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Refração da luz

Halo solar ilumina céu de Goiás e Brasília, mas não indica chuva

Anel ao redor do Sol aparece no Centro-Oeste, região que enfrenta baixa umidade, escassez de precipitação e 157 municípios classificados em situação de seca severa

26/08/2026 - 10:23 Por Wilson Lopes

Um halo solar foi observado na terça-feira (25/08) em cidades do Centro-Oeste, incluindo Brasília (DF) e municípios de Goiás, como Goiânia, São Luís de Montes Belos, Aruanã, Iporá, Jussara e Aragarças. O fenômeno, caracterizado por um anel luminoso ao redor do Sol, é produzido pela refração da luz em cristais de gelo presentes em nuvens altas e finas e não pode ser utilizado, isoladamente, como previsão de chuva.

O halo é formado principalmente quando a luz solar atravessa nuvens do tipo cirrostratus, situadas em grandes altitudes e compostas por pequenos cristais de gelo. Esses cristais funcionam como prismas naturais e desviam a luz, produzindo o círculo luminoso observado no céu. O fenômeno mais comum é o halo de aproximadamente 22 graus ao redor do Sol. 

A ocorrência do halo chama atenção justamente em um momento de estiagem prolongada no Brasil Central. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que julho terminou com 157 municípios classificados em situação de seca severa, mais de quatro vezes o número registrado em maio, quando eram 38. Goiás estava entre os estados com municípios atingidos pela condição de seca.

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O quadro de calor e baixa umidade também foi registrado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Em 10 de agosto, o município de Goiás (GO) chegou a 41,4°C, maior temperatura registrada naquele dia pela rede do instituto. São Miguel do Araguaia (GO) atingiu a 41,1°C. Na mesma data, 47 municípios brasileiros registraram umidade relativa do ar igual ou inferior a 15%.

A previsão climática reforça o cenário de pouca chuva. Segundo o Cemaden, a previsão sazonal produzida em conjunto por CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME indicava, para agosto a outubro, chances de precipitação abaixo da média em praticamente todo o território nacional, com exceção da Região Sul. Para o fim de agosto, modelos do Centro Europeu também apontavam possibilidade de chuva abaixo da média em grande parte do Brasil Central. 

Halo não significa chuva

A relação entre o fenômeno óptico e a chuva precisa ser interpretada com cuidado. O halo não funciona como um sinal de que uma precipitação está prestes a ocorrer. A simples presença do anel solar não permite determinar a chegada de chuva.

Isso não significa, porém, que as nuvens envolvidas sejam completamente irrelevantes para a meteorologia. As cirrostratus são nuvens de grande altitude e podem aparecer em diferentes configurações atmosféricas. Assim, o halo pode coincidir com mudanças nas condições do tempo, mas não constitui, por si só, uma previsão meteorológica.

“Não é alerta de chuva. Na sabedoria popular, o halo costuma indicar condição de instabilidade ou mesmo a frente fria, mas não tem nada a ver”, explica a meteorologista Andrea Ramos, que atua como consultora em Brasília.

No cenário atual do Centro-Oeste, a distinção é importante. A existência de nuvens altas suficientes para produzir um halo não significa que haja umidade ou instabilidade na baixa atmosfera em quantidade capaz de gerar chuva. É possível, portanto, observar o fenômeno enquanto o solo continua sob condições de calor, baixa umidade e déficit de precipitação.

Registros em Goiás

Em Goiás, o halo foi registrado em diferentes regiões do estado. Imagens foram feitas em Goiânia, São Luís de Montes Belos, Aruanã, Iporá, Jussara e Aragarças, além de outras localidades. A abrangência dos registros mostra que o fenômeno não ficou restrito à capital ou a uma única área do estado.

A ocorrência também ajuda a explicar uma percepção comum durante a estiagem: a existência de nuvens no céu não significa necessariamente que a chuva esteja próxima. Nuvens de diferentes tipos e altitudes possuem funções distintas na atmosfera. No caso do cirrostratus, a formação do halo está relacionada aos cristais de gelo em altitude, e não à formação imediata de chuva junto à superfície.

Atenção ao observar o Sol

Apesar de o halo ser um fenômeno natural, especialistas recomendam não olhar diretamente para o Sol para tentar observá-lo. A exposição direta à luz solar intensa pode provocar danos à retina. O risco está na observação do Sol, e não no halo em si.

O episódio registrado no Centro-Oeste, portanto, combina dois fenômenos que precisam ser diferenciados: um efeito óptico produzido por cristais de gelo em nuvens altas e um cenário meteorológico marcado pela estiagem, pelo calor e pela baixa umidade. O primeiro não permite prever chuva; o segundo continua sendo acompanhado pelos órgãos de monitoramento climático e meteorológico.

Com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
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