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Vitória, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo lideram ranking de competitividade

Estudo do Centro de Liderança Pública avalia os 423 municípios com mais de 80 mil habitantes e expõe grandes diferenças entre as regiões brasileiras

27/08/2026 - 11:10 Por Wilson Lopes

Vitória (ES) assumiu pela primeira vez a liderança do Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), ao superar Florianópolis (SC) e alcançar nota 64,28. Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e São Paulo (SP) completam as cinco primeiras posições. 

O levantamento considera 423 municípios com mais de 80 mil habitantes, segundo estimativas populacionais do IBGE para 2025, e mostra forte concentração dos melhores resultados nas regiões Sul e Sudeste. 

O recorte corresponde a apenas 7,59% dos municípios brasileiros, mas reúne 129,1 milhões de habitantes, equivalentes a 60,5% da população do país. A concentração populacional faz com que o ranking represente uma parcela significativa da população brasileira, embora não abranja a maioria dos municípios. 

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O resultado também evidencia o peso das capitais. As 26 capitais consideradas pelo estudo representam somente 6,1% da amostra, mas ocupam todas as cinco primeiras posições e metade das dez primeiras. Vitória, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo formam o grupo de liderança. 

A predominância regional é igualmente expressiva. O Sudeste reúne 186 municípios, ou 44% da amostra, e responde por 57% dos 100 primeiros colocados. São Paulo sozinho possui 94 municípios no estudo, e 45 deles estão entre os 100 melhores resultados. Minas Gerais aparece com 49 municípios e o Rio de Janeiro, com 33.  

O Sul apresenta concentração semelhante. Com 70 municípios, equivalentes a 16,5% da amostra, a região colocou cinco cidades entre as dez primeiras: Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, Maringá e Jaraguá do Sul.

Alta vulnerabilidade socioeconômica e baixa renda per capita

Na outra ponta, o ranking é liderado negativamente por municípios das regiões Norte e Nordeste. Itaituba (PA) ocupa a 423.ª e última posição, com nota 31,99. Moju (PA) aparece em 422º, Tefé (AM) em 421º, Redenção (PA) em 420º e Pinheiro (MA) em 419º. Os cinco apresentam desempenho desfavorável nas três dimensões avaliadas: instituições, sociedade e economia.

O contraste é ainda mais evidente quando o ranking é comparado ao grupo G100, classificação da Frente Nacional de Prefeitos que reúne municípios com mais de 80 mil habitantes, alta vulnerabilidade socioeconômica e baixa renda per capita. Esses municípios correspondem a 26% da amostra, mas somente um deles, São Cristóvão (SE), aparece entre os 100 primeiros colocados. 

São Cristóvão é justamente o município que mais avançou no ranking. A cidade saltou 158 posições e chegou ao 75.º lugar. Bento Gonçalves (RS) avançou 155 posições, Barbacena (MG), 135, Alfenas (MG), 126, e Sarandi (PR), 119. O relatório atribui os avanços principalmente à melhora nas dimensões Instituições e Sociedade. 

Entre os maiores recuos, Timóteo (MG) perdeu 157 posições e caiu para o 277.º lugar. Jandira (SP) perdeu 145 posições, Ourinhos (SP), 140, Canaã dos Carajás (PA), 127, e Marília (SP), 125. Em Timóteo, as maiores quedas ocorreram nas dimensões Sociedade e Economia; em Jandira, o principal recuo ocorreu em Instituições. 

Goiás aparece com destaque intermediário no Centro-Oeste. Goiânia está na 68ª colocação nacional e Rio Verde na 100ª, enquanto Catalão apresentou o maior recuo da região, chegando à 240ª posição. O Centro-Oeste reúne 32 municípios na amostra e ocupa, em média, a 242.ª posição nacional, segundo o relatório.

65 indicadores distribuídos em 13 pilares

O ranking é estruturado em três dimensões. Sociedade, que reúne saúde, educação, segurança, saneamento e meio ambiente, responde por 42,4% da nota final. Economia representa 38,1%, enquanto Instituições, que considera aspectos como gestão fiscal e funcionamento da administração pública, corresponde a 19,5%. Ao todo, são 65 indicadores distribuídos em 13 pilares. 

Os resultados, entretanto, exigem cautela nas comparações com a edição anterior. O estudo alterou a metodologia do indicador de transparência municipal, que passou a utilizar dados do Radar Nacional da Transparência Pública. Além disso, três indicadores relacionados ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não tiveram dados atualizados até o fechamento do levantamento. Essas mudanças podem provocar alterações de posição que não correspondem exclusivamente à evolução ou piora do desempenho municipal.  

