A agricultura brasileira alcançou em 2025 o maior valor de produção já registrado pela Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): R$ 927,2 bilhões, aumento nominal de 18,4% sobre 2024.
O resultado ocorreu em paralelo a uma safra recorde de 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, 18,2% acima do ano anterior. A recuperação veio após uma temporada de 2024 marcada por impactos climáticos associados ao El Niño, especialmente no Sul e no Centro-Oeste.
O crescimento foi concentrado principalmente em soja e milho. A soja manteve a liderança entre as culturas, respondendo por 34% do valor total da produção agrícola, ou aproximadamente R$ 315,2 bilhões. A produção chegou a 165,3 milhões de toneladas, crescimento de 14,4%, enquanto a produtividade média aumentou 10,3%. O milho, por sua vez, alcançou 141,2 milhões de toneladas, recorde da série histórica e alta de 23,1%, com aumento de 38,9% no valor produzido.
A concentração das duas culturas é ainda maior quando se observa o volume de grãos: soja e milho responderam juntas por 88,7% da produção brasileira de grãos em 2025. O avanço ocorreu em um cenário de ampliação da área cultivada e de melhora da produtividade.
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Área agrícola também avança
O crescimento não ficou restrito à produção. A área plantada com as culturas investigadas pela PAM chegou a 101,3 milhões de hectares, 4,2% acima de 2024. A soja foi responsável pela maior expansão absoluta, com mais 1,7 milhão de hectares, seguida pelo milho, com 995,2 mil hectares, e pelo sorgo, com 203,4 mil hectares.
A expansão da soja é particularmente expressiva no longo prazo. Entre 2005 e 2025, o volume produzido pelo país aumentou 222,9%, enquanto o rendimento médio cresceu 55,6%. O próprio IBGE associa esse desempenho aos investimentos em pesquisa e tecnologia aplicados à produção agrícola.
Café: aumento de 3% na produção, mas 44,7% no valor
Um dos maiores descolamentos entre produção física e receita ocorreu com o café. A produção cresceu apenas 3%, mas o valor gerado avançou 44,7%, impulsionado pela valorização da saca no mercado internacional. O valor da cultura chegou a aproximadamente R$ 100 bilhões.
O comportamento foi diferente entre as variedades. O café canephora teve aumento de produção de 26,8%, enquanto o arábica sofreu com a chamada bienalidade negativa, fenômeno natural pelo qual a planta tende a alternar anos de maior e menor produção. Também houve efeitos de falta de chuvas e temperaturas elevadas em importantes áreas produtoras.
Nem toda alta de produção significou maior valor
O levantamento mostra um dos principais paradoxos da agricultura em 2025: produzir mais não necessariamente significou faturar mais.
O arroz aumentou a produção em 18,6%, mas seu valor de produção caiu 12%. O cacau também teve aumento físico de 5,6%, porém o valor recuou 15,2%. A laranja teve aumento de 5,2% na produção, mas queda de 19,6% no valor.
No caso do arroz, a maior oferta interna e as condições do mercado internacional pressionaram os preços. Na laranja, a queda do valor esteve associada à redução das cotações e à demanda externa mais morosa, além dos efeitos do greening, doença bacteriana que afeta os pomares cítricos.
O trigo apresentou comportamento semelhante: a produção cresceu 4,9%, favorecida por aumento de 21,9% na produtividade, mas a área cultivada caiu 13,9% e o valor de produção recuou 2% em razão dos preços baixos.

Mato Grosso mantém liderança entre os estados
Mato Grosso permaneceu na primeira posição entre as 27 Unidades da Federação, com R$ 165,6 bilhões em valor de produção e participação de 17,9% do total nacional. O crescimento estadual chegou a 37,1%. Soja, milho e algodão foram determinantes para o resultado.
São Paulo ficou na segunda posição, com R$ 124 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões. Paraná e Goiás avançaram para a quarta e quinta posições, respectivamente, à frente do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul representa um contraponto importante. O estado caiu para a sexta posição e registrou redução de 5,9% no valor da produção, para R$ 71,3 bilhões. A soja teve queda de 28,3% no rendimento e de 21,7% no valor produzido, enquanto arroz e trigo também perderam valor.
