Logo Agência Cidades

101,0 X 100

São Paulo envelheceu: Estado tem mais idosos do que menores de 15 anos

Envelhecimento acelera e São Paulo chega a 101 idosos para cada 100 menores de 15 anos, aponta estudo da Fundação Seade

1 OUT 2026 - 09H52 • Por Wilson Lopes
O Estado passou a ter 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 habitantes com menos de 15 anos - Prefeitura São Paulo (SP)

São Paulo atingiu, em 2025, um marco na transformação de sua estrutura etária: o Estado passou a ter 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 habitantes com menos de 15 anos. O índice de envelhecimento, calculado pela Fundação Seade, chegou a 101,0 e ultrapassou pela primeira vez a marca de 100. 

A mudança resulta principalmente da combinação entre a redução da fecundidade e o aumento da longevidade e altera a composição da população paulista, com efeitos sobre saúde, assistência, previdência, mercado de trabalho e planejamento urbano.

Segundo o Painel População da Fundação Seade, a população paulista com 60 anos ou mais soma 8,4 milhões de pessoas, equivalentes a 18,4% dos habitantes do Estado. As mulheres representam 10,5% da população total nessa faixa etária, enquanto os homens correspondem a 7,9%, diferença que se amplia à medida que a idade avança.

O indicador mostra a velocidade da transformação demográfica. Em 1950, havia apenas 11,6 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 habitantes com menos de 15 anos. A proporção chegou a 34,1 em 2000, 53,9 em 2010 e 82,3 em 2020, até alcançar 101,0 em 2025. Em 75 anos, portanto, a relação entre os dois grupos aumentou 8,7 vezes.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook

A Fundação Seade havia projetado anteriormente que 2025 seria o momento em que o contingente de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassaria o de crianças e adolescentes de até 14 anos (Renato Pinheiro/Pref/SP)

Redução relativa da população mais jovem

O dado não significa que a população idosa tenha simplesmente aumentado. O outro lado da mudança está na redução relativa da população mais jovem. A própria Fundação Seade havia projetado anteriormente que 2025 seria o momento em que o contingente de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassaria o de crianças e adolescentes de até 14 anos. Na projeção anterior, o cruzamento ocorreria quando os dois grupos chegassem a aproximadamente 8,6 milhões de pessoas.

A atualização mais recente mostra, porém, uma realidade territorial bastante desigual. O envelhecimento não ocorre na mesma velocidade nos 645 municípios paulistas. Em 2025, Turmalina, no interior do Estado, apresentou o maior índice de envelhecimento, com 322,0 pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 menores de 15 anos. Águas de São Pedro apareceu na sequência, com 270,1.

No extremo oposto, Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, registrou índice de 53,8. O número significa que, no município, ainda existem aproximadamente 54 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 habitantes com menos de 15 anos. A população, portanto, também envelhece, mas permanece proporcionalmente mais jovem que a média estadual.

A diferença entre municípios já era perceptível no início do século. Em 2000, Águas de São Pedro era o único município paulista em que a população de 60 anos ou mais superava a de menores de 15 anos, com índice de 110,9. Naquele período, Francisco Morato, na Região Metropolitana, registrava índice de apenas 11,5, evidenciando uma estrutura etária muito mais jovem.

Unidade de Referência à Saúde do Idoso (URSI) Campo Limpo, na região Sul da cidade de São Paulo, foi a 14ª inaugurada na capital paulista, com procedimentos entre consultas com médico geriatra, enfermagem, atendimentos de fisioterapia, psicologia clínica e assistência social (Sergio Barzaghi/Pref/SP)

Distribuição territorial permanece desigual

A distribuição territorial permanece desigual. Os menores índices de envelhecimento continuam concentrados principalmente no sul paulista, enquanto no norte e, sobretudo, no noroeste do Estado predominam municípios com índices superiores a 120 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. A concentração regional está associada, segundo a análise divulgada a partir dos dados do Seade, à combinação entre menor fecundidade e aumento da expectativa de vida.

O processo também começa a incorporar uma nova geração à população idosa. Entre os paulistas, 549 mil pessoas têm exatamente 60 anos e pertencem à chamada Geração X, formada por nascidos entre 1965 e 1980. Esse grupo corresponde a 6,6% da população idosa do Estado. Ao mesmo tempo, a população de 60 anos ou mais, com 8,4 milhões de pessoas, aproxima-se do contingente de habitantes entre 45 e 60 anos, que soma 9,2 milhões.

A mudança demográfica exige atenção também para as diferenças metodológicas entre as fontes. O índice de 101,0, divulgado pelo Seade, considera pessoas com 60 anos ou mais em relação aos habitantes de 0 a 14 anos. O indicador do Censo 2022 divulgado pelo IBGE para São Paulo utilizou, em sua publicação específica, pessoas de 65 anos ou mais em relação à população de 0 a 14 anos e chegou a 66,3. Os números não devem ser comparados diretamente como se medissem exatamente o mesmo fenômeno.

A diferença de metodologia é relevante para a leitura dos dados. O Censo 2022 do IBGE também identificou forte avanço do envelhecimento nos municípios paulistas: naquele ano, Turmalina tinha índice de 205,4 pelo conceito de 65 anos ou mais, enquanto Itapevi apresentava 31,8. Em publicação anterior, o Seade destacou que 91 municípios já tinham, em 2022, mais pessoas de 65 anos ou mais do que habitantes de 0 a 14 anos.

O que os diferentes levantamentos mostram, portanto, é uma mesma tendência estrutural: São Paulo deixou de ter uma população predominantemente jovem e avança para uma estrutura etária na qual os grupos mais velhos ocupam parcela crescente da população. A velocidade e a intensidade desse processo, entretanto, variam significativamente entre municípios e regiões.

Com informações da Fundação Seade.
@fundacaoseade @governosp

Acesse o Painel População da Fundação Seade

Acesse o estudo A Inversão da Pirâmide Etária Paulista

Assista ao vídeo Unidade de Referência à Saúde do Idoso (URSI) Campo Limpo