Enchentes e alagamentos são os principais problemas ambientais das capitais
Para 84% dos entrevistados, as prefeituras têm um papel crucial a desempenhar no combate às mudanças climáticas, controlando o desmatamento e a ocupação das áreas de manancial, além da ampliação das áreas de preservação ambiental
3 JUN 2026 - 15H06 • Por Wilson LopesA pesquisa ‘Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas’ revela que, no último ano, houve uma mudança na percepção dos habitantes de 10 capitais brasileiras sobre os principais problemas ambientais.
As enchentes e alagamentos são, agora, a maior preocupação, citados por 39% dos participantes, um aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2024. A poluição do ar, que recua 18 pontos, passando de 52% em 2024 para 34% em 2025, agora ocupa o segundo lugar na lista de problemas ambientais.
Nota-se também outra mudança significativa, a preocupação com a crise climática parece ter saído do campo abstrato para se conectar com experiências concretas e cotidianas dos cidadãos. Além do avanço das enchentes, a pouca oferta de áreas verdes (de 16% para 23%) e o desmatamento (de 11% para 18%) também estão entre os destaques do levantamento.
O estudo foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, com apoio do Sesc-SP, com apoio do Ipsos-Ipec, que ouviu 3.500 internautas das cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
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Capitais sentem efeitos de formas distintas
A ascensão das enchentes como principal problema ambiental é uma tendência nacional, mas se manifesta de forma diferente em cada capital. Em Porto Alegre, a preocupação com enchentes e alagamentos é a mais alta do país, citada por 64% dos internautas. Em metade das cidades pesquisadas, este item já ocupa o primeiro lugar, incluindo Goiânia (50%), Belo Horizonte (49%), Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%).
Em São Paulo, embora a poluição do ar ainda seja a principal queixa, há uma queda expressiva de 20 pontos percentuais, passando de 71% para 51%. Outras capitais também viram novas preocupações assumirem a liderança, como a poluição sonora em Fortaleza (45%) e a poluição dos rios e mares em Manaus (37%).
Calor excessivo perde força
Quando questionados sobre o principal impacto das mudanças climáticas em suas vidas, o calor excessivo ainda é o mais lembrado, com 33% das menções. No entanto, este indicador teve um recuo de 16 pontos percentuais em comparação com 2024.
Em contrapartida, a percepção da poluição do ar como um impacto direto na vida das pessoas cresce 5 pontos, chegando a 22%. Ainda que em menor proporção, o reconhecimento do impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos vai de 11% para 15% no mesmo período.
Esses apontamentos demonstram que a crise climática está cada vez mais associada a questões de saúde e custo de vida. As exceções notáveis são Porto Alegre, onde as enchentes são o impacto mais sentido (34%), e São Paulo, onde a poluição do ar (31%) supera o calor excessivo (25%) como principal impacto percebido no dia a dia.
População acredita nas prefeituras
A crença de que os governos municipais podem e devem atuar no combate às mudanças climáticas segue elevada e é praticamente um consenso. Para 84% dos internautas, as prefeituras têm um papel crucial a desempenhar, um patamar que se manteve estável em relação a 2024, mas que registra crescimento em Porto Alegre, Belém e Belo Horizonte.
Ao serem perguntados sobre quais ações os municípios deveriam adotar, a demanda por controlar o desmatamento e a ocupação das áreas de manancial se sobressai, sendo citada por 57% dos respondentes. Em segundo lugar, a ampliação das áreas de preservação ambiental aparece com 50% das menções.
A demanda por construções sustentáveis, com uso de técnicas e produtos ecológicos, apresenta um crescimento acentuado de 7 pontos percentuais, passando de 35% para 42% na pesquisa atual, indicando uma maior conscientização sobre a importância de um desenvolvimento urbano mais verde.
Com informações do Instituto Cidades Sustentáveis.
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>>Acesse a pesquisa ‘Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas’