Goiás lidera em transparência de obras públicas
Em 64,8% dos 329 municípios brasileiros analisados, a transparência das obras públicas foi classificada como 'Ruim' ou 'Péssima', mostrando uma enorme lacuna de integridade e controle que deixa os recursos públicos à mercê de esquemas de corrupção
17 ABR 2026 - 12H55 • Por Wilson LopesA Transparência Internacional, organização não governamental fundada em 1993, com sede em Berlim, na Alemanha, mas com atuação global dedicada ao combate à corrupção e à promoção da transparência, integridade e responsabilidade em governos, empresas e na sociedade civil, acaba de publicar duas notas técnicas, sob a coordenação de sua operação no Brasil.
A nota técnica ‘Transparência de obras públicas nos governos estaduais’ analisa a transparência e governança de obras públicas nos governos estaduais brasileiros. Já o documento ‘Transparência de obras públicas em governos municipais’ apresenta um diagnóstico sobre a transparência de obras em 329 municípios brasileiros em 2025.
As duas publicações da Transparência Internacional - Brasil tiveram como referência o ‘Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP)’, que avalia e ranqueia a transparência, integridade e governança de estados e municípios brasileiros. O ITGP analisa mais de 100 critérios, como dados abertos e participação social, e atribui aos entes avaliados notas de 0 a 100. O objetivo do Índice é fomentar a transparência ativa, o combate à corrupção e a boa governança nos poderes subnacionais.
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Goiás transparente
As 26 unidades da federação e o Distrito Federal foram analisados em sete indicadores principais:
- execução orçamentária (OBR01)
- execução física (OBR02)
- Plano de Contratações Anual (OBR03)
- fiscais de contratos (OBR04)
- Estudos de Impacto de Vizinhança e Ambiental (OBR05)
- licenciamento ambiental (OBR06)
- participação social (OBR07)
Os resultados revelam um desempenho médio nacional de 63,6 pontos, classificado como “Bom”, mas expõem profundas disparidades regionais e lacunas críticas. Enquanto o estado de Goiás lidera o ranking com 95,5 pontos, a Bahia apresenta o pior resultado, com apenas 22,7 pontos.
Para o governador de Goiás, Daniel Vilela, entre os diferenciais do estado está o Sistema de Monitoramento e Acompanhamento dos Projetos Governamentais (Gomap), que reúne informações atualizadas sobre cerca de 1.970 obras em andamento, ampliando o acesso da população e fortalecendo a fiscalização.
“Goiás está mostrando, na prática, que é possível fazer uma gestão transparente, com responsabilidade e respeito ao dinheiro público. Esse resultado reforça o nosso compromisso de garantir que a população tenha acesso às informações e acompanhe de perto cada investimento realizado no estado”, afirma.
Entre os estados com melhor desempenho após Goiás estão Ceará (90,9), Minas Gerais (90,9), Espírito Santo (81,8), Mato Grosso (81,8) e Paraná (81,8), enquanto os menores índices foram registrados por Bahia e Tocantins (22,7 pontos), Amapá (31,8), São Paulo (45,5), além de Acre e Piauí (50,0).
A região Norte registrou o menor índice médio (52 pontos), sendo a única classificada como “Regular”. O documento destaca avanços na criação de plataformas de acompanhamento desde 2022, mas aponta que a participação social continua sendo o indicador com pior desempenho em todo o país.
Além do diagnóstico, a nota técnica identifica gargalos como a falta de relatórios de medição e de identificação dos gestores responsáveis pelas obras. Para enfrentar esses problemas, o texto oferece recomendações estratégicas, como a publicação centralizada de documentos de monitoramento, o fomento à cultura de transparência entre os órgãos setoriais e o aprimoramento de diretrizes que facilitem o controle social pelos cidadãos.
Ranking Nacional
1. Goiás – 95,5
2. Ceará – 90,9
3. Minas Gerais – 90,9
4. Espírito Santo – 81,8
5. Mato Grosso – 81,8
6. Paraná – 81,8
7. Amazonas – 77,3
8. Alagoas – 72,7
9. Paraíba – 68,2
10. Pernambuco – 68,2
11. Rio Grande do Norte – 68,2
12. Rio Grande do Sul – 68,2
13. Rondônia – 68,2
14. Distrito Federal – 63,6
15. Mato Grosso do Sul – 63,6
16. Santa Catarina – 63,6
17. Sergipe – 63,6
18. Rio de Janeiro – 59,1
19. Roraima – 59,1
20. Maranhão – 54,6
21. Pará – 54,6
22. Acre – 50,0
23. Piauí – 50,0
24. São Paulo – 45,5
25. Amapá – 31,8
26. Bahia – 22,7
27. Tocantins – 22,7
77 municípios com Nota Zero
A nota técnica que apresenta a transparência de obras públicas em governos municipais apresenta um diagnóstico sombrio, segundo o ITGP-M.
