Com 1.978 casos prováveis e 33 internações, Dourados enfrenta epidemia de chikungunya
Taxa de positividade dos exames alcança 74,5% e a cidade segue em situação de emergência, com avanço dos casos da população indígena para áreas urbanas e aumento na pressão sobre o sistema de saúde
30 MAR 2026 - 14H47 • Por Wilson LopesO Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle do Chikungunya na região de Dourados (243.367 habitantes), distante 228 km ao sul de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal.
“Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população”, informa o ministério.
A liberação do montante, segundo o ministério, se soma a outras iniciativas em curso, como a instalação de mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), compostas por armadilhas com recipiente plástico e tecido impregnado com larvicida.
“Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a disseminar o larvicida em outros criadouros, contribuindo para interromper o ciclo de reprodução”, detalhou o comunicado.
Ainda de acordo com a pasta, agentes municipais passaram por capacitação conduzida por técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses, com foco no uso das novas tecnologias de controle vetorial.
Outra medida adotada na região é a busca ativa em territórios indígenas de Dourados, realizada de forma conjunta pela Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), com 106 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
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Força-tarefa
Desde o início de março, agentes de saúde e de combate às endemias realizaram visitas a mais de 2,2 mil residências nas aldeias da região. As ações incluem mutirões de limpeza, eliminação de criadouros, aplicação de larvicidas e inseticidas.
O ministério autorizou ainda, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 agentes de combate a endemias. A admissão será feita por meio de análise curricular e a expectativa é que, nas próximas semanas, os profissionais já estejam atuando.
Áreas mais afetadas
Desde 18 de março, a Força Nacional do SUS atua no município em parceria com equipes locais. Segundo a pasta, há atualmente 34 profissionais mobilizados, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com atuação nas áreas mais afetadas.
A equipe foi enviada ao município depois que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul emitiu alerta epidemiológico em razão do aumento de casos de arboviroses no município.
As ações envolvem equipes das Secretarias de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, e da Defesa Civil estadual.
Cenário Epidemiológico
Segundo a Prefeitura de Dourados, o boletim epidemiológico de 30/03 aponta 1.978 casos prováveis e 1.035 confirmados no município, com taxa de positividade de 74,5%. Na Reserva Indígena, são 790 confirmações entre 1.304 casos prováveis.
Atualmente, 33 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação da doença, distribuídas entre o Hospital Porta Esperança, na aldeia Jaguapiru, o HU-UFGD e unidades privadas.
A cidade segue em situação de emergência em saúde pública devido à chikungunya, com avanço dos casos da população indígena para áreas urbanas e aumento na pressão sobre o sistema de saúde. Além disso, a média de atendimentos na UPA teve crescimento significativo nas últimas semanas, refletindo o impacto direto da doença na rede municipal.
Aedes aegypti
A Chikungunya é uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti.
O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e foi responsável por uma epidemia em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe.
No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus.
Em 2023, o ministério cita uma importante dispersão territorial do vírus no país, principalmente em estados da Região Sudeste. Anteriormente, as maiores incidências de chikungunya concentravam-se no Nordeste.
As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante, mas também podem ocorrer manifestações extra-articulares. Casos graves de chikungunya podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito.
Situação de emergência
Além de Dourados, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu a situação de emergência em mais 13 cidades afetadas por desastres nos estados do Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Passam por um período de estiagem os municípios de Milhã, no Ceará; Picuí e Prata, na Paraíba; Capanema, no Paraná; São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, e Celso Ramos, em Santa Catarina. Já Limoeiro do Norte, no Ceará, e Coronel Ezequiel, no Rio Grande do Norte, enfrentam a seca, que é um período de ausência de chuva mais prolongado do que a estiagem.
Foram castigadas por fortes chuvas as cidades de Luziânia, em Goiás; Redenção do Gurguéia, no Piauí; e São José de Ubá, no Rio de Janeiro, enquanto Tabatinga, no Amazonas, e Santo Antônio de Pádua, também no Rio de Janeiro, foram atingidas por inundação.
Com informações de Paula Laboissière, Agência Brasil; Prefeitura de Dourados (MS).
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Acesse a Portaria nº 1.047 (27/03/2026) – Reconhece a situação de emergência no município de Dourados/MS>>