Santa Catarina ultrapassa São Paulo e lidera Ranking de Competitividade dos Estados
Estudo do CLP avalia as 27 unidades da Federação em 10 pilares e mostra mudança no topo após a aproximação entre Santa Catarina e São Paulo nos últimos anos
2 SET 2026 - 09H24 • Por Wilson LopesSanta Catarina passou da segunda para a primeira colocação no Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), enquanto São Paulo caiu para o segundo lugar. Paraná manteve a terceira posição e o Rio Grande do Sul alcançou, pela primeira vez, o quarto lugar.
O levantamento avalia as 27 unidades da Federação em 10 pilares relacionados à capacidade de gestão pública, condições sociais, infraestrutura, segurança, educação, ambiente econômico e inovação.
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A troca na liderança representa uma mudança relativa de desempenho e não permite concluir, isoladamente, que São Paulo tenha piorado em termos absolutos. Segundo o relatório, a vantagem paulista sobre Santa Catarina havia sido de 5,6 pontos em 2023, caiu para 2,7 pontos em 2024 e para apenas 1 ponto em 2025. Em 2026, Santa Catarina passou a apresentar vantagem de 6,4 pontos sobre São Paulo na comparação das notas normalizadas.
O ranking considera dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação. O objetivo é permitir a comparação entre os estados e identificar pontos fortes e fracos que possam orientar políticas públicas e decisões de investimento.
Santa Catarina lidera e avança em áreas estratégicas
A liderança catarinense foi acompanhada por avanços em diferentes pilares. O estado ganhou sete posições em Educação e outras sete em Eficiência da Máquina Pública. Também avançou três posições em Solidez Fiscal e Sustentabilidade Ambiental e duas em Potencial de Mercado. Entre os indicadores que mais contribuíram estão Avaliação da Educação, equilíbrio de gênero no emprego e na remuneração pública, planejamento orçamentário, solvência fiscal e tratamento de esgoto.
Santa Catarina também ocupa a primeira posição em Segurança Pública e Sustentabilidade Social, além de liderar em Capital Humano, segundo os resultados apresentados para os pilares.
São Paulo perde a liderança, mas continua líder em três pilares
São Paulo passou ao segundo lugar, mas mantém posições de destaque. O estado é primeiro colocado em Infraestrutura, Educação e Sustentabilidade Ambiental. O relatório identifica recuos relativos em cinco pilares, principalmente em Eficiência da Máquina Pública, que perdeu nove posições. Também houve quedas em Capital Humano, Segurança Pública, Solidez Fiscal e Inovação.
O documento ressalta que essas perdas devem ser interpretadas com cautela. A posição de um estado pode mudar mesmo quando seus indicadores absolutos melhoram, caso outro estado apresente evolução mais intensa. Além disso, quatro indicadores passaram por ajustes metodológicos em 2026.
Paraná mantém terceiro lugar e Rio Grande do Sul sobe ao quarto
O Paraná permanece na terceira colocação, posição que ocupa desde 2022. Já o Rio Grande do Sul chegou ao quarto lugar pela primeira vez, após três anos consecutivos na quinta posição. O Espírito Santo completa o grupo dos cinco primeiros.
O resultado mantém uma forte concentração regional no topo: Sul, Sudeste e Centro-Oeste predominam na metade superior do ranking, enquanto os estados do Norte e do Nordeste aparecem, em geral, nas posições inferiores.
Goiás aparece em oitavo lugar
Goiás ocupa a 8.ª posição no ranking de 2026, atrás de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Distrito Federal e Minas Gerais. O estado aparece, portanto, entre os dez primeiros colocados do país e é o segundo melhor resultado do Centro-Oeste, atrás apenas do Distrito Federal.
Nos pilares apresentados pelo relatório, Goiás registra desempenho particularmente elevado em Educação, na qual ocupa a 7.ª posição, e em Potencial de Mercado, na 8.ª. Em contrapartida, aparece na 23.ª posição em Infraestrutura, indicando uma das principais áreas de atenção do estado.
Ceará é o maior destaque entre os estados
O Ceará foi um dos dois estados que mais avançaram no ranking geral, ganhando três posições e passando do 14º para o 11º lugar. O estado avançou 13 posições em Potencial de Mercado e sete em Eficiência da Máquina Pública. Também ganhou posições em Sustentabilidade Ambiental, Segurança Pública e Inovação.
O Ceará passou a ser, assim, o estado mais bem colocado do Nordeste, superando a Paraíba, que ficou em 12º lugar.
Amazonas também avança três posições
O Amazonas passou do 17º para o 14º lugar, também com ganho de três posições. O estado avançou cinco posições em Potencial de Mercado, quatro em Segurança Pública e quatro em Sustentabilidade Social. Entre os indicadores com maior avanço estão Feminicídio, Segurança Pessoal, Atuação do Sistema de Justiça Criminal, Trabalho Infantil e Mortalidade Materna.
Com isso, o Amazonas tornou-se o estado mais bem colocado da Região Norte, superando Rondônia, que ocupa a 20ª posição.
Pará, Acre e Amapá permanecem nas últimas posições
Na parte inferior da classificação, as três últimas posições permaneceram inalteradas em relação à edição anterior: Pará ficou em 25º, Acre em 26º e Amapá em 27º.
O resultado não significa que não tenham ocorrido avanços pontuais. O Amapá, por exemplo, registrou o maior avanço no pilar de Infraestrutura, com ganho de 12 posições, impulsionado principalmente pela melhora em qualidade dos serviços de telecomunicações, qualidade da energia elétrica e acesso à energia.
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Segurança Pública tem o maior peso entre os pilares
A Segurança Pública possui peso de 11,3%, o maior entre os pilares do ranking. O indicador reúne aspectos como segurança pessoal, violência sexual, déficit de vagas no sistema prisional, segurança patrimonial e mortes a esclarecer. Santa Catarina lidera esse pilar, seguida por Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Infraestrutura e Sustentabilidade Social também possuem peso de 11,3%, enquanto o ranking distribui os demais pesos entre os dez pilares. A metodologia busca transformar indicadores de naturezas diferentes em uma escala comparável de 0 a 100.
Uma ressalva importante sobre os dados
O ranking utiliza bases públicas e informações primárias públicas, mas o relatório informa que não houve verificação independente nem auditoria dos dados utilizados. Além disso, quatro indicadores sofreram ajustes metodológicos em 2026, o que exige cautela ao comparar algumas posições com a edição anterior.
Há ainda uma limitação temporal relevante: o PIB estadual oficial mais recente disponível pelo IBGE para a edição era de 2023, enquanto alguns indicadores já utilizavam dados de 2025. Para reduzir essa defasagem, o estudo utilizou, em determinados indicadores econômicos, estimativas da Tendências para o PIB estadual.
Com informações do Centro de Liderança Pública (CLP).
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