Enquanto você lê esta notícia, 3 pessoas morrerão por doenças cardiovasculares no Brasil
Estimativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta uma morte por doença cardiovascular a cada 72 segundos, e Alagoas, Amapá e Mato Grosso do Sul apresentam as maiores taxas estaduais
16 OUT 2026 - 12H00 • Por Wilson LopesO Brasil poderá registrar 462.573 mortes por doenças cardiovasculares em 2030, caso sejam mantidas as tendências observadas nas últimas duas décadas, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A projeção representa um aumento de 10,8% em relação aos 417.550 óbitos contabilizados em 2024. Em outra frente, o Cardiômetro, ferramenta da entidade, indicava 318.997 mortes acumuladas até as 11h33 de 16 de outubro de 2026.
A estimativa corresponde a uma morte a cada 72 segundos, ritmo equivalente a aproximadamente 50 óbitos por hora. A SBC ressalta, porém, que as projeções dependem da evolução dos fatores de risco, do acesso ao diagnóstico e ao tratamento e da implementação de políticas públicas de prevenção.
As doenças cardiovasculares incluem problemas que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Em 2024, essas enfermidades responderam por 27,3% das mortes registradas no Brasil, de acordo com os números apresentados pela entidade.
Taxa de mortalidade recua 36%
Apesar do volume de óbitos, a taxa de mortalidade cardiovascular diminuiu nas últimas décadas. Em 2000, eram 306,4 mortes por 100 mil habitantes. Em 2024, o indicador caiu para 195 por 100 mil, redução de aproximadamente 36%.
A queda da taxa não significa, necessariamente, diminuição proporcional do total de mortes. O número absoluto também é influenciado pelo tamanho e pela composição etária da população. O envelhecimento demográfico, por exemplo, pode elevar a quantidade de óbitos mesmo quando o risco medido por habitante diminui.
A diferença entre os indicadores mostra por que o acompanhamento da mortalidade no Brasil precisa considerar tanto os números absolutos quanto as taxas ajustadas ou calculadas por população.
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Alagoas tem a maior taxa estadual
Entre os estados brasileiros, Alagoas apresentou a maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes. O Amapá aparece em segundo lugar, com 225,1, seguido por Mato Grosso do Sul, com 220,4.
Os três indicadores superam a taxa nacional de 195 mortes por 100 mil habitantes. Alagoas registra um índice cerca de 26% superior à média brasileira.
Os dados identificam diferenças territoriais relevantes, mas não explicam, isoladamente, suas causas. Para compreender as desigualdades, é necessário cruzar os indicadores com informações sobre idade, renda, fatores de risco, disponibilidade de serviços de saúde e tempo de resposta a emergências. Os números divulgados não permitem atribuir as diferenças estaduais a um único fator.
Prevenção pode alterar a trajetória
O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma de dados da SBC, afirma que o cenário projetado para 2030 pode mudar conforme a evolução dos fatores de risco e das políticas de saúde.
Entre as medidas apontadas pela entidade estão o controle da hipertensão arterial e do diabetes, a redução do tabagismo, a prevenção da obesidade e do sedentarismo e o atendimento rápido nos casos de infarto e AVC.
A ampliação do diagnóstico e do tratamento também pode influenciar a evolução dos indicadores. A identificação precoce de fatores de risco permite iniciar medidas de controle antes que ocorram complicações, enquanto o atendimento de emergência é decisivo diante de eventos cardiovasculares agudos.
Os dados integram o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma da Sociedade Brasileira de Cardiologia desenvolvida em parceria com a World Heart Federation. A ferramenta reúne séries históricas, taxas de mortalidade e projeções, com recortes por estado, sexo e faixa etária.
As informações combinam dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease. A plataforma também utiliza estimativas populacionais do IBGE disponibilizadas pelo DataSUS.
A projeção de 462.573 mortes em 2030 deve ser interpretada como um cenário condicionado à manutenção das tendências atuais, e não como um resultado inevitável. Mudanças nos fatores de risco, na prevenção e na assistência podem alterar a trajetória da mortalidade cardiovascular.
Com informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Agência Brasil.
@sbc.cardiol
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*Tempo estimado de leitura desta notícia: 4 minutos (período em que cerca de 3 pessoas morreriam por doenças cardiovasculares no Brasil, considerando a estimativa de uma morte a cada 72 segundos).
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