Maior trilha aquática do Brasil percorre 388 km pelo Rio Paraná e conecta 18 municípios
Rota dos Pioneiros combina caminhada, ciclismo e navegação, atravessa sete unidades de conservação, mas ainda tem apenas 30% de sua estrutura implementada
5 OUT 2026 - 08H44 • Por Wilson LopesA Rota dos Pioneiros, considerada pela Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e pelo Ministério do Turismo a maior trilha aquática do Brasil, percorre atualmente 388,8 quilômetros entre o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), e o Lago de Itaipu, no Paraná.
O percurso passa por 18 municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, combina caminhada, bicicleta e atividades aquáticas e atravessa sete unidades de conservação. Apesar da dimensão do projeto, a própria RedeTrilhas informa que apenas 30% da trilha está implementada.
A rota é classificada como uma Trilha Regional e integra os Caminhos do Peabiru. Seu traçado está estruturado em três regiões e oito setores, permitindo que o percurso seja realizado integralmente ou em trechos independentes. A ficha técnica da RedeTrilhas indica duração estimada de 16 dias para o percurso.
No Estado de São Paulo, a rota passa por Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha Paulista e Rosana. No Mato Grosso do Sul, estão incluídos Taquarussu, Jateí, Naviraí, Itaquiraí, Eldorado e Mundo Novo. No Paraná, fazem parte Terra Rica, Diamante do Norte, Marilena, São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Icaraíma, Altônia, Guaíra e Mercedes.
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O percurso acompanha áreas do Rio Paraná e de seus afluentes e está inserido no bioma Mata Atlântica. Entre os ambientes protegidos atravessados estão o Parque Estadual do Morro do Diabo, a Estação Ecológica do Caiuá, a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, o Parque Natural Municipal de Naviraí, o Parque Nacional de Ilha Grande e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Ernesto Vargas Baptista.
A proposta não se limita à navegação. A Rota dos Pioneiros prevê diferentes modalidades de deslocamento e reúne atrativos associados à natureza e à história regional, como observação de aves e fauna, mirantes, picos, cachoeiras, áreas para banho, grutas e museus.
A trajetória também está relacionada à história indígena e colonial do território. A região do antigo Guairá foi ocupada por povos indígenas e posteriormente recebeu expedições espanholas, missões jesuíticas e incursões de bandeirantes. Segundo a RedeTrilhas, o chamado Êxodo Guairenho, em 1631, envolveu cerca de 12 mil indígenas e aproximadamente 700 embarcações que desceram pelos rios Paranapanema e Paraná em busca de refúgio.
O percurso também guarda referências a conflitos posteriores. Nas proximidades de Porto São José, em São Pedro do Paraná, a RedeTrilhas registra a existência de uma área conhecida como “Fundão”, com profundidade de até 18 metros, onde foram localizados vestígios associados à Revolução de 1924, incluindo restos de embarcações e outros objetos.
Em Guaíra, no extremo sul do trajeto atualmente descrito pela RedeTrilhas, a rota encontra referências históricas ligadas à erva-mate e ao antigo território do Guairá. O município também funciona como um dos principais pontos de apoio para atividades náuticas e turísticas relacionadas ao Rio Paraná e ao Lago de Itaipu.
30% de implementação
A infraestrutura da trilha ainda está em formação. A página oficial da RedeTrilhas registra 30% de implementação e relaciona diferentes portos e pontos de apoio ao longo do percurso. Entre eles estão o Balneário Municipal de Rosana, Porto Maringá, em Marilena, Porto Eucalipto e Porto São José, em São Pedro do Paraná, Porto Natal e Porto Felício, em Querência do Norte, Porto Caiuá, em Naviraí, Porto Camargo, em Icaraíma, além de estruturas em Itaquiraí, Eldorado e Guaíra.
A segurança é um dos principais requisitos para quem pretende realizar os trechos aquáticos. A RedeTrilhas recomenda não navegar sozinho, utilizar guia experiente ou participar de expedições organizadas, acompanhar as condições meteorológicas, utilizar GPS e carta náutica e consultar os órgãos ambientais sobre áreas autorizadas para visitação e acampamento.
A história da própria rota ajuda a explicar a diferença entre o projeto planejado e sua implantação atual. A Rota dos Pioneiros foi lançada oficialmente em 15 de setembro de 2019, inicialmente com apenas 2,7 quilômetros de trecho terrestre. Posteriormente, foram incorporados trechos aquáticos e novas áreas protegidas, ampliando progressivamente o percurso.
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Há ainda uma divergência nos números divulgados pelas próprias fontes oficiais. A página atual da RedeTrilhas informa 388,8 quilômetros e 16 dias de duração. O Ministério do Turismo, em publicação de agosto de 2026, informa que a extensão varia entre 388,8 e 407 quilômetros e que a expedição completa pode exigir de 16 a 27 dias. Documento anterior do Ministério registrava 381 quilômetros e 21 dias. A diferença pode estar relacionada à atualização do traçado, à metodologia de medição ou à evolução da estruturação da rota.
Por isso, a extensão da Rota dos Pioneiros deve ser apresentada com a referência da fonte e da versão consultada. Para a informação mais diretamente associada à página oficial da RedeTrilhas, o número é de 388,8 quilômetros.
A rota também faz parte de um movimento nacional de expansão das trilhas de longo curso. Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil possui atualmente 246 trilhas, que passam por 327 unidades de conservação e somam mais de 25 mil quilômetros planejados. Nesse contexto, a Rota dos Pioneiros representa um projeto regional que combina conservação ambiental, turismo de natureza, patrimônio histórico e atividades esportivas.
Com informações da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e do Ministério do Turismo.
@rotadospioneiros @mturismo @institutoaguaeterra @fundacaoflorestal @guairaexperience @prefeitura_navirai
Acesse a Rota dos Pioneiros
Assista ao vídeo ‘Rota dos Pioneiros - Expedição inaugural de sinalização’
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