"Cada vez mais as redes sociais estão prejudicando a democracia"
Estudo do Pew Research Center revela que 65% dos brasileiros avaliam positivamente o impacto das plataformas sobre a democracia, mas 78% dizem que elas facilitam a manipulação por informações falsas
7 OUT 2026 - 10H29 • Por Wilson LopesAs redes sociais são vistas simultaneamente como ferramentas de informação e participação política e como ambientes que facilitam a manipulação e aprofundam a divisão política. É o principal paradoxo revelado pelo levantamento 'Across the Globe, People Increasingly Say Social Media Is Harming Democracy' (Em todo o mundo, as pessoas dizem cada vez mais que as redes sociais estão prejudicando a democracia), produzido pelo Pew Research Center, divulgado em 1º de outubro de 2026, que ouviu 45.658 pessoas em 37 países.
No Brasil, 65% dos entrevistados consideram que as redes sociais tiveram impacto positivo sobre a democracia, enquanto 29% avaliam o efeito como negativo.
Em escala global, a percepção positiva está associada principalmente ao acesso à informação e à participação política. Uma mediana de 77% dos entrevistados nos 37 países afirma que a internet e as redes sociais tornaram as pessoas mais informadas sobre acontecimentos atuais. Outros 60% dizem que essas plataformas ampliaram a capacidade de ter uma voz significativa na política.
Ao mesmo tempo, os mesmos entrevistados identificam riscos relevantes. Uma mediana de 79% afirma que a internet e as redes sociais facilitaram a manipulação por meio de informações falsas e rumores. Além disso, 68% dizem que as plataformas contribuíram para tornar as opiniões políticas mais divididas. O resultado mostra que a expansão do acesso à informação não necessariamente produz maior convergência política.
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Brasil mantém avaliação predominantemente positiva
O Brasil está entre os países em que a percepção sobre o efeito das redes sociais na democracia permanece majoritariamente positiva. Os 65% que avaliam o impacto como bom colocam o país acima da mediana global de 55%, enquanto os 29% que consideram o efeito negativo ficam abaixo da mediana de 35%.
A avaliação positiva, porém, convive com níveis elevados de preocupação. No Brasil, 78% afirmam que a internet e as redes sociais facilitaram a manipulação por informações falsas e rumores. Outros 64% dizem que essas plataformas tornaram as pessoas mais divididas em suas opiniões políticas. Ao mesmo tempo, 73% consideram que elas deixaram as pessoas mais informadas e 60% dizem que ampliaram sua capacidade de ter voz na política.
O quadro brasileiro, portanto, não é de rejeição às redes sociais. A população reconhece benefícios ligados à informação e à participação, mas também identifica efeitos negativos relacionados à desinformação e à polarização.
Países ricos demonstram maior ceticismo
A diferença mais clara aparece quando os resultados são separados pelo nível de renda dos países. Entre as economias classificadas pelo Banco Mundial como de alta renda, a mediana dos que consideram as redes sociais ruins para a democracia é de 46%. Nos países de renda média, o índice cai para 28%.
Os Países Baixos apresentam o maior percentual de avaliação negativa, com 70%. França aparece em seguida, com 65%, praticamente empatada com os Estados Unidos, com 64%. Alemanha registra 61%, Reino Unido 56%, Canadá 55% e Austrália 52%.
Em sentido contrário, a percepção é muito mais favorável em países como Nigéria, onde apenas 11% consideram as redes sociais ruins para a democracia; Gana e Tailândia, ambos com 21%; Quênia, com 24%; e Singapura, com 22%.
Na América Latina, o Brasil registra 29% de avaliação negativa, abaixo do Chile (43%), Argentina (35%), Peru (34%), Colômbia (33%) e México (26%). O padrão regional é predominantemente positivo, mas com diferenças importantes entre os países.
Estados Unidos permanecem entre os mais críticos
Nos Estados Unidos, 64% dos adultos consideram as redes sociais ruins para a democracia. O número chama atenção porque mantém exatamente o mesmo percentual registrado em 2022. Portanto, embora os norte-americanos estejam entre os públicos mais críticos, não houve aumento da rejeição no país nesse intervalo.
A mudança aparece com maior clareza quando se observa o conjunto internacional. Entre os 26 países que tinham dados comparáveis de pesquisas anteriores, a parcela que considera as redes sociais ruins para a democracia aumentou em 16. Nos Países Baixos, por exemplo, passou de 54% em 2022 para 70% em 2026. Na Alemanha, subiu de 41% para 61%; na França, de 51% para 65%; e no Reino Unido, de 48% para 56%.
Divisão política é percepção disseminada
A percepção de que as redes sociais aprofundam a divisão política também aparece em diferentes regiões. Na Alemanha, 82% dizem que as plataformas tornaram as pessoas mais divididas politicamente. O índice chega a 80% na Espanha, 79% na Polônia e no Reino Unido e 69% na França.
O levantamento mostra ainda que a percepção dos efeitos das redes não é simplesmente positiva ou negativa. Em 29 países, pelo menos um terço dos adultos considera que a internet e as redes sociais produziram simultaneamente os quatro efeitos avaliados: mais informação, maior voz política, maior facilidade de manipulação por informações falsas e maior divisão política.
Pesquisa mede percepção, não causalidade
Os resultados não permitem afirmar que as redes sociais, isoladamente, estejam causando o enfraquecimento da democracia ou a polarização política. O estudo mede como os adultos de diferentes países avaliam os efeitos dessas plataformas.
Essa distinção é relevante porque o levantamento identifica uma relação paradoxal: quanto mais as pessoas reconhecem o papel das redes na circulação de informação e na participação política, também aumenta a percepção de que o mesmo ambiente facilita a disseminação de informações falsas, a manipulação e a divisão política.
A pesquisa foi realizada entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026, com entrevistas por telefone, presenciais e pela internet, segundo o país e o desenho amostral adotado. Os dados dos Estados Unidos incluem levantamentos adicionais realizados entre janeiro e junho de 2026.
Com informações do Pew Research Center.
@pewresearch
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