Logo Agência Cidades

Caracas!

Trump anuncia ataque à Venezuela e captura de Nicolás Maduro

Procuradora-geral dos Estados Unidos afirmou que o presidente venezuelano será julgado em solo norte-americano por conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos

3 JAN 2026 - 12H00 • Por Wilson Lopes
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, em visita ao Palácio do Planalto, em 2023 - Marcelo Camargo/ABr
Foto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, publicada em rede social do presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Donald J. Trump (@realDonaldTrump)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (03/01/2025) um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por via aérea e terrestre. Em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país. 

"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa", disse o presidente norte-americano.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de "vil e covarde". Padrino pediu ajuda internacional.

Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. Bombardeios norte-americanos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses.

No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.

Julgamento em solo norte-americano

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, afirmou em publicação nas redes sociais que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados em solo norte-americano, no distrito sul de Nova York.

Segundo Bondi, os dois “sentirão toda a força da Justiça americana em solo americano” e foram indiciados por “conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos” e conspiração para a posse desse tipo de armamento contra os Estados Unidos.

Em foto de arquivo (2018), imigrantes venezuelanos embarcam em avião da Força Aérea Brasileira, em Boa Vista, com destino a Manaus e São Paulo (Marcelo Camargo/ABr)

Vice-presidente da Venezuela exige prova de vida de Maduro

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, exigiu provas de vida do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, cujo paradeiro é desconhecido após os ataques dos Estados Unidos. 

Rodriguez denunciou o bombardeio militar norte-americano na capital e nos estados de Aragua, Miranda e La Guaira, que resultou na morte de civis. 

Segundo a vice-presidente, o presidente Maduro já havia alertado a população sobre um possível ataque dessa natureza, que afetaria civis em diversas partes do país. Em resposta à situação, a defesa nacional foi acionada seguindo as instruções do presidente.

"O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), o povo venezuelano organizado em milícias e agências de segurança cidadã, em perfeita integração policial, militar e cívico-militar, receberam instruções para defender a pátria", afirmou Rodriguez.

A vice-presidente enfatizou que ninguém violará o legado histórico de Simón Bolívar nem o direito da Venezuela à independência, ao seu futuro e a ser uma nação livre, sem tutela externa. "Jamais seremos escravos. Somos filhos e filhas de Bolívar."

Rodriguez lembrou que a Venezuela tem consistentemente caracterizado essas manobras como parte de uma estratégia para desestabilizar a região e minar sua soberania nacional, denunciando o que considera uma tentativa de intervenção armada para impor uma mudança de regime favorável aos interesses imperialistas.

A Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade (REDH) e organizações como a Coalizão Resposta condenaram o que chamam de "crime contra a paz" e uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas, apelando à solidariedade internacional e à mobilização global contra o que consideram uma guerra colonial pelo petróleo venezuelano.

Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e cobra resposta da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou sobre os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse Lula, por meio das redes sociais. 

Segundo o presidente, a condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

"A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, conclui.

Com informações da Agência Brasil e Telesur.