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#OUT/NOV/DEZ

Primavera chega entre flores, seca, calor e excesso de chuva

Previsões indicam temperaturas acima da média em grande parte do país, déficit de chuva de até 200 milímetros em áreas do Norte e excesso de até 200 milímetros no Sul

22 SET 2026 - 10H49 • Por Wilson Lopes
A previsão indica temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, déficit de chuva no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e excesso de precipitação no Sul - Rafa Neddermeyer/ABr

A primavera começa nesta terça-feira (22/09), às 21h05, no Hemisfério Sul, sob a influência de um El Niño com elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte, segundo a Nota Técnica Conjunta do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Para o trimestre outubro, novembro e dezembro, a previsão indica temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, déficit de chuva no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e excesso de precipitação no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.  

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O cenário está relacionado ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Segundo a nota técnica, as temperaturas da superfície do mar na região Niño 3.4 apresentam anomalias positivas desde março de 2026, com padrão compatível com El Niño. A previsão utilizada no documento aponta 98% de probabilidade de um episódio muito forte no trimestre outubro-dezembro. 

A projeção mais recente do CPC, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), mantém o cenário de forte intensificação do fenômeno. O órgão estima mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte e 75% de chance de que o episódio de outubro a dezembro de 2026 supere, em intensidade, os eventos registrados desde 1950, considerando o índice utilizado pelo CPC.

Na Região Norte, a previsão aponta déficit de precipitação em praticamente toda a região (Rafa Neddermeyer/ABr)

Norte terá combinação de menos chuva e mais calor

Na Região Norte, a previsão aponta déficit de precipitação em praticamente toda a região. Roraima, o norte-nordeste do Amazonas e o oeste e centro-sul do Pará podem registrar acumulados de até 200 milímetros abaixo da média climatológica no trimestre.

Ao mesmo tempo, as temperaturas devem ficar até 2°C acima da média em grande parte da região. As exceções são o norte do Amapá e o noroeste do Pará, onde a temperatura tende a permanecer próxima da média histórica. 

O cenário é particularmente relevante para áreas da Amazônia que dependem dos regimes de chuva para abastecimento, transporte fluvial, produção agropecuária e manutenção dos níveis dos rios.

Nordeste terá irregularidade das chuvas

No Nordeste, também predomina a tendência de déficit de precipitação. A exceção parcial está no setor leste, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas, onde alguns pontos podem registrar volumes levemente superiores à média.

O calor será outro fator de pressão. Alguns estados nordestinos podem apresentar temperaturas até 2°C acima da média climatológica. 

A previsão também chama atenção para o MATOPIBA — área formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, importante fronteira agrícola brasileira. O relatório aponta maior irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas, especialmente no início da nova safra de grãos. 

Goiás terá diferenças entre o Norte e o Sul

O Centro-Oeste apresenta um dos cenários mais heterogêneos da previsão. O norte de Goiás e o centro-norte de Mato Grosso aparecem com tendência de déficit de chuva. Já o sul de Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam condições favoráveis a volumes acima da média. Em toda a região, porém, predominam temperaturas superiores à média, com desvios de até 2°C no norte de Mato Grosso. 

Para a agricultura, essa diferença regional pode ser determinante. O documento considera que as chuvas previstas para Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso devem favorecer o início da soja 2026/27. Em sentido oposto, a redução das chuvas no norte de Mato Grosso e Goiás pode elevar o risco de déficit hídrico e exigir maior atenção à janela de plantio e à umidade do solo. 

São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais apresentam possibilidade de excesso de chuva (Paulo Pinto/ABr)

Sudeste terá excesso de chuva em parte da região

No Sudeste, o comportamento também será desigual. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais apresentam possibilidade de excesso de chuva, com desvios de até 100 milímetros acima da média.

O Espírito Santo aparece na situação oposta: grande parte do estado pode registrar chuvas irregulares e déficit de até 50 milímetros. 

As temperaturas tendem a ficar acima da média em toda a região. Os maiores desvios, de até 1°C, estão previstos para a região central de Minas Gerais e o nordeste de São Paulo.

Na agricultura paulista, a distribuição prevista das chuvas deve favorecer culturas como cana-de-açúcar e hortifruticultura. Já no norte e noroeste de Minas Gerais, a combinação de menor precipitação e temperaturas elevadas pode aumentar a necessidade de água para plantas e animais. 

Sul pode ter chuva até 200 milímetros acima da média

O Sul aparece como a principal área de excesso de precipitação na previsão sazonal. Os três estados têm condições favoráveis a chuvas acima da média, com Rio Grande do Sul e Santa Catarina podendo registrar acumulados até 200 milímetros superiores à média histórica no trimestre. 

No Paraná, as temperaturas podem ficar até 1°C acima da média, especialmente na porção leste. No Rio Grande do Sul, a tendência é de temperaturas próximas da média, com possibilidade de valores até 0,5°C abaixo dela no sul do estado. 

O excesso de chuva, porém, não significa necessariamente condições agrícolas melhores. A precipitação frequente pode reduzir os períodos adequados para máquinas entrarem nas lavouras e dificultar o manejo. No caso da soja e do milho, isso pode comprometer a uniformidade da emergência das plantas. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente podem sofrer com excesso de água no solo. 

Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

 Calor aumenta demanda por água 

A elevação das temperaturas é um dos elementos comuns à maior parte do território nacional. Segundo o documento, o aquecimento favorece maior evapotranspiração — processo pelo qual a água é perdida pela evaporação do solo e pela transpiração das plantas.

Na prática, isso significa que uma lavoura pode precisar de mais água mesmo quando a quantidade de chuva não muda proporcionalmente. O relatório alerta para possível redução da umidade do solo e dos níveis dos reservatórios em áreas do centro-norte do país. 

O fenômeno também pode favorecer a formação rápida de tempestades severas quando o ar quente entra em contraste com frentes frias. Na Região Sul, os chamados Complexos Convectivos de Mesoescala são associados a chuva intensa, rajadas de vento, raios e eventual granizo. 

O que muda para a população

A previsão é sazonal e trabalha com desvios em relação às médias históricas. Ela não determina que determinada cidade terá chuva ou calor em um dia específico. O próprio relatório ressalta a necessidade de acompanhamento contínuo das condições observadas e de atualização das previsões, especialmente durante a implantação das lavouras. 

Esse é um ponto importante para a leitura dos dados: "chuva abaixo da média" não significa necessariamente ausência de chuva, assim como "chuva acima da média" não significa que haverá chuva todos os dias. O que está sendo projetado é o comportamento acumulado e probabilístico do trimestre.

A primavera termina em 21 de dezembro, às 18h50, quando começa o verão no Hemisfério Sul. 

Estados em destaque

Com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
@inmet.oficial @inpemcti @funceme @NOAA @agencia.brasil

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