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#Eleições2026

Brasil elege presidente, 6 governadores e 7 prefeitos, além de mudanças territoriais em 6 municípios

Segundo turno mobilizou 128,2 milhões de votantes, confirmou a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos e aprovou mudanças territoriais em seis municípios de Mato Grosso e do Paraná

26 OUT 2026 - 11H17 • Por Wilson Lopes
As Eleições 2026 foram além da escolha presidencial, com eleições estaduais e municipais, consultas territoriais e desafios para a participação e a fiscalização democrática - Imagem gerada por IA

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao receber 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado do segundo turno das Eleições 2026 foi anunciado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, em balanço divulgado na madrugada desta segunda-feira (26). A votação mobilizou aproximadamente 128,2 milhões de eleitores e teve abstenção estimada em 19,2%, segundo a Justiça Eleitoral.

A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais dos votos válidos. Embora o comparecimento tenha sido maior proporcionalmente que no primeiro turno, quando a abstenção chegou a 21,08%, cerca de um em cada cinco eleitores aptos não compareceu às urnas.

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Seis governadores são eleitos no segundo turno

O segundo turno das Eleições 2026 definiu seis governadores no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal. Entre os eleitos, Mailza Assis (PP), no Acre, e Celina Leão (PP), no Distrito Federal, já ocupavam os cargos de governadoras desde abril, após a renúncia dos antecessores. Ambas foram eleitas para um mandato próprio, enquanto os outros quatro vencedores assumirão os governos estaduais em janeiro de 2027.

No Acre, Mailza Assis venceu com 66,21% dos votos válidos. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) foi eleito com 61,42%. No Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB) obteve 64,52%. No Distrito Federal, Celina Leão alcançou 57,18%, enquanto, no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) venceu com 52,17%.

A disputa mais apertada ocorreu no Rio Grande do Norte, em que Cadu de Lula (PT) recebeu 50,77% dos votos válidos, contra 49,23% de Allyson Silva (União Brasil), uma diferença de apenas 1,54 ponto percentual.

Os resultados refletem diferentes cenários políticos regionais e definem os responsáveis pela administração estadual pelos próximos quatro anos. Os novos governos terão pela frente desafios relacionados à gestão fiscal, à prestação de serviços públicos, à infraestrutura e ao desenvolvimento econômico de suas respectivas regiões.

Governadores eleitos e votação:

Sete cidades elegeram prefeitos e vice-prefeitos

O domingo também teve eleições suplementares em sete municípios de cinco estados: Goiatins (TO), Itaguaí (RJ), Narandiba, Martinópolis e Macedônia (SP), Santana do Itararé (PR) e Arroio do Sal (RS).

As novas votações foram determinadas pela Justiça Eleitoral após situações que levaram à perda de mandatos ou à invalidação de candidaturas e resultados anteriores, incluindo indeferimentos de registros e cassações.

Em Goiatins, Max Luz (Solidariedade) foi eleito com 3.863 votos, correspondentes a 52,85% dos votos válidos. Em Itaguaí, Haroldinho Jesus (PDT) recebeu 58.054 votos, ou 77,47%. A candidatura de Kelaine Goulart (Novo), segunda colocada, permanecia sob análise judicial.

Em Narandiba, Claudião Damacena (União) recebeu 56,90% dos votos, mas a definição do resultado dependia de decisão sobre sua candidatura, também sob análise da Justiça. Em Martinópolis, Beto Leite (União) venceu com 59,09%; em Macedônia, Vado (PSD) obteve 57,54%; em Santana do Itararé, Zé Izac (PT) recebeu 54,32%; e, em Arroio do Sal, Felipe Valim (MDB) venceu com 62,96%.

Os casos mostram que as decisões judiciais podem exigir a realização de novas eleições municipais, com impacto direto na escolha dos representantes locais. A situação de cada eleito ou candidato deve ser acompanhada conforme a conclusão dos processos aplicáveis.

Seis municípios aprovam mudanças territoriais

Além da eleição presidencial, eleitores de seis municípios de Mato Grosso e do Paraná aprovaram três propostas de reorganização territorial em plebiscitos realizados no mesmo dia.