O próprio relatório ressalta que as posições são relativas ao conjunto dos 423 municípios analisados. Assim, estar entre os primeiros colocados não significa necessariamente apresentar desempenho elevado em termos absolutos, mas ter resultado superior ao dos demais municípios incluídos no recorte. 

 Os cinco primeiros colocados, segundo o ranking 

Vitória assumiu a liderança nacional pela primeira vez, com nota 64,28, avançando uma posição em relação à edição anterior (Diego Alves/Prefeitura Vitória-ES)

1. Vitória (ES) — 1.ª colocada

Vitória assumiu a liderança nacional pela primeira vez, com nota 64,28, avançando uma posição em relação à edição anterior. O desempenho da capital capixaba é puxado principalmente pela dimensão Instituições, na qual ocupa a 1.ª colocação, com nota 81,01, resultado associado aos indicadores que avaliam sustentabilidade fiscal e funcionamento da máquina pública. Em Economia, Vitória também apresenta desempenho de destaque, com a 3.ª posição nacional e nota 54,13. O principal ponto de atenção está na dimensão Sociedade, na qual aparece apenas na 99.ª colocação, com nota 65,72 e recuo de 20 posições. Ou seja, a liderança de Vitória resulta sobretudo de seu desempenho institucional e econômico, apesar da posição relativamente baixa no componente social. 

Florianópolis ficou em segundo lugar, com nota 63,79, após perder uma posição para Vitória (Lêo Russo/Prefeitura Florianópolis-SC)

2. Florianópolis (SC) — 2.ª colocada

Florianópolis ficou em segundo lugar, com nota 63,79, após perder uma posição para Vitória. O grande diferencial da capital catarinense é a dimensão Economia, na qual ocupa a 1.ª colocação nacional, com nota 58,99. A cidade também apresenta bom desempenho em Sociedade, na 37.ª posição, com nota 68,45 e avanço de 32 posições. Já em Instituições, o desempenho é significativamente mais baixo: Florianópolis aparece na 109ª colocação, com nota 63,05, após recuar 50 posições. O resultado mostra que a segunda colocação nacional é sustentada principalmente pelo desempenho econômico e social, enquanto a dimensão institucional é o principal ponto de desequilíbrio do município. 

Porto Alegre ocupa a terceira posição, com nota 63,46, avançando uma colocação (Prefeitura Porto Alegre-RS)

3. Porto Alegre (RS) — 3.ª colocada

Porto Alegre ocupa a terceira posição, com nota 63,46, avançando uma colocação. A capital gaúcha apresenta seu melhor resultado na dimensão Economia, com a 2.ª colocação nacional e nota 58,40. Em Instituições, aparece na 23.ª posição, com nota 68,47, enquanto em Sociedade está na 101.ª colocação, com nota 65,71. A diferença entre as dimensões é significativa: o município combina desempenho institucional relativamente forte e liderança econômica com uma posição mais baixa no componente social. O resultado geral, portanto, é sustentado principalmente pelas dimensões econômica e institucional. 

Curitiba aparece na quarta colocação nacional, com nota 63,02, também avançando uma posição (Prefeitura Curitiba-PR)

4. Curitiba (PR) — 4ª colocada

Curitiba aparece na quarta colocação nacional, com nota 63,02, também avançando uma posição. Seu principal destaque é a dimensão Instituições, na qual ocupa o 5º lugar, com nota 72,98. A capital paranaense também apresenta desempenho consistente em Sociedade, com a 27ª colocação e nota 69,11. Em Economia, entretanto, cai para a 6.ª posição, ainda assim permanecendo entre os melhores resultados nacionais, com nota 51,17. Curitiba é, portanto, uma das cidades mais equilibradas do grupo de liderança: mantém posições elevadas nas três dimensões e não apresenta nenhum componente abaixo da 27ª colocação nacional. 

São Paulo caiu duas posições e passou da terceira para a quinta colocação, com nota 62,86 (Freepik)

5. São Paulo (SP) — 5ª colocada

São Paulo caiu duas posições e passou da terceira para a quinta colocação, com nota 62,86. A capital paulista apresenta seu melhor resultado em Instituições, ocupando a 3.ª colocação nacional, com nota 73,79, e também está entre as líderes em Economia, na 4.ª posição, com nota 52,47. Na dimensão Sociedade, porém, aparece apenas na 62.ª colocação, com nota 67,18. O resultado mantém São Paulo no grupo dos cinco municípios mais competitivos do país, mas evidencia que a dimensão social é seu principal ponto de diferença em relação às posições mais altas. 

Com informações do Centro de Liderança Pública (CLP).
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