Centro-Oeste ultrapassa Sudeste
Entre as grandes regiões, o Centro-Oeste assumiu a liderança, com R$ 288 bilhões, crescimento de 31,8%. A região é fortemente concentrada em soja, milho e algodão. O Sudeste ficou em segundo lugar, com R$ 271 bilhões, enquanto o Sul registrou R$ 181,1 bilhões e permaneceu em terceiro.
O Nordeste chegou a R$ 113,7 bilhões, alta de 11%, enquanto o Norte alcançou R$ 73,4 bilhões, crescimento de 13,4%.

Sapezal lidera entre os municípios
O município com maior valor de produção agrícola do país em 2025 foi Sapezal (MT), com R$ 8,6 bilhões, alta de 46,6%. O algodão herbáceo respondeu por cerca de R$ 5,1 bilhões, enquanto soja e milho também tiveram forte expansão.
Na segunda posição aparece São Desidério (BA), com R$ 8,2 bilhões. O município gerou R$ 4,5 bilhões com a soja, assumindo a liderança nacional em valor produzido pela oleaginosa, e outros R$ 3,1 bilhões com o algodão.
Sorriso (MT), líder em 2024, caiu para a terceira posição, com R$ 8,2 bilhões. A mudança, entretanto, tem uma explicação territorial: em 2025 foi criada Boa Esperança do Norte (MT), formada com áreas que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Segundo o IBGE, 20% das terras vieram de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã, redistribuindo parte da produção.
Os dez municípios de maior valor de produção somaram R$ 65,9 bilhões, equivalentes a 7,1% do total nacional. Cinco estão em Mato Grosso, dois na Bahia e três em Goiás.
Sapezal, no oeste de Mato Grosso, ocupa uma posição estratégica no agronegócio brasileiro, estando integrada a importantes corredores rodoviários, com acesso pela BR-364 e pela MT-235, e funciona como polo regional de uma das principais áreas produtoras de soja, algodão e milho do país (Prefeitura Sapezal/MT)Outros municípios que se destacam
Unaí (MG) foi o município de maior valor de produção do Sudeste, com R$ 2,6 bilhões. Soja, milho, café arábica e cana-de-açúcar foram as principais culturas, e o valor municipal cresceu 19,4%.
No Sul, Vacaria (RS) gerou quase R$ 1,7 bilhão e é o segundo maior produtor de maçã do país, com R$ 782,3 milhões provenientes da fruta.
No Norte, Medicilândia (PA) se destacou pelo cacau. O município produziu R$ 1,9 bilhão com o fruto e alcançou R$ 2,3 bilhões em valor agrícola total. Apesar disso, registrou queda de 16,7%, em grande parte pela redução de 20,6% no valor do cacau após a forte valorização observada em 2024.
Um cuidado importante na leitura do recorde
O número de R$ 927,2 bilhões deve ser interpretado como valor nominal, porque o IBGE define o valor de produção a preços correntes do ano. Portanto, o crescimento de 18,4% não representa, isoladamente, crescimento real descontado da inflação.
Há ainda uma segunda ressalva metodológica. A PAM incorporou novos produtos em 2025, incluindo morango, acerola, cupuaçu e graviola. No caso das frutas, o IBGE calcula que o valor total aumentou 4,2%; porém, sem as novas culturas, haveria queda de 1,8%. As novas frutas acrescentaram R$ 5,5 bilhões ao valor nacional, com o morango como principal contribuição.
Esse é um dos principais pontos de atenção para comparações históricas: parte da variação decorre da própria ampliação do universo pesquisado.
O que os dados revelam
A fotografia de 2025 mostra uma agricultura brasileira cada vez mais concentrada em soja, milho, algodão, cana e café, tanto em área quanto em geração de valor. Ao mesmo tempo, os resultados demonstram a influência decisiva de três fatores: clima, produtividade e preços.
O recorde de produção física de grãos veio acompanhado de maior área cultivada e ganhos de rendimento. Já culturas como arroz, trigo, laranja e cacau demonstram que uma safra maior pode conviver com redução de receita quando os preços caem. O resultado final de R$ 927,2 bilhões, portanto, combina recuperação produtiva, expansão territorial das lavouras e comportamento dos mercados agrícolas.
Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Acesse a pesquisa Produção Agrícola Municipal – PAM 2025







