço educacional e cultural, mas plano municipal de turismo aponta desafios em hospedagem, gastronomia, lazer e sinalização turística
9 OUT 2026 - 09H59 • Por Wilson LopesA pequena Pedras Grandes, em Santa Catarina, deverá ganhar até agosto de 2027 uma réplica de 27 metros da Torre de Pisa. Iniciada em 2022, a obra passou por três paralisações e chegou a uma nova licitação, aberta em 2026, com valor estimado em R$ 2,303 milhões para a execução e conclusão do Centro Educacional Torre de Pisa, no distrito de Azambuja.
O projeto prevê uma estrutura de aço e concreto com sete andares e aproximadamente 7,5 a 8 metros de diâmetro. A torre será construída inicialmente sem a inclinação e deverá receber posteriormente um sistema mecânico para reproduzir a característica visual do monumento italiano. O empreendimento deverá abrigar um museu digital e interativo sobre a colonização italiana, uma escola de língua italiana e espaços destinados à visitação.
A construção começou a ser planejada em 2021, quando a estimativa divulgada pela prefeitura era de R$ 1,5 milhão. Em 2023, reportagens já informavam custo aproximado de R$ 4 milhões. Em julho de 2026, entretanto, o município publicou uma concorrência presencial de R$ 2.303.226,03 para contratar uma empresa especializada em engenharia para executar e concluir o Centro Educacional Torre de Pisa.
Os valores não devem ser simplesmente somados. O montante de R$ 4 milhões é divulgado em reportagens como investimento do projeto, enquanto os R$ 2,303 milhões correspondem ao valor estimado de uma contratação específica para a execução e término da obra. A documentação disponível consultada não permite afirmar, sem análise dos contratos anteriores, aditivos e pagamentos, que o custo final será de R$ 6,3 milhões.
A obra também mudou de cronograma ao longo dos anos. Em 2021, a previsão era concluir a réplica até o fim de 2022. Em 2023, a entrega havia sido projetada para 2024. Após as paralisações, a previsão divulgada em 2026 passou para agosto de 2027. A etapa mais recente está sob responsabilidade de uma empresa de Criciúma, segundo reportagens sobre a retomada.
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Um município de 4,3 mil habitantes
Pedras Grandes está localizada no Sul de Santa Catarina e tem forte relação histórica com a imigração italiana. O distrito de Azambuja, onde a torre está sendo construída, é apresentado no projeto como parte central dessa memória. O IBGE registra 4.245 habitantes no Censo 2022 e estima 4.371 moradores em 2026. A densidade demográfica é de 26,55 habitantes por km².
O município tem 159,9 km² de área territorial e PIB per capita de R$ 71.935,53, segundo os dados mais recentes disponíveis na página do IBGE. O prefeito é Agnaldo Filippi, que está no cargo no mandato iniciado em 2025.
O desafio: fazer o turista permanecer
É no planejamento turístico que surge um dos principais dados para entender o projeto. O Plano Municipal de Turismo de Pedras Grandes identificou que 66% dos visitantes permaneciam somente um dia na cidade. Outros 8% permaneciam dois dias e 26% ficavam três dias ou mais.
A pesquisa também perguntou aos visitantes sobre os pontos menos satisfatórios da experiência turística. Entre as respostas apareceram estradas e sinalização, falta de opções de gastronomia, ausência de sinalização turística adequada, falta de uma central de informações e pouca oferta de lazer e hospedagem.
O diagnóstico estabelece, portanto, uma questão central para o projeto: aumentar o número de visitantes não é necessariamente o mesmo que aumentar a permanência ou o gasto turístico no município.
A própria pesquisa mostra que 57% dos visitantes tinham o lazer como motivo da viagem, enquanto 14% viajavam por negócios e 7% por eventos. Entre os locais visitados aparecem a Festa do Vinho Goethe, a Pousada e Restaurante da Imigração, a Igreja Matriz São Gabriel, produtores de vinho artesanal, o Parque Ecológico Rancho dos Bugres e a Estação do Trem/Casa da Cultura/Museu.
Nesse contexto, a Torre de Pisa de Azambuja não será apenas um monumento cenográfico. O projeto foi concebido para funcionar também como equipamento educacional, cultural e turístico, associado à história da colonização italiana. O resultado econômico do empreendimento, porém, dependerá da capacidade de integrá-lo aos demais atrativos e serviços disponíveis no município.
A previsão atual é que a estrutura seja concluída até agosto de 2027. Até lá, o principal indicador a acompanhar será menos a quantidade de pessoas que irão conhecer a réplica e mais a capacidade do novo equipamento de contribuir para ampliar o tempo de permanência dos visitantes em Pedras Grandes.
Com informações da Prefeitura de Pedras Grandes (SC).
@turismopedrasgrandes @agnaldofilippi @governosc
Assista ao vídeo publicado pelo prefeito Agnaldo Filippi (@agnaldofilippi)
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