Uma a cada 4 cidades não divulga qualquer informação sobre suas obras nas 329 prefeituras analisadas nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, mostrando uma enorme lacuna de integridade e controle que deixa os recursos públicos à mercê de esquemas de corrupção.
“Obras públicas envolvem um grande volume de recursos e muitos atores, além de se estenderem por períodos longos. Por isso, são propícias para a ocorrência de corrupção. Não são raros os relatos de subornos, propinas, favorecimentos e direcionamento de licitações na construção de pontes, escolas, hospitais e rodovias”, adverte o relatório.
Conforme a nota técnica, a mediana baixa evidencia que a maioria dos municípios está concentrada nos estratos inferiores da distribuição: 45,3% estão na faixa “Péssimo” (0–19,9 pts) e 19,5% na “Ruim”, totalizando 64,8% dos municípios avaliados abaixo dos 40 pontos. Apenas 12,5% atingiram a classificação “Ótimo”.
Os piores desempenhos concentram-se na tríade de transparência ambiental e participativa (publicação de estudos de impacto ambiental e de vizinhança; informações sobre licenciamento ambiental; realização e divulgação de audiências ou consultas públicas sobre obras).
O dado mais crítico é que 62,9% dos municípios, 207 de 329, zeraram simultaneamente os três indicadores da tríade, evidenciando que a transparência sobre impactos ambientais e sobre a participação cidadã no planejamento de obras públicas é praticamente inexistente na maioria dos municípios avaliados.
A comparação entre as edições de 2024 e 2025 é realizada sobre 274 municípios dos 329 avaliados no último ano. O dado mais revelador está no comportamento individual dos municípios: 136 (49,6%) melhoraram sua pontuação entre as duas edições, 105 (38,3%) pioraram e 33 (12,0%) permaneceram estáveis. Em termos de mobilidade entre as faixas de classificação, 79 municípios (28,8%) subiram de faixa, por exemplo, de “Péssimo” para “Ruim”, ou de “Regular” para “Bom”, enquanto 53 (19,3%) desceram. Os 142 municípios restantes (51,8%) permaneceram na mesma faixa.
Transparência distante
O relatório do ITGP-M 2025 conclui afirmando que a transparência em obras públicas nos municípios brasileiros avaliados ainda está longe de ser uma prática consolidada.
“Com média de 32,9 pontos e 64,8% dos municípios abaixo dos 40 pontos, a dimensão Obras Públicas concentra algumas das lacunas mais críticas do índice — especialmente nos indicadores de transparência ambiental e participativa, que seguem praticamente inexistentes na maioria dos territórios avaliados”, observa.
Com base nas análises, a Transparência Internacional - Brasil e o Instituto de Governo Aberto (IGA) propõem às prefeituras uma série de Recomendações
de Transparência e Governança Pública:
- Criar ou qualificar o portal único de acompanhamento de obras públicas (OBR01 e OBR02)
- Publicar o Plano de Contratações Anual de forma centralizada (OBR03)
- Publicar informações completas sobre o licenciamento ambiental municipal (OBR06)
- Identificar publicamente os fiscais de contratos de obras (OBR04)
- Publicar estudos de impacto ambiental e de vizinhança das obras contratadas (OBR05)
- Realizar e documentar audiências e consultas públicas sobre contratação de obras (OBR07)
Para a sociedade civil, o relatório ressalta que o uso dos dados do ITGP-M deve servir como insumo para diálogos com câmaras municipais, conselhos municipais de transparência, ouvidorias e órgãos de controle interno para ampliar a pressão democrática por melhorias, conectando o baixo desempenho em indicadores específicos às obrigações legais que os fundamentam.
“O controle social das obras públicas começa pelo acesso à informação e o ITGP-M demonstra que, na maioria dos municípios avaliados, esse acesso ainda não existe de forma adequada. Recomenda-se que cidadãos e movimentos sociais utilizem os resultados do índice como ponto de partida para pedidos de acesso à informação (via e-SIC ou ouvidorias municipais) sobre obras específicas e que documentem as respostas recebidas, ou a ausência delas, como evidência adicional da qualidade da transparência municipal”, conclui.
Com informações da Transparência Internacional Brasil.
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Acesse o Índice de Transparência e Governança Pública em 2025>>
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