Letônia tem mais mulheres que homens e populariza o "Marido por uma Hora"
País báltico enfrenta a maior diferença da União Europeia, mas o grande desequilíbrio entre homens e mulheres aparece principalmente com o avanço da idade
27 SET 2026 - 10H59 • Por Wilson LopesA Letônia registrava, no início de 2025, 116 mulheres para cada 100 homens, a maior diferença entre os sexos entre os países da União Europeia. O país báltico tinha 1,857 milhão de habitantes, dos quais 53,7% eram mulheres. O desequilíbrio, porém, não ocorre de maneira uniforme em todas as idades: entre 15 e 49 anos, homens e mulheres têm participação semelhante, enquanto entre pessoas com mais de 65 anos há aproximadamente duas mulheres para cada homem.
A diferença está relacionada principalmente à maior mortalidade masculina e à menor expectativa de vida dos homens. Dados oficiais da Letônia mostram que a expectativa de vida ao nascer chegou, em 2024, a 71,3 anos para homens e 81,1 anos para mulheres, uma diferença de 9,8 anos. O resultado também varia regionalmente: na região de Riga, a expectativa de vida feminina chegou a 81,5 anos, enquanto na região de Latgale os homens apresentaram a menor expectativa do país, de 68,8 anos.
O dado letão se destaca também no contexto europeu. Em 1º de janeiro de 2025, a União Europeia tinha 230 milhões de mulheres e 221 milhões de homens, proporção equivalente a 104,2 mulheres para cada 100 homens. Na Letônia, o excesso feminino correspondia a 15,6%, o maior índice registrado entre os países do bloco.
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O paradoxo das faixas etárias
Apesar de a Letônia ser conhecida pela predominância feminina, os dados mostram que a expressão “faltam homens” precisa ser usada com cautela.
Na população em idade reprodutiva, de 15 a 49 anos, as mulheres representavam 49% e os homens 51%. Ou seja, nessa faixa etária, a diferença é pequena e ocorre, inclusive, com ligeira maioria masculina. O grande desequilíbrio aparece principalmente com o avanço da idade.
Esse fenômeno decorre de uma combinação de fatores demográficos e de saúde. Segundo o órgão oficial de estatísticas da Letônia, a menor longevidade masculina está associada a fatores relacionados ao estilo de vida e a comportamentos de risco.
O país também apresenta diferenças importantes entre suas cidades. No início de 2025, Preiļi registrava 133 mulheres para cada 100 homens; Valka, 132; e Krāslava, 131. Em Mazsalaca e Olaine, eram 130 mulheres para cada 100 homens. No outro extremo, Durbe e Subate apresentavam uma distribuição praticamente equilibrada, com 101 mulheres para cada 100 homens.
E o “Marido por uma Hora”?
É nesse contexto que circula nas redes sociais a história de que a escassez de homens teria criado na Letônia um mercado chamado “Marido por uma Hora” — tradução de “Vīrs uz stundu”.
O serviço existe, mas a relação causal apresentada nas publicações virais não está comprovada.
Plataformas de serviços na Letônia utilizam a categoria “Vīrs uz stundu” para profissionais que realizam pequenos reparos e trabalhos domésticos. Entre as atividades anunciadas estão serviços de hidráulica, elétrica, construção e manutenção. Em uma plataforma de contratação, por exemplo, profissionais aparecem com preços que variam de 10 a 50 euros por hora, dependendo do serviço e do prestador.
Portanto, há dois fatos combinados na narrativa que circula na internet: a Letônia possui realmente a maior predominância feminina da União Europeia e realmente existe um mercado chamado “Marido por uma Hora”.
O que não está demonstrado é que uma realidade tenha provocado a outra.
Não foram identificadas, nas fontes estatísticas oficiais consultadas, evidências de que o serviço tenha sido criado para suprir uma suposta falta de homens disponíveis para executar tarefas domésticas. Também não há base suficiente para afirmar que o serviço seja predominantemente procurado por mulheres ou que funcione como substituto de um parceiro.
Na prática, a denominação comercial é utilizada para descrever um tipo de serviço de manutenção residencial, semelhante ao que em outros países pode ser chamado de “faz-tudo”, manutenção residencial ou profissional para pequenos reparos.
Um país que envelhece
A estrutura etária ajuda a explicar por que a diferença entre os sexos aumenta com a idade. A população letã tinha idade média de 43,4 anos no início de 2025. Entre os homens, a média era de 40,3 anos; entre as mulheres, 46,2 anos. A região de Riga apresentava a população mais jovem, com idade média de 42,6 anos, enquanto Latgale tinha a população mais envelhecida, com 45,9 anos.
O cenário mostra que o fenômeno demográfico da Letônia é menos uma questão de “ausência de homens” e mais uma consequência da estrutura etária, da mortalidade e da diferença de longevidade entre os sexos.
Portanto, a história do “Marido por uma Hora” pode funcionar como uma curiosidade associada ao país, mas não deve ser apresentada jornalisticamente como consequência comprovada do desequilíbrio demográfico.
A Letônia, país báltico integrante da União Europeia e com capital em Riga, tinha 1,845 milhão de habitantes no início de 2026, dos quais 62,8% estavam em idade ativa e 22,4% tinham 65 anos ou mais; quase 46% da população vivia na região de Riga, incluindo 589 mil habitantes na capital. A economia cresceu 2,1% em 2025 e avançou 3,0% no segundo trimestre de 2026, enquanto a taxa de desemprego ficou em 7,0% no período; o salário bruto médio alcançou €1.886 em 2026. Apesar da expansão econômica, a Letônia permanece entre os países da UE com menor PIB per capita, enquanto a população enfrenta redução demográfica: em 2025 nasceram 11.931 crianças, contra 26.109 mortes, resultando em crescimento natural negativo.
Com informações da Central Statistical Bureau of Latvia (CSB) da Letônia.
@latviatravel
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