O tratamento da obesidade com as chamadas “canetas emagrecedoras” pode entrar em uma nova fase no Brasil. O Ministério da Saúde anunciou que trabalha na definição de um protocolo para disponibilizar medicamentos contra a obesidade gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a incorporação ainda está em processo de avaliação.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 17 de setembro, durante agenda em Montes Claros (MG). Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é garantir que os medicamentos sejam oferecidos de forma responsável, baseada em evidências e com critérios clínicos definidos — e não como uma solução estética.
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OBESIDADE ATINGE MAIS DE 1 EM CADA 4 ADULTOS
Os dados mais recentes do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, mostram a dimensão do problema.
A proporção de adultos com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Ou seja, mais que dobrou em menos de duas décadas.
Entre as mulheres, o índice chegou a 26,7% em 2024, contra 12,1% em 2006. O Ministério da Saúde também identifica a obesidade como uma doença crônica multifatorial, relacionada a fatores biológicos, sociais, econômicos, culturais e ambientais.
É importante destacar que o Vigitel não representa diretamente toda a população brasileira, mas os adultos residentes nas capitais dos estados e no Distrito Federal.
O QUE ESTÁ SENDO PREPARADO PELO SUS
O Ministério da Saúde informa que está estudando o uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 em pacientes do sistema público.
Um dos estudos em andamento é o Real-Bari, desenvolvido no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). A pesquisa acompanha 250 pacientes com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças.
O primeiro paciente do estudo a receber semaglutida pelo SUS estava na fila para cirurgia bariátrica. Segundo o Ministério da Saúde, ele havia perdido seis quilos e reduzido a circunferência abdominal após o início do tratamento.
O estudo busca responder justamente a uma questão relevante para o sistema público: em quais pacientes o tratamento medicamentoso pode controlar a obesidade e eventualmente reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a cirurgia bariátrica?
Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é garantir que os medicamentos sejam oferecidos de forma responsável, baseada em evidências e com critérios clínicos definidos — e não como uma solução estética (Rafa Neddermeyer/ABr)AINDA NÃO É UMA DISTRIBUIÇÃO GERAL
Apesar do anúncio, a informação não significa que qualquer pessoa poderá retirar uma caneta para emagrecimento gratuitamente em uma unidade do SUS.
O Ministério ainda precisa definir quais medicamentos serão incorporados, quais pacientes terão indicação, critérios de acesso, acompanhamento médico, duração do tratamento e condições para continuidade ou suspensão da terapia.
O SUS já possui uma Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade, que prevê acompanhamento integrado dos pacientes dentro da Rede de Atenção à Saúde.
QUANTO CUSTA TRATAR A OBESIDADE NA REDE PARTICULAR?
O preço varia bastante de acordo com o medicamento, dose, apresentação, fabricante, descontos e local de compra.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, medicamentos que anteriormente custavam de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil passaram a ser encontrados, em alguns casos, na faixa de R$ 300 a R$ 400 nas farmácias, em razão da ampliação da concorrência.
A chegada de novos fabricantes tem contribuído para essa redução.
Em julho de 2026, a Anvisa registrou cinco novos medicamentos à base de semaglutida, ampliando a concorrência no mercado brasileiro.
Em setembro, a agência também aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida. Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem ter preço, no mínimo, 35% inferior ao medicamento de referência no momento do registro.
Na prática, portanto, o custo mensal do tratamento particular pode variar de algumas centenas de reais para determinadas apresentações a valores significativamente superiores, especialmente conforme a dose e o medicamento utilizado.
Além disso, o preço da caneta não representa necessariamente o custo total do tratamento: consultas médicas, exames, acompanhamento nutricional e eventual tratamento de doenças associadas podem aumentar a despesa.
A Anvisa mantém a lista oficial de preços máximos autorizados pela CMED. Os valores praticados nas farmácias podem ser inferiores ao preço-teto devido a descontos.
Não é correto tratar todas as “canetas emagrecedoras” como se fossem o mesmo medicamento (Rafa Neddermeyer/ABr)SEMAGLUTIDA, LIRAGLUTIDA E TIRZEPATIDA: QUAL A DIFERENÇA?
As chamadas “canetas emagrecedoras” não são um único medicamento.
Entre as principais substâncias estão:
- SEMAGLUTIDA — atua sobre o receptor GLP-1, ajudando a regular o apetite e a ingestão de alimentos. A Anvisa reconhece medicamentos à base de semaglutida para diferentes indicações, conforme o produto e a dose.
- LIRAGLUTIDA — também é agonista do receptor GLP-1. Em setembro de 2026, a Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos dessa substância, indicados para diabetes ou obesidade, conforme o produto.
- TIRZEPATIDA — atua sobre os receptores GIP e GLP-1. O Mounjaro recebeu da Anvisa indicação para controle crônico do peso, associado a dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos dentro dos critérios estabelecidos pela agência.
Por isso, não é correto tratar todas as “canetas emagrecedoras” como se fossem o mesmo medicamento.
UM MERCADO EM TRANSFORMAÇÃO
A concorrência também começa a mudar os preços. Em julho, a Anvisa registrou cinco novos produtos de semaglutida, movimento que o Ministério da Saúde relaciona à estratégia de ampliar o acesso e estimular a concorrência.
Em 2026, também avançou a produção nacional. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já possui 14 produtos registrados para o combate à obesidade, considerando as diferentes opções disponíveis no mercado.
A expansão, porém, aumenta também a necessidade de fiscalização. Em 16 de setembro, a Anvisa proibiu a importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso da chamada T36, uma caneta de GLP-1 sem registro sanitário no Brasil. A agência informou que o produto não havia passado pela avaliação brasileira de segurança e eficácia.
OBESIDADE NÃO É APENAS UMA QUESTÃO DE PESO
O próprio Ministério da Saúde classifica a obesidade como uma doença crônica não transmissível e fator de risco para diversas outras enfermidades.
Entre os problemas associados estão diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e alguns tipos de câncer.
O fenômeno também começa antes da vida adulta. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), realizado em 2019, apontaram 10,1% de excesso de peso entre crianças brasileiras menores de cinco anos, enquanto a obesidade atingia 3% dessa população.
O DESAFIO PARA O BRASIL
A expansão das canetas representa, portanto, apenas uma parte da resposta ao crescimento da obesidade.
O desafio para o poder público envolve combinar prevenção, alimentação adequada, atividade física, acompanhamento médico, tratamento medicamentoso quando indicado e cirurgia bariátrica nos casos em que ela for necessária.
O próprio Ministério da Saúde mantém uma linha de cuidado específica para sobrepeso e obesidade dentro do SUS.
A discussão sobre as canetas, portanto, vai além do preço de uma caixa de medicamento. Envolve quem precisa do tratamento, quem terá acesso, quanto o SUS gastará, quais serão os critérios clínicos e como garantir acompanhamento adequado aos pacientes.
Enquanto o protocolo nacional não é concluído, o tratamento continua sujeito às indicações médicas e às regras de acesso já existentes.
Com informações do Ministério da Saúde.
@minsaude @prefeituradeparauapebas
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