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R$ 141,2 bilhões

Leite, ovos, peixes e carnes impulsionam novo recorde da pecuária brasileira

Pesquisa do IBGE mostra avanço da produtividade e da produção em diferentes cadeias, enquanto bovinos e vacas ordenhadas recuam

30 SET 2026 - 11H54 • Por Wilson Lopes
A produção nacional chegou a 36,7 bilhões de litros de leite, recorde da série histórica e 2,7% superior à de 2024 - Daniel Calvo/Prefeitura Castro (PR)

A pecuária e a aquicultura brasileiras alcançaram R$ 141,2 bilhões em valor de produção em 2025, crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorreu mesmo com a redução de 1,7% do rebanho bovino, que fechou o ano em 234,3 milhões de animais, e com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas. Em sentido oposto, leite, ovos, peixes, camarão e mel registraram aumento de produção ou valor, revelando uma pecuária marcada por ganhos de produtividade e mudanças na composição das cadeias produtivas. 

O movimento mais expressivo está no leite. A produção nacional chegou a 36,7 bilhões de litros, recorde da série histórica e 2,7% superior à de 2024. Ao mesmo tempo, o número de vacas ordenhadas caiu para 14,7 milhões, o menor volume desde 1979. A produtividade média subiu 5,6%, para 2.498,7 litros por vaca ao ano. O IBGE relaciona o resultado a fatores como maior tecnificação, melhoramento genético, manejo e reorganização da base produtiva. 

A concentração territorial da produção de leite também mudou. A Região Sul retomou a liderança, com 12,5 bilhões de litros, ou 34% do total nacional, enquanto o Sudeste respondeu por 33,5%. Minas Gerais continuou como principal Estado produtor, com 10,1 bilhões de litros, equivalentes a 27,5% do total brasileiro. Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás completaram os principais destaques estaduais apresentados pelo IBGE. 

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Castro (PR) liderou a produção de leite, com 532,8 milhões de litros, seguido por Carambeí (PR), com 306,8 milhões, e Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões (Daniel Calvo/Prefeitura Castro/PR)

Castro lidera a produção de leite

No nível municipal, Castro (PR) liderou a produção de leite, com 532,8 milhões de litros, seguido por Carambeí (PR), com 306,8 milhões, e Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões. O valor nacional da produção leiteira alcançou R$ 89,5 bilhões, 2,3% acima de 2024. O preço médio estimado pago ao produtor permaneceu praticamente estável, em R$ 2,44 por litro. 

O quadro bovino, por outro lado, aponta retração pelo segundo ano consecutivo. O Brasil encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, queda de 1,7%. Ainda assim, o abate sob inspeção sanitária chegou ao recorde de 43 milhões de animais. As exportações de carne bovina in natura também atingiram máximos históricos, com aumento de 21,4% no volume e de 42,5% no faturamento. 

A China continuou como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo 53,3% do volume exportado, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar. O mercado chinês aumentou em 24,6% as compras de carne bovina brasileira em relação a 2024; as aquisições norte-americanas cresceram 18,8%. 

Entre os Estados, Mato Grosso manteve o maior rebanho, com 31,6 milhões de bovinos. O Pará aparece em segundo, com 25,6 milhões, seguido por Goiás, com 22,5 milhões, Minas Gerais, com 22,1 milhões, e Mato Grosso do Sul, com 17,9 milhões. Juntos, os cinco Estados concentraram 51,1% do rebanho nacional. 

Goiás, portanto, permanece entre os principais polos bovinos do país, embora tenha registrado redução de 3,2% no rebanho em relação a 2024. O Estado também aparece entre os principais produtores de leite e ocupa posição relevante na criação de matrizes suínas.

São Félix do Xingu (PA) permaneceu na primeira posição entre os municípios brasileiros com maior efetivo bovino, com 2,7 milhões de cabeças (@prefeituraxingu)

São Félix do Xingu tem o maior efetivo bovino

No recorte municipal, São Félix do Xingu (PA) permaneceu na primeira posição entre os municípios brasileiros com maior efetivo bovino, com 2,7 milhões de cabeças. Corumbá (MS), Porto Velho (RO), Cáceres (MT) e Marabá (PA) completam os cinco primeiros. As cinco cidades somaram 9,3 milhões de bovinos, ou 4% do rebanho nacional. 

Enquanto os bovinos recuaram, as aves avançaram. O efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, alta de 1,6%, enquanto o número de galinhas alcançou 293,3 milhões, crescimento de 5,8%. A produção de ovos de galinha atingiu 5,7 bilhões de dúzias, alta de 5,7%, e cresceu em 24 das 27 Unidades da Federação.  