Em Mato Grosso, moradores de Primavera do Leste e Poxoréu votaram sobre a transferência do distrito de Nova Poxoréu para Primavera do Leste. A proposta recebeu 74,6% de apoio entre 55.706 votos registrados.

Outra consulta envolveu Cotriguaçu e Colniza, com a proposta de transferir as chamadas Ilhas de Ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu para Cotriguaçu. Foram registrados 20.462 votos, dos quais 86,6% favoráveis.

No Paraná, eleitores de Chopinzinho e São João decidiram sobre a transferência da Comunidade do Alto Mirim para São João. A proposta recebeu 86,9% de apoio entre 21.252 participantes.

Os plebiscitos permitem que a população se manifeste diretamente sobre mudanças territoriais antes de sua implementação. A reorganização pode repercutir no planejamento municipal, na prestação de serviços e na administração das áreas envolvidas. A conclusão dos procedimentos, porém, depende da consolidação e da homologação dos resultados pelas autoridades eleitorais competentes.

Votação mobilizou quase meio milhão de urnas

De acordo com o TSE, foram utilizadas 499.248 urnas eletrônicas no segundo turno. Desse total, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% dos equipamentos empregados na votação.

O tribunal também informou que havia mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar e foram disponibilizados mais de 95 mil locais de votação em todo o país. A estrutura buscou facilitar o acesso às seções eleitorais e reduzir os deslocamentos dos cidadãos.

Outro ponto do balanço foi a oferta de transporte coletivo gratuito nos dias de votação, conforme parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e regulamentação da Justiça Eleitoral. O TSE informou que os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a prestação do serviço.

Prorrogação do horário afetou procedimentos de apuração

A votação também foi marcada por uma decisão liminar do STF que determinou a continuidade do pleito até as 19h, no horário de Brasília, nos locais em que as seções ainda não haviam encerrado os trabalhos às 17h.

Em comunicado publicado no domingo, o TSE informou que a votação continuaria somente nos locais abrangidos pela decisão e que o recebimento dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados seriam retomadas após as 19h.

No balanço posterior, Kassio Nunes Marques afirmou que a decisão, comunicada após o horário inicialmente previsto para o encerramento, exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração. Segundo o ministro, milhares de urnas já haviam sido encerradas e não poderiam ser reabertas, o que levou à suspensão temporária do recebimento de boletins e ao acúmulo de arquivos pendentes de processamento.

O episódio levantou questões sobre a coordenação entre os órgãos envolvidos e a capacidade de adaptação dos procedimentos eleitorais a decisões judiciais de última hora. Para avaliar os efeitos da medida, ainda é necessário examinar os locais alcançados pela prorrogação, os fundamentos da decisão e os registros operacionais correspondentes.

Representantes de 46 países acompanharam a votação

O segundo turno também foi acompanhado por 49 participantes de 46 países, reunidos no Programa de Convidados Internacionais da Justiça Eleitoral, em Brasília.

A programação incluiu visitas a seções eleitorais, apresentação do Teste de Integridade — procedimento que compara votos registrados em cédulas de papel com os contabilizados pelas urnas eletrônicas — e acompanhamento da totalização dos resultados na sede do TSE.

No sábado (24), os convidados participaram de um seminário sobre o funcionamento da votação e os desafios para as próximas eleições. Entre os temas discutidos estavam o combate à desinformação e a ampliação da participação feminina na política.

A presença internacional permite que autoridades estrangeiras conheçam os procedimentos brasileiros, mas não deve ser interpretada, isoladamente, como certificação independente de todo o processo. A notícia do TSE não apresenta uma lista completa dos países representados nem um relatório final de avaliação das missões.

No balanço final, o tribunal também informou ter recebido 2.265 processos relacionados às eleições, incluindo 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta. Os números demonstram o volume de demandas judiciais associado ao pleito e indicam que a administração eleitoral envolve, além da votação e da apuração, a análise de disputas jurídicas e o cumprimento das regras eleitorais.

Os resultados do segundo turno, as consultas territoriais e as eleições suplementares compõem um quadro que vai além da escolha presidencial: envolvem participação eleitoral, funcionamento institucional, administração municipal e mecanismos de controle e fiscalização do processo democrático.

Com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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