Santa Maria de Jetibá lidera no efetivo de galinhas e produção de ovos

A Região Sudeste concentra 35,5% das galinhas existentes no país e lidera a produção de ovos, com 39,3%. São Paulo respondeu sozinho por 22,5% da produção nacional. Entre os municípios, Santa Maria de Jetibá (ES) liderou tanto o efetivo de galinhas quanto a produção de ovos, enquanto Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também aparecem entre os principais polos. 

Nos suínos, o país chegou a aproximadamente 44 milhões de animais, o segundo maior número da série histórica, atrás apenas de 2022. A Região Sul concentrou 51,8% do efetivo, com Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul nas três primeiras posições estaduais. Toledo (PR) liderou entre os municípios, com 935 mil suínos, seguido por Uberlândia (MG) e Concórdia (SC). 

O Nordeste mantém uma especialização distinta. A região concentra 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos brasileiros. Bahia e Pernambuco lideram os dois rebanhos, enquanto municípios como Casa Nova e Juazeiro, na Bahia, e Floresta e Petrolina, em Pernambuco, aparecem entre os principais polos. 

Na apicultura, a Região Sul voltou a ocupar a liderança nacional, depois de não estar no primeiro lugar desde 2022. Foram produzidas 71,3 mil toneladas de mel, crescimento de 4,5%, e o valor da produção superou pela primeira vez R$ 1,2 bilhão, alta de 18,5%. Ao mesmo tempo, as exportações recuaram 9,1%, para 34,5 mil toneladas. O Rio Grande do Sul passou a liderar a produção estadual, com 15,3% do total, seguido pelo Paraná, com 15%.

Santa Maria de Jetibá (ES) liderou tanto o efetivo de galinhas quanto a produção de ovos, enquanto Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também aparecem entre os principais polos (PMSMJ)

Morada Nova de Minas é o principal produtor de peixes

A piscicultura também ganhou espaço. A produção brasileira de peixes cresceu 7,1%, para 783 mil toneladas, com valor de R$ 8,5 bilhões, alta de 9,6%. O Paraná liderou entre os estados, com 27,4% da produção nacional. A tilápia respondeu por 68,2% de todos os peixes produzidos no país. Morada Nova de Minas (MG) foi o principal município produtor, responsável por 4,1% do total nacional. 

Outro destaque foi a carcinicultura. A produção de camarão alcançou 172,4 mil toneladas, crescimento de 18,2%, e gerou R$ 3,6 bilhões, alta de 19,4%. O Nordeste respondeu por 99,7% da produção, principalmente Ceará e Rio Grande do Norte. Aracati (CE), com 21,3 mil toneladas, liderou entre os municípios. 

Na produção de ostras, vieiras e mexilhões, a concentração regional é ainda maior: a Região Sul respondeu por 90% do total, com Santa Catarina sozinha representando 88,1%. Palhoça, Florianópolis, Bombinhas, Penha, Governador Celso Ramos e São José, todos catarinenses, responderam juntos por 85% da produção nacional. 

Os dados revelam, assim, uma transformação importante na estrutura da pecuária brasileira: o aumento do valor produzido não depende necessariamente da expansão dos rebanhos. O leite é o exemplo mais claro, com menos vacas e maior produção, enquanto a bovinocultura combina redução do efetivo com recordes de abate e exportação. Ao mesmo tempo, cadeias como ovos, piscicultura, camarão e mel ampliaram produção ou valor, diversificando a composição econômica da atividade.

Uma ressalva importante sobre o leite

O IBGE estima que foram produzidos 36,7 bilhões de litros de leite em 2025, enquanto os laticínios sob inspeção sanitária adquiriram 27,6 bilhões de litros. A diferença permite estimar que 75,2% da produção nacional foi adquirida por estabelecimentos sob inspeção sanitária. O indicador, porém, não permite afirmar sozinho que os 24,8% restantes sejam produção informal, pois a PPM e a Pesquisa Trimestral do Leite possuem metodologias e universos diferentes. 

Contexto socioeconômico

A PPM é essencialmente uma pesquisa de produção e efetivos e não apresenta, neste informativo, indicadores socioeconômicos municipais suficientes para estabelecer relações causais entre desempenho pecuário, renda, emprego ou desenvolvimento humano. Por isso, esses aspectos não devem ser inferidos diretamente dos rankings da pesquisa.

Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Acesse a